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CORONAVÍRUS

No RS, 12 dos 19 surtos por COVID-19 são em frigoríficos com 240 trabalhadores infectados

Enquanto o governador Eduardo Leite planeja flexibilizar o isolamento social para as empresas voltarem a funcionar e manter seus lucros. O número de surtos de Coronavírus no Estado saltou de 11 para 19 em menos de uma semana. A maioria sendo em frigoríficos onde os trabalhadores estão expostos ao vírus em locais de trabalho insalubres.

quinta-feira 7 de maio| Edição do dia

Saiu hoje (6), o boletim semanal epidemiológico sobre a COVID-19 no estado do RS em que os números apontam para o aumento de surtos da doença de 11 para 19 em apenas uma semana. Ao mesmo tempo Leite, Merchezan e inúmeras prefeituras no interior do RS se empenham em mascarar casos do novo coronavírus à fim de atender a vontade da burguesia, ávida por não perder um centavo sequer nessa crise, custe o que custar, inclusive centenas ou milhares de vida

Não é por acaso que as mortes por síndromes respiratórias aumentou 602% em comparação com o mesmo período do ano passado, saltando de 37 casos em 2019 para 260 casos em 2020. Enquanto isso os casos notificados como COVID-19 contabilizam 90 mortes até está quarta. As consequências dessa política irresponsável, em nome dos lucros dos empresários que se manifestaram bem protegidos dentro de seus carrões há semanas atrás, serão sentidas pelas classes mais baixas, trabalhadores que estão entre a cruz e a espada, entre o desemprego e o medo da contaminação.

Segundo o boletim divulgado nessa quarta-feira (6), a maior parte dos surtos relatados se concentram nos frigoríficos do norte do Estado. São 12 frigoríficos com surtos, mais de 240 trabalhadores com casos confirmados de COVID-19 em diferentes cidades, um dos quais levou à interdição da unidade da JBS na cidade de Passo Fundo. Consta também neste boletim surtos em casas geriátricas e na FASE (Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do RS).

Veja também: Trabalhadoras do Frigorífico Aurora em Erechim RS denunciam condições de trabalho insalubres

É um verdadeiro absurdo e está escancarado o quanto valem as vidas dos trabalhadores para Eduardo Leite e para Marchezan, prefeito de Porto Alegre que reabriu o comércio essa semana expondo milhares de pessoas, e o que é mais preocupante, sem testar a população. Tanto Leite como Marchezan atuam arduamente em nome do empresariado canalha e inconsequente.

Em nome das vidas da ampla maioria da população, a classe trabalhadora, é preciso que a auto organização fale mais alto. Os capitalistas não só querem manter seus lucros, mas querem que a gente morra para isso se for preciso. Contra esse estado de coisas é preciso que nós mesmos nos organizemos em cada local de trabalho, em especial os trabalhadores da saúde, mas os das indústrias que seguem produzindo também. Uma organização de base em cada local de trabalho pode exigir dos sindicatos que rompam com seu silêncio, que coloquem os sindicatos a serviço de organizar a classe trabalhadora.

Nós do Esquerda Diário seguimos nos colocando à disposição para o que for preciso, defendendo que todo serviço não essencial seja fechado nesse momento, que a população seja testada massivamente, que a renda básica seja de 2000 reais para cada trabalhador autônomo ou desempregado. Defendemos também a proibição das demissões e reduções salariais, a centralização de todos os leitos no SUS controlados pelos trabalhadores, a conversão da indústria para a produção de respiradores e de todo o material de proteção necessário. Somente os trabalhadores organizados podem dar uma resposta que não seja covas coletivas e containers frigoríficos para os explorados enquanto os exploradores mantém seus lucros. Somente os trabalhadores organizados podem mostrar que nossas vidas valem mais que os lucros deles.




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