No continente africano, os trabalhadores da saúde também lutam pela vida

O continente superar os 300 mil contágios e mais de 8 mil mortos. Os números sobem rapidamente, 203% desde o fim de maio, enquanto vários países flexibilizaram suas quarentenas. Além disso, o impacto do COVID-19 nos trabalhadores da saúde tem sido devastador, deixando a situação ainda mais grave.

sábado 27 de junho| Edição do dia

Para dar uma ideia do impacto, os mais afetados são África do Sul, Egito, Nigéria, Gana e Argélia, algumas das principais economia da região.

Voltemos a alarmante situação dos trabalhadores da saúde:

Na Nigéria, fizeram greve exigindo máscaras e salário. Muitos médicos têm que realizar outra jornada de trabalho para completar a renda. Além disso, tiveram que usar a mesma máscara N95 por duas semanas, o que era para durar um turno de algumas horas apenas. Caso se negassem a estender o tempo da máscara, tinham que comprar as suas próprias.

Na Libéria, as máscaras usadas eram remanescentes da epidemia de Ebola (2014-2016). Na Guiné-Bissau e Camarões, ocorreram casos de fechar alas do hospital durante uma semana para desinfecção, devido a quantidade de trabalhadores contaminados. Ainda assim, especialistas dizem que o quadro é muito pior do que os números oficiais apontam, pois não há tem testes nem para os trabalhadores da saúde.

É muito preocupante a situação, os casos aumentam devido a precária situação do sistema de saúde. Calcula-se que o continente tem, em média, menos de uma cama de UTI a cada 100 mil pessoas. Para ter uma ideia, Uganda tem 55 leitos de UTI para 43 milhões de habitantes, Somália tem 15 para quase 15 milhões de habitantes. Etiópia, Nigéria e Egito, por exemplo, tem 1.920 leitos de UTI para mais de 400 milhões de pessoas. Número muito abaixo de outros países com economias dependentes, como os países latinos.

Há outras enfermidades que podem avançar novamente, como a Ebola e a Febre de Lassa. Não existem grandes investimentos para descobrir a curar para essas doenças, pois não é de interesse dos grandes laboratórios.

Além disso, a crise econômico afeta brutalmente o continente, onde muitos trabalhadores têm empregos informais. Assim como no Brasil, muitas multinacionais pressionam pela flexibilização da quarentena, o que levará a ampliar os focos de contágio. Situação semelhante, também, onde essas multinacionais continuam produzindo, tudo para defender seus lucros.

Toda essa situação impacta diretamente no sistema de saúde. O colapso já é realidade. Os trabalhadores da saúde, na linha de frente, arriscam suas vidas, enquanto os governos e multinacionais só se importam com seus lucros. As mobilizações desses trabalhadores mostram o caminho para mudar a situação. Em diversos locais do mundo ocorrem manifestações desse setor vital.

Esse cenário desnuda a cara mais perversa do capitalismo. As grandes potências imperialistas seguem seus planos de espoliação nos países dependentes, como é o caso africano e latino. A realidade é que quem está pagando a conta da crise e da pandemia são os trabalhadores, em sua maioria negros, condenados a seguir trabalhando e morrendo na espera de um leito.

Um exemplo disso é a França. Mediante o "sistema de francos CFA" (Comunidade Financeira Africana) tem controle direto sobre as moedas nacionais de suas antigas colônias. Ao mesmo tempo, mantém cerca de 9 mil soldados no continente. As consequências da pandemia do coronavírus mostra uma situação que se mantém há anos em um continente arrasado pelo saque imperialista.

É urgente a reestruturação do sistema de saúde, unificar todos os leitos em um sistema único, acabando com a posse privada na saúde. Para garantir um funcionamento voltado aos interesses da população, os trabalhadores da saúde, linha de frente no combate à pandemia, devem assumir o controle desse sistema de saúde. Garantir testes massivos, cobrindo toda a necessidade, assim podendo fazer uma quarentena racional.

É necessário ir além. Faltam equipamentos e médicos na linha de frente. Para isso, a saída é girar toda a produção industrial para produzir respiradores e demais equipamentos necessários, assim como recontratar todos os trabalhadores da saúde demitidos nos últimos anos. As universidades podem cumprir um papel fundamental, abastecendo de pesquisas, confecção de testes e estudantes da área da saúde que podem se dispor ao combate mediante uma contratação de emergência. Somente rompendo com o domínio imperialista é que é possível colocar a vida acima do lucro.




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