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LAVA JATO

No mesmo dia que liberta doleiro, Lava Jato prende policiais do Senado

A Polícia Federal deflagrou hoje a Operação Métis, cujo objetivo é prender um grupo de policiais legislativos do Senado responsáveis por atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. A ação mostra que a Polícia Federal irá suprimir qualquer tentativa de criar obstáculos ao Judiciário.

Julia Rodrigues

Estudante da EACH USP

sexta-feira 21 de outubro| Edição do dia

Na manhã desta sexta-feira, 21, a Polícia Federal cumpriu diligências da Operação Métis (nome em referência à Deusa da Proteção, com capacidade de antever acontecimentos) para desarticular grupo de policiais legislativos acusados de criar barreiras à Operação Lava Jato e outras investigações da PF. A investigação aponta que o Diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, era líder do grupo.

A ação tem apoio do Ministério Público Federal e mira grupo organizado de servidores da Polícia Legislativa do Senado. Quatro policiais legislativos foram presos, são eles: Pedro Ricardo, Geraldo César de Deus Oliveira, Everton Taborda e Antônio Tavares. O Diretor e subordinados estavam sendo investigados por ações de contra inteligência para ajudar senadores que estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o Ministério Público Federal, um policial legislativo afirmou, em delação premiada, que em quatro ocasiões, utilizando equipamentos de inteligência do Senado, fizeram varreduras em imóveis particulares e funcionais ligados a três senadores e um ex-parlamentar investigados na Operação Lava Jato. De acordo com o delator, o objetivo era realizar ações de contra inteligência, ou seja, localizar e destruir sistemas de escutas telefônicas e ambientes.

Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados judiciais todos em Brasília. Sendo quatro de prisão temporária, um deles nas dependências da Polícia do Senado. Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A PF informou que não está cumprindo mandados em residência e gabinetes de parlamentares.

“Foram obtidas provas de que o grupo, liderado pelo diretor da Polícia do Senado, tinha a finalidade de criar embaraços às ações investigativas da Polícia Federal em face de senadores e ex-senadores, utilizando-se de equipamentos de inteligência", informou em nota a PF.

Em um dos eventos, afirma a PF, o diretor da Polícia do Senado ordenou a prática de atos de intimidação à Polícia Federal, no cumprimento de mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em apartamento funcional de senador.

Os investigados responderão por associação criminosa armada, corrupção privilegiada e embaraço a investigação de infração penal que envolva organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 14 anos e seis meses de prisão, além de multa. De acordo com a PF, a Justiça Federal já determinou a suspensão do exercício da função pública dos policiais do Senado envolvidos no esquema.

No mesmo dia em que Sérgio Moro decidiu que o doleiro Youssef, peça chave nas delações, pode continuar a cumprir pena em sua mansão e com vastas somas que não foram alcançadas pelo prêmio de sua delação premiada, a operação prendeu policiais por obstrução de justiça. Ao prender esses policiais a operação busca mostrar que "atinge a todos", porém como sabemos sequer investigações contra tucanos e as empesas imperialistas citadas na operação são conduzidas. Neste dia com dois emblemas, um da impunidade ao libertar o doleiro e outro da ofensiva se vê, mais uma vez, como a operação não visa o combate a corrupção mas trocar um esquema de corrupção por outros, agora com o aval do judiciário.




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