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No México, nós também, trabalhadores de plataformas digitais, levantamos nossas vozes

Durante a pandemia que afeta todo o mundo, foi demonstrado que o trabalho de entregadores de plataformas como Uber, Rappi e Didi, entre outros, se torna de vital importância para alguns setores, para cumprir as medidas de isolamento social que foram impostas em grande parte do mundo.

sábado 30 de maio| Edição do dia

Esses empregos foram criados durante o surgimento das tecnologias digitais, avançando com a precarização do trabalho em todo o mundo, o que permite que essas empresas economizem milhões, não concedendo a seus trabalhadores direitos trabalhistas básicos, ao menos tempo em que operam nos territórios sem restrições fiscais.

Assim, essas multinacionais nos chamam de "colaboradores", mas nos acostumamos a viver com salários miseráveis ​​e dias árduos, por trás do discurso de que não somos obrigados a cumprir um dia específico, mas, os fatos implicam passar longos dias pedalando, caminhando ou ao volante, para levarmos comida para nossas casas.

Além dessa situação profundamente precária, há a grande perda de empregos causada pela crise econômica, que se acelerou durante a pandemia, onde a grande maioria dos desempregados é, justamente, composta por jovens. Em nosso país, estima-se que pelo menos 50% das demissões tenham ocorrido a pessoas entre 15 e 29 anos.

Diante dessa situação, essa forma de emprego se torna a única alternativa de trabalho para muitos jovens, que em meio à pandemia enfrentam não apenas a exposição que já era o fato de circular na cidade de bicicleta ou de moto, mas agora corremos o risco infectar a nós e a nossas famílias, sem qualquer tipo de seguro de saúde da empresa ou do Estado.

Esta situação se torna ainda mais preocupante para muitos de nós que, em meio à suspensão de atividades e às demissões de nossos parentes, nos tornamos o apoio econômico de nossa casa.

“Enquanto isso, às nossas custas, essas empresas têm lucros de um milhão de dólares. O resultado da pandemia e das condições precárias mostram a verdadeira face do capitalismo que, para multiplicar seus lucros, pouco ou nada lhe interessa se morrermos sob as rodas de um motorista, ou infectados.”

Eles apenas não nos forneceram os meios necessários de proteção, mas, empresas como a Rappi cinicamente dão luvas e máscaras aos seus clientes, enquanto somos forçados a ir a shopping centers lotados, sem que nos forneçam proteção.

Por esse motivo, como já foi expresso em outros países, a única saída dos trabalhadores precarizados, a quem essa dura realidade nos é revelada dia após dia, é a organização. Na Argentina, os trabalhadores criaram a La RED, uma rede que agrupa trabalhadores de entrega, de call centers e de fast food, entre outros.

No Chile, os funcionários do McDonald’s, do Burger King e do Starbucks criaram um sindicato único, que agora denuncia as fontes de contágio que seus locais de trabalho se tornaram. Na Espanha, os trabalhadores da Telepizza, uma cadeia de fast food muito importante, começaram a se organizar antes da pandemia, fazendo uma greve com 70% de participação de seus trabalhadores.

O dia de hoje é muito importante, porque nos permite ter uma aliança com outros setores explorados e precarizados. No Izquierda Diario, uma rede de jornais que deu voz a esses conflitos em seus 14 países e em oito idiomas, consideramos que é essencial gerar um movimento contra a precarização que reúne trabalhadores de call centers, de fast food, de aplicativos etc. em nosso país.

Conheça-nos e relate aqui sua situação de trabalho de forma anônima.




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