Educação

GOLPISTAS NA EDUCAÇÃO

No governo golpista, a Educação é tratada assim: menos Freire, mais Frota

Enquanto escrevemos esse artigo, já são milhares de manifestações nas redes sociais de absoluto repúdio – em palavras mais claras, nojo e indignação – frente ao fato de Alexandre Frota ter sido convidado a opinar sobre a Educação ao ministro Mendonça Filho (DEM-PE) no dia de hoje em Brasília.

quarta-feira 25 de maio de 2016| Edição do dia

Dos secundaristas do Ceará aos do Rio Grande do Sul, dos professores do Rio de Janeiro aos de Alagoas, passando pelos universitários das estaduais paulistas e das federais do Sul do país: de todos estes setores em luta pela educação, vêm a resposta ao governo golpista e seus “conselheiros”.

Alexandre Frota, já há muitos anos atrás conhecido por suas atuações em programas da Rede Globo e hoje conhecido por seus desfiles de discurso de ódio em todas as mídias, foi recebido no Ministério da Educação e no Ministério da Cultura com mais quatro integrantes do grupo “Revoltados On Line”.

Este grupo, que é um dos conhecidos grupos de direita, organizador das marchas verde-amarelas pró-golpe, apresentou uma pauta de “reivindicações” ao ministro. Dentre elas, a única que foi até agora tornada pública, em vídeo feito pelos próprios “visitantes” e postado no facebook do grupo, é a aprovação do projeto de lei “Escola sem partido”.

O projeto de lei versa sobre uma suposta “extinção da doutrinação ideológica das escolas”, por meio de punir até mesmo com demissão professores que debatam política, religião e ideologia, impondo uma falsa neutralidade nas aulas – e assim esvaziando de conteúdo as disciplinas de Filosofia e Sociologia, como mínimo. Como se todas as ideias chamadas de “neutras” que determinam os valores e preceitos morais da sociedade não fossem o fruto imediato de uma ideologia: a da classe dominante – calcada na profunda desigualdade social e na ostentação dela, na exploração do trabalhador, no racismo, no machismo, na homofobia, na xenofobia.

Como objetivo então, eles querem o cerceamento da liberdade de cátedra (autonomia pedagógica) dos professores – prevista em lei – que configura a perseguição política dos mesmos. Não querem que os alunos sejam expostos ao questionamento, ao debate, à troca e construção de conhecimento crítico em relação às suas vidas e à nossa sociedade. Qual o medo? De que se descubra que os alunos têm capacidade de desenvolver seu próprio pensamento e questionem as regras opressoras e de exploração do sistema? Que se organizem politicamente para reivindicarem o que lhes é de direito?

Parece que é exatamente isso. Só observarmos a política absolutamente repressiva dos governos contra as ocupações de escola e manifestações por todo o país em defesa da Educação, que é direito dessa juventude. Querem jovens que sejam oprimidos nas escolas, forçados a não pensar e somente a engolir e decorar conceitos engavetados (e poucos, porque o que precisam é de um ensino básico para formar futuros trabalhadores semiqualificados e nada mais). Para isso, precisam de professores domados e controlados que reproduzam esse conhecimento “neutro”. É este o projeto defendido por Frota e seus colegas: um cala-boca ao desenvolvimento do pensamento e do conhecimento críticos.

Bastante coerente, na verdade, com as atitudes mais que rechaçadas de Frota, um reconhecido misógino e homofóbico. Expressão disso, num exemplo que todos se lembram, foi a apresentação deste senhor no Programa “Agora é Tarde” da TV Bandeirantes, comandado pelo também machista Rafinha Bastos, no qual relatava em tom de piada um estupro que supostamente ele teria cometido. Se não o cometeu, a “piada” em si já é extremamente agressiva, alimentando em rede nacional a ideia de que a violência às mulheres não é um crime, mas sim motivo de risada em conversa de bar ou de programa de auditório; o que em si já configura apologia ao crime, e por lei já merece punição. Se o cometeu, além de fazer apologia, exerceu essa violência contra uma mulher e deveria ser punido pelo crime de estupro. Ou outra expressão disso são os vários vídeos de ataque a figuras como Jean Wyllys e Tico Santa Cruz, recheados de homofobia.

Como se não bastasse esse show de horrores no Ministério da Educação, foram também ao recém recriado (pela força da luta dos artistas que ocupam a Funarte em várias partes do país) Ministério da Cultura. Em sua página de rede social, Frota e seus colegas de grupo mandam recados intimidatórios aos artistas que se colocam contra o governo golpista de Temer, dizendo que o Ministério da Cultura não mais servirá aos “artistas petistas que denunciam o governo hoje para continuarem mamando no Estado”.

Esse é o governo golpista de Michel Temer e para isso foi empossado pela direita, com o apoio dos aliados imperialistas: para dar cada vez mais espaço aos que defendem os privilégios dos ricos, os ataques aos trabalhadores, e os massacres às mulheres, negros, homossexuais. E para, na Educação, avançar não só em ataques ao seu caráter público garantido pelo Estado, mas também aprofundar o cerceamento ideológico e social.

Como dissemos anteriormente, as lutas em defesa da Educação por todo o país já indicam o caminho que pode barrar tais projetos do governo golpista de Temer e seus aliados “famosos”.

É necessária uma resposta ao golpe e também ao projeto de educação de Frota e dos golpistas, que buscam além de uma educação acrítica, um sistema perpetuador de racismo, homofobia, machismo. Assim como casos estarrecedores de violência contra negros, lgbt e mulheres, como o recente caso de estupro no Rio de Janeiro que também precisam ser estancados de uma vez por todas. Por isso queremos construir, através da organização nos locais de estudo, das mobilizações e nas ruas, uma educação questionadora e que garanta educação sexual nas escolas para que a juventude possa acabar com todos elementos reacionários das grades curriculares, com a naturalização da violência e do sistema patriarcal, e com os planos dos setores conservadores mais criminosos e sem escrúpulos representados tão bem pela repugnante figura de Frota.

Toda força às lutas em curso para que sejam o estopim de uma grande mobilização dos trabalhadores e da juventude para impormos contra o governo uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, através da qual viremos este jogo e estas regras a favor de todo os explorados e oprimidos, para que a classe trabalhadora, as mulheres e juventude possam ser sujeitos de suas vidas.




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