Política

REUNIÃO MINISTERIAL

No meio da pandemia, presidente do BC defende corte de gastos para pagar donos da dívida

Na reunião ministerial que teve o vídeo divulgado essa noite, é revoltante ver que o presidente do Banco Central, Roberto Campos, defenda que o país siga pagando a dívida pública para encher os cofres dos grandes monopólios bancários e especuladores.

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

Roberto Campos: Vou voltar aqui numa história breve, que é lembrar que no fim do governo Dilma a taxa de juros era catorze e meio por cento, a curta. Mas a taxa longa era vinte por cento. E aí quando a gente olha o que aconteceu e o que proporcionou a ... a taxa de juros cair, é interessante, porque teve um dia, dezoito de agosto, que saiu uma manchete no jornal que todos os elementos apontavam que ia ter o ... o teto de gastos. Naquele dia a curva de juros longa começou a cair e foi quando, depois, o presidente do Banco Central anterior começou a cair o juros. Ele caiu o juros até o nível de seis e meio, estabilizou, teve a incerteza das eleições com a incerteza do PT poder voltar, a taxa piorou, depois, curiosamente, quando o mercado entendeu que ia ter a previdência, foi quando abriu o espaço pra cortar os juros novamente. Então, a razão dos juros ter ido de catorze e meio, ou ... quinze, ou vinte, pra o que tá hoje, foi é ... o fato da sociedade, do mercado ter entendido que o governo ia ter disciplina em relação às contas públicas. Isso a gente não pode esquecer, tá?

Nessa declaração, o presidente do BC legitima o avanço de medidas que cortaram enormes gastos de serviços essenciais, como a saúde, que hoje com a pandemia mostra suas consequências em vidas humanas e em precarização dos trabalhadores da saúde. Não há testes, leitos de UTI suficientes e respiradores, e estamos perdendo vidas que poderiam ter sido salvas.

Contudo, o que importa para o BC é que os lucros trilionários dos principais bancos do mundo em cima do nosso orçamento, que é fruto do trabalho de milhões de trabalhadores, gozam de boa saúde. A lei do teto de gastos cumpre o papel de estrangular os recursos públicos e destiná-los aos mecanismos de rolagem de uma dívida fraudulenta e ilegítima, que não importa o quanto se paga ela seguiu crescendo nas últimas décadas.

A dívida é um dos principais mecanismos que subordinam o nosso país aos interesses imperialistas e ao controle político do capital financeiro, dos maiores capitalistas do mundo, sobre o nosso país. Os mecanismos que levaram à rolagem dessa dívida foram fortalecidos nos anos do PT e aprofundados no regime pós-golpe institucional, que com Bolsonaro leva o país a ser ainda mais servil aos mandos dos países imperialistas e seus órgãos internacionais como FMI, OCDE e outros tantos, ao ponto de Guedes começar a pandemia destinando R$1,2 para a “liquidez” dos bancos.

Para responder a pandemia, é urgente a abolição da lei do teto de gastos e a suspenção do pagamento da dívida pública para destinar seus recursos à saúde, à renda e a garantia de emprego para a população.




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