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No dia do técnico de enfermagem, profissionais denunciam cortes salariais e descaso do governo

quinta-feira 21 de maio| Edição do dia

Ontem, 20 de maio, foi o dia nacional do técnico e auxiliar de enfermagem. Profissionais foram homenageados em diversas unidades de saúde no país, nas bases do SUS, pelo seu trabalho essencial durante à pandemia. Ao mesmo tempo, o governo segue negligenciando e inclusive permitindo ataques à categoria.

A divisão entre a categoria de enfermeiros e técnicos de enfermagem, em si mesma, é uma divisão que favorece a precarização dos trabalhadores da saúde, separando em categorias e nivelando para baixo os salários. A categoria da enfermagem, em especial, e muito mais nos técnicos de enfermagem, já enfrenta opressões históricas: em uma sociedade machista e racista, a imensa maioria da categoria é de mulheres e negros. O achatamento salarial e a sobrecarga de trabalho é ainda maior no caso dos técnicos de enfermagem, que sofrem ataques das empresas e dos governos com um salário que muitas vezes é 10 vezes inferior ao de um médico, por exemplo.

Por isso, o dia 20 foi um dia de manifestação também. No Piaui, técnicos de enfermagem e enfermeiros protestaram na frente do Hospital de Urgência de Teresina e no adro da Igreja São Benedito, por medidas básicas para atuar durante a pandemia, como a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual que não é distribuído por falta de vontade dos governos, que privilegiam o auxílio aos bancos ao invés do combate à pandemia e a defesa da saúde do povo - em especial daqueles que estão na linha de frente.

Os trabalhadores relatam inúmeras dificuldades sofridas enquanto servem ao povo através do SUS: desde jornadas de trabalho de até 12h diárias, resultando na absurda taxa de mortalidade. Segundo o Conselho Federal de Enfermagem, o Brasil ultrapassou os EUA em mortes de enfermeiros e técnicos de enfermagem chegando a 112 mortes na última semana.

Da mesma maneira, a categoria que engloba centenas de milhares de profissionais enfrenta no dia à dia restrições, como a quarentena auto-imposta com a restrição de contato com familiares, por estarem expostos cotidianamente à covid-19, e não contam com nenhum tipo de auxílio. O Estado - a União e os governos estaduais e prefeituras - deveria garantir auxílios para pagar, por exemplo, o aluguel de moradias, como mínimo, para estes profissionais poderem decidir fazer sua quarentena sem risco à suas famílias. Ao mesmo tempo, é preciso garantir milhares de testes e leitos para parar imediatamente a morte deste profissionais pela covid-19.

Ao contrário, Bolsonaro e os governadores privilegiam os capitalistas, os bancos e empresários que superfaturam contratos utilizando o estado de calamidade pública, em contratos escusos com empresários - incluindo fornecedores da saúde privada, as mesmas OS que pagam salários de fome para trabalhadores da saúde enquanto lucram milhões em contratos para prestar serviços ao SUS.

No dia dos técnicos da enfermagem, é preciso defender a isonomia salarial da categoria, a centralização de todas unidades de saúde em um Sistema Único, universal, com a estatização de todas unidades e leitos privados, como medida básica para enfrentar a pandemia. Ao mesmo tempo, é preciso reconverter a indústria para produzir testes, EPIs, respiradores e leitos, financiando também a pesquisa estatal, fortalecendo o trabalho destes profissionais.




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