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No Peru, milhares de trabalhadores que perderam tudo voltam para suas cidades natais

Após cinco semanas de quarentena, milhares de trabalhadores e suas famílias saem de Lima em direção a suas cidades de origem porque perderam o emprego e não têm mais recursos financeiros para bancar suas despesas e o aluguel das moradias em Lima.

sexta-feira 24 de abril| Edição do dia

Há uma semana, trabalhadores, estudantes, mulheres, crianças e idosos começaram a se concentrar na zona de trabalho central - na área de Huaycan e Chosica - para iniciar caminhadas de centenas de quilômetros que lhes permitiriam retornar às suas regiões, como Huancayo, Cerro de Pasco e outras regiões de serras, rurais.

O avanço foi interrompido pela polícia e pelos militares, que os aglomeraram sem tomar os menores cuidados para impedir a disseminação do coronavírus.

Diante desse cenário gerado por uma quarentena que não vem sendo acompanhada de medidas que garantam condições mínimas de biossegurança, nem testes massivos ou qualquer medida econômica e social para que os trabalhadores e trabalhadoras possam sustentar o confinamento social. A situação é crítica e golpeia fortemente o povo trabalhador.

O presidente Martín Vizcarra autorizou o retorno dessas pessoas para suas regiões e atribuiu a responsabilidade pela transferência aos governadores regionais, que deveriam coordenar tal retorno.

No entanto, uma semana se passou e vemos que a capacidade de resposta das autoridades regionais foi mínima. É por isso que são milhares aqueles que ainda não conseguem retornar aos seus locais de origem e ainda estão presos ou caminhando pela rodovia central, pela Rodovia Pan-Americana do Sul ou pela Pan-Americana do Norte.

Quando entrevistados pela mídia, os milhares de trabalhadores que viajam pelas estradas afirmaram que não têm outra alternativa, que estão cientes do perigo a que estão expostos, mas já não podem mais sobreviver em Lima.

Relatam que perderam o emprego, que foram despejados dos locais que alugaram e que as economias que tinham já se esgotaram e é por isso que, apesar das dificuldades, preferem retornar às suas cidades de origem, onde a incerteza é a única que os esperam.

Para se ter uma idéia de quantos trabalhadores e suas famílias buscam retornar aos seus locais de origem, precisamos apenas verificar o número de pessoas registradas na plataforma do governo regional de Arequipa. Ali se afirma que, até hoje, 4.800 estão esperando para serem transferidos para esta região, enquanto outros 10.000 estão presos nessa região e procuram sair para outras partes do país.

Somente na região de San Martín, existem mais de 500 pessoas acampadas na rodovia central, na altura de Chosica, que poderiam ser instaladas em clubes privados e centros de recreação nessa área. No entanto, o governo prefere que sejam expostos ao contágio, no ar livre, ao invés de declarar interesse público todos os centros recreativos e clubes privados de luxo que estão no caminho, ao centro, sul e norte do país.

Esses clubes poderiam estar a serviço de servir de alojamento aos e às viajantes desempregadas, enquanto transpassam para suas regiões natais.

Dentro dos protocolos estabelecidos para serem transferidos, eles indicam que devem passar por um teste rápido para detectar se são portadores do Covid-19 e, ao chegarem na cidade de origem, devem ficar em quarentena por 14 dias. Aqui estão dois problemas, por um lado, aqueles que conseguiram retornar nos primeiros ônibus ou voos humanitários foram levados para lugares que não atendem às condições mínimas de saúde para passar pela quarentena e, aqueles que permanecem em Lima não foram testados pelo ministério da saúde. Isso é muito sério, pois se há portadores nesse grupo, eles já estão infectando massivamente aqueles que os acompanham.

Assim como há milhares de trabalhadores e suas famílias, estudantes e idosos que estão caminhando para suas cidades de origem (ao interior do país), também é sabido que existem centenas de trabalhadores peruanos na região de Arica, no Chile, que estão esperando para retornar a Tacna, desde que se viram desempregados no país vizinho e estão acampados aos arredores do consulado peruano em Arica, há mais de um mês.

Os que hoje buscam retornar às suas regiões ou entrar no Peru através de Tacna são trabalhadoras dos setores populares, para os quais não existem apoios concretos. Elas fazem parte daqueles milhões de trabalhadores que estão na informalidade. Tais setores são os que mais fortemente pandemia golpeia.

Exigimos, portanto, que os testes sejam realizados o mais rápido possível e que sejam transferidos por ônibus e voos humanitários para suas regiões de origem e que aqueles que estão em Arica também sejam transportados para Tacna e cumpram suas quarentenas em hotéis equipados e com condições dignas.

Por isso é urgente que todos os centros recreativos, clubes privados e redes de hotéis sejam declarados de interesse público, para que sejam ocupados por aqueles que buscam ser transferidos para suas regiões de origem e também que se convertam em abrigos para os residentes que têm de cumprir sua quarentena.




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