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ELEIÇÕES RIO 2018

No Rio de Janeiro, vote nulo contra Wilson Witzel e Eduardo Paes no segundo turno

O Movimento Revolucionário de Trabalhadores, que impulsiona o Esquerda Diário, chama a anular o voto, pois se tratam de dois carrascos da classe trabalhadora e do povo carioca

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

Wilson Witzel (PSC), que se fez sendo conhecido como apoiador de Bolsonaro, e Eduardo Paes (DEM) são a cara da extrema-direita e da direita para o governo do Rio de Janeiro neste segundo turno, onde não cabe outra posição aos trabalhadores e o povo carioca senão o voto nulo, pois ambos vão trazer ainda mais ataques e precarização da vida do povo carioca, que precisa preparar uma forte resistência na luta de classes.

Eleições absurdamente manipuladas pelo judiciário, no Brasil e no Rio

Estas eleições foram marcadas por uma forte manipulação do judiciário sobre o seu resultado. Se não fosse o judiciário intervindo, Lula poderia concorrer com chance de ter sido eleito no primeiro turno. Da mesma forma, no Rio de Janeiro, a Lava Jato e o judiciário também mexeu seus pauzinhos para tirar Garotinho e colocar um corda no pescoço de Paes, que tem pedido aberto no TSE por impugnação de candidatura. Garotinho também está londe de ser um representante do povo e está imerso na degradação da política carioca, com escândalos de todo tipo, mas o que o povo carioca deve ter claro é que se tratou de mais uma intervenção do Judiciário visou atacar a vontade popular e manipular todos as variáveis eleitorais possíveis para impor seus interesses.

O grande ganhador com a manipulação feita pela Lava Jato, que atua sem provas prendendo Lula e liberando delações em plena campanha, foi Bolsonaro (PSL), que carregou junto dele vários outros parlamentares e candidatos ao executivo, não sem ajuda de uma rede de fake news propagadas através do Whatsapp e das redes sociais. Rede esta que foi criada com ajuda de ninguém menos que Steve Bannon, um dos responsáveis pela campanha de Trump.

Witzel teve um ascenso vertiginoso no último momento da eleição baseado nos mesmos esquemas de Bolsonaro se ligando a ele ao máximo, com um amplo esquema com as Igrejas Evangélicas e buscando se apoiar no sentimento popular contra a corrupção, como se um juiz pudesse ser qualquer alternativa. No entanto, isso se trata da maior falácia, a justiça carioca está contaminada por bolsonaristas, são parte dos que mantém Rafael Braga preso, que escolhe a dedo quem vai condenar por corrupção para garantir seus interesses. A manipulação na eleição do Rio por parte da justiça vem de antes, com a "Lava Jato carioca", com Marcelo Bretas, um privilegiado, se apresentando como paladino da luta contra a corrupção mas se trata de um bolsonarista que quer fortalecer o judiciário como poder autoritário e beneficiar políticos direitistas como Witzel, que foi o escolhido da vez.

Witzel é um carrasco odiável, a nova cara do reacionarismo

Witzel promete abertamente criminalizar servidores, trabalhadores, estudantes, mulheres, negros, LGBT é Wilson Witzel, que recentemente participou do odioso ato que quebrou a placa com o nome da vereadora assassinada, Marielle Franco do PSOL, para mostrar seu ódio fascista contra a esquerda.

Este que no início de campanha tinha 2% das intenções de voto, agora aparece com 60% das intenções de voto contra 40% de Paes na projeção do Ibope, pulou para primeiro lugar na última hora, pegando carreira na campanha de Bolsonaro e, segundo diversas fontes, apoiado numa forte rede de policiais e setores ligados à milícia.

Saiba mais: Quem é Wilson Witzel, defensor da intervenção militar nas favelas e de privatizar a UERJ

Mas apesar de inesperada para muitos, seu crescimento não veio do nada: Witzel é grande amigo de Marcelo Bretas, tendo sido um dos que condecorou o juiz, tido como Moro carioca, em evento. O ex juiz já foi pego ocultando uma empresa do TSE, e tem uma relação não explicada com a corrupta CBF que lhe cedeu a Granja Comary para o torneio de futebol dos juízes organizado pela AJUFE, entidade representativa dos Juízes Federais que Witzel comandava, na mesma semana em que o ministério público pedia inquérito contra Ricardo Teixeira.

Witzel representa o aumento da matança estatal aos pobres e trabalhadores, as igrejas, representa a manutenção da dominação das milícias, representa um programa que é aprofundamento do desmonte dos serviços públicos começado por Pezão. Com ele, servidores vão seguir sem receber enquanto os privilégios do alto escalão do poder judiciário, em especial os juízes, vão seguir com dezenas de penduricalhos acumulando salários acima do teto constitucional, com salários que, totalizando, batem os R$ 100 mil, enquanto que o povo morre lentamente na fila da UPA e as escolas e as universidades do estado como a UERJ caem aos pedaços. Estas regalias, aliás, Witzel pode ser visto defender em um vídeo que circulou recentemente, aonde ele ensina juízes todos os “macetes” para receber acima do teto constitucional. E questionado, ele simplesmente afirmou que a prática não era ilegal. Este mesmo juiz que tanto fala em corrupção e “moral” recebia um auxílio-moradia mesmo tendo casa própria.

Witzel ensina juízes a burlar regras para acumular dezenas de regalias e privilégios pagos com nosso dinheiro.

Eduardo Paes é parte da camarilha corrupta e antioperária e popular do PMDB do Rio

Para combater a cara de Bolsonaro no Rio de Janeiro, não será votando e elegendo Eduardo Paes. Em primeiro lugar porque Paes também será uma sucursal, ainda que menos explícita, de Bolsonaro no Rio de Janeiro, já que este político que sempre se posicionou de acordo com a conveniência está agora representando o Democratas (DEM), que tem na linha de frente Rodrigo Maia com a tarefa número zero de fechar um acordo com Bolsonaro para garantir maioria para seu governo de ataques no Congresso Nacional.

Leia também: Sem moral nenhuma, Witzel e Paes defendem teste de integridade contra servidores

Votar em Paes pensando que este voto seria um veto ao Bolsonaro é uma imensa ilusão, porque no fim da história o resultado será o partido de Paes ajudando o partido de Bolsonaro a aprovar a reforma da previdência, os ataques e a repressão à esquerda, os ataques aos trabalhadores, as privatizações e tudo o mais.

Além disso, Paes não precisaria da ajuda de Bolsonaro para reprimir e perseguir a esquerda, como já mostrou na greve dos garis em 2014 quando disse que o legítimo movimento deles era um “motim” e os ameaçou de demissão. Se não fosse isso, basta lembrar a aprovação do Plano de Cargos e Salários dos professores municipais em 2013, quando uma série de ataques aos professores foi aplicada por Eduardo Paes na prefeitura do Rio de Janeiro, e a prefeitura garantiu que as manifestações dos professores em greve fossem brutalmente reprimidas, em um estado de sítio que impedia o livre acesso à Câmara Municipal, com policiais infiltrados, bombas, balas de borracha, cassetetes, tudo contra os professores.

Este mesmo Eduardo Paes foi aquele que beneficiou inúmeras empreiteiras enquanto atacou trabalhadores, construindo obras que eram demolidas pela ação da natureza enquanto precarizava os serviços públicos e empurrava a população para os péssimos e caríssimos serviços oferecidos pela máfia dos transportes, dos ônibus, trens e barcas do Rio de Janeiro.

Os ataques que Bolsonaro quer impor, com um programa econômico ultra neoliberal de atacar com a previdência e privatizar tudo que puder, terá efeitos ainda mais duros no Rio de Janeiro em crise. A violência e repressão do Estado contra o povo pobre das favelas aumentará ainda mais.

Voto nulo é a forma dos trabalhadores e do povo carioca expressarem que vamos resistir aos ataques que virão

Como vimos, e teria mais exemplos, nem Witzel nem Paes podem ser qualquer alternativa. É um engano profundo pensar que Eduardo Paes pode ser qualquer tipo de "mal menor". Se esta é uma lógica já perigosa de pensar, que sempre adia a tarefa de batalhar por uma alternativa independente dos trabalhadores, quando ela se expressa em alguns setores progressistas com a ilusão de que Eduardo Paes possa ser um "mal menor", já ganha contornos mais graves. A tarefa dos trabalhadores e do povo nas eleições não é escolher seu próximo carrasco. Qualquer voto neles agora os fortalece para nos atacarem.

Vote nulo para expressar o mais amplamente possível o rechaço popular a esses carrascos e lutemos juntos por construir comitês de luta nos locais de trabalho e estudo para combater os governantes que virão nos atacar ainda mais, bem como para exigir que as centrais rompam sua paralisia e convoquem desde já um plano de luta, pois independente dos resultados eleitorais, estão preparando enormes ataques.




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