Política

EDUARDO BOLSONARO DEFENDE POLÍCIA BRASILEIRA

No país de João Pedro e Gabriel, Eduardo Bolsonaro diz que “não há casos como George Floyd”

A polícia brasileira é a mais assassina do mundo, e a maior parte de suas vítimas são negras, mas Eduardo Bolsonaro afirma que não há casos como os de George Floyd no Brasil, poucos dias após assassinatos como os de João Pedro e Geovane Gabriel.

segunda-feira 15 de junho| Edição do dia

Sozinha, a polícia do Rio de Janeiro mata mais do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas. Casos como o de João Pedro, uma criança morta pelas balas da polícia dentro de sua própria casa, infelizmente são recorrentes. E nesse domingo, 14, foi encontrado o corpo do jovem Geovane Gabriel, que havia desaparecido em Natal após ter sido visto por testemunhas sendo abordado pela polícia enquanto ia à casa da namorada. Chacinas e assassinatos policiais, quase sempre de negros, moradores das favelas, não apenas são frequentes, como em quase sua totalidade impunes.
É nesse país que o filho do presidente, o deputado de extrema-direita Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), disse durante um evento da direita conversadora estadunidense que “o Brasil não tem casos como os de George Floyd”.
Em seu pronunciamento na CPAC (sigla em inglês para “Conferência da Ação Política Conservadora”), o execrável político disse ainda que o objetivo das manifestações do movimento Vidas Negras Importam (Black Lives Matter) que tomaram não apenas as ruas de todos os cantos dos Estados Unidos, mas se alastraram pelo mundo, não é combater o racismo de fato. De acordo com o deputado racista, trata-se de uma “estratégia esquerdista” para “tomar o poder”. Na transmissão, realizada na última sexta-feira, 12, o deputado referiu-se às manifestações como "riots" (que remetem a tumulto, baderna), palavra usada por críticos dos movimentos.
Ele disse: "Se você observar o que está acontecendo nos Estados Unidos, os protestos... eles dizem manifestações, eu diria baderna. Eles dizem contra racistas... eles estão tentando importar isso aqui para o Brasil mesmo não havendo caso como o de Floyd, que infelizmente morreu, ninguém quer que isso aconteça. Mas eles estão tentando trazer para cá esse tipo de ’protestos’. No final das contas, sabemos que é só estratégia dos esquerdistas para tentar tomar o poder".

No Brasil, assim como nos Estados Unidos, uma pessoa negra corre mais risco de ser morta pela polícia do que uma pessoa branca. Lá, o risco é 2,9 vezes maior Aqui, 2,3 vezes. No entanto, a polícia brasileira mata mais, mesmo com população menor. Em todo o ano passado, só no Rio de Janeiro a polícia matou quase o dobro do que matou a polícia estadunidense em todo o País, no mesmo período.

O reacionário ainda tentou criminalizar os protestos antifascista e antirracistas que começaram a tomar as ruas brasileiras contra Bolsonaro e a violência policial, afirmando que são atos de vandalismo. E ainda tentou utilizar isso como justificativa para explicar as manifestações cada vez menores e mais ridículas de apoio a Bolsonaro:

"Nas últimas oito semanas tivemos protestos pró-Bolsonaro, mas o que aconteceu foi que esses esquerdistas foram às ruas, com pessoas violentas, e começaram brigas. Depois do que isso aconteceu, na semana passada, a partir de agora, não estamos organizando... as pessoas não estão indo às ruas mais mostrar apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Eles usam a violência como ferramenta política para atacar inimigos", comentou o deputado.

As declarações de Eduardo Bolsonaro foram feitas em conversa transmitida pela internet com Matt Schlapp, ex-conselheiro de George W. Bush, líder da União Conservadora Americana (ACU) e marido de Mercedes Schlapp, que entre 2017 e 2019 foi diretora de Comunicações Estratégicas da Casa Branca.

Não surpreendem as declarações nojentas de Eduardo Bolsonaro, cujo pai escancara seu racismo muito tempo antes de ser eleito presidente, e que defende toda a violência racista e assassina da polícia, inclusive reivindicando a ditadura militar que torturava e matava indiscriminadamente.




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