Cultura

MUSEU NACIONAL

No RJ falta água para salvar o Museu Nacional, mas sobram armas para reprimir

No Rio de Janeiro os bombeiros chegaram quando o incêndio do Museu Nacional havia começado. Não tinha água nos hidrantes. Mas armas para reprimir os trabalhadores e a juventude negra e pobre não faltam.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

domingo 2 de setembro| Edição do dia

Imagem: Alexandre Brum / Agência O Dia

O incêndio do Museu Nacional entra para a história como um símbolo da barbárie capitalista, que tem assumido no país uma feição cada vez mais absurda. Agora uma das maiores referências em patrimônio histórico-cultural se esvai em chamas, graças à ganância, em primeiro lugar do governo golpista de Temer, que repassou apenas R$54 mil para o Museu Nacional em 2018, enquanto os juízes do STF ganham em apenas um mês R$ 37 mil. Os acordos firmados entre o governo golpista de Temer e o governo do estado de Fernando Pezão, responsável pela privatização da CEDAE, atrasos de salários do funcionalismo público, enquanto dá isenções fiscais a empresas como joalherias, também tiveram seu papel na destruição do Museu Nacional.

Já está sendo amplamente divulgado que no momento que os bombeiros chegaram houve falta de água nos hidrantes, o que fez com que o fogo fosse ainda mais difícil de ser controlado. E a resposta de Pezão é a entrega da CEDAE, companhia responsável pela água e esgoto no Rio de Janeiro, como contrapartida de um acordo firmado com o golpista Temer. Algo que deve precarizar esse serviço. A precariedade do Rio de Janeiro atingiu o ápice no incêndio do Museu Nacional, que não tinha alvará para funcionamento há 10 anos.

No entanto, falta água para apagar o incêndio, mas não faltam armas para assassinar o povo negro e os trabalhadores do Rio de Janeiro. Desde a intervenção federal os mortos pela ação da polícia aumentaram 35%, com 636 assassinados oficialmente desde que essa política assassina foi posta em prática. Essa é uma demonstração cabal do futuro que Temer, os governos do Rio de Janeiro, e os capitalistas à quem eles servem, desejam para os jovens. Deixam o patrimônio cultural queimar, e negam-lhe à juventude que possam usufruir, enquanto não faltam balas para matar jovens, como Marcos Vinícius de 14 anos que foi morto com a camiseta da escola. É preciso que as riquezas do Rio de Janeiro, como o pré-sal e a Petrobras sejam 100% estatais geridas pelos trabalhadores, e com controle popular. E que se exija o fim da intervenção federal, a não privatização da CEDAE, que deve ser controlada pelos trabalhadores, para acabar com a política de armas para matar a juventude negra e pobre, e garantir Cultura, Arte e Educação para a juventude.




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