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No Dia Internacional da Enfermagem, atos por todo o Brasil denunciam mortes e exigem EPI’s

No Brasil, país líder de mortes de trabalhadores da saúde ultrapassando o número da Espanha e Itália juntas, nesse quesito; hoje, no Dia Internacional da Enfermagem, vimos, em diversos estados, manifestações desses trabalhadores. Já são 98 mortos, fora a enorme subnotificação.

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

Enquanto Bolsonaro debocha das mortes e anda de Jet Ski e sua horda reacionária agridem enfermeiros, esses profissionais, em sua maioria mulheres que estão na linha de frente de salvar vidas e da contenção da pandemia, pediam o básico: testes, liberação do grupo de risco e mais equipamentos de proteção individual (EPI’s). Sobre esse último, a situação é escandalosa. Muitos profissionais precisam improvisar equipamentos, utilizando sacos plásticos ou usando máscaras de péssima qualidade por 12 horas, quando o recomendo são 2 horas.

A situação de extrema precarização do trabalho e absurda e desnecessária exposição à doença se repete em todo canto do país. No Rio de Janeiro, só no Hospital Universitário Antonio Pedro, em Niterói, foram 3 mortes companheiras do hospital pela doença ou melhor, pela falta de EPI’s.

Os servidores do hospital, hoje, no Dia Internacional da Enfermagem, fizeram um ato em luto pela vida dessas companheiras e por mais condições de segurança de trabalho para enfrentar a pandemia. Enquanto isso, Witzel se aproveita da pandemia para avisar que não pagará os servidores do segundo semestre

Em Cuiabá, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o estado tem 17 trabalhadores de enfermagem testados positivos para Covid-19. Dados do Cofen também apontam que mais de 3,8 mil profissionais de enfermaria estão infectados pelo vírus e outros 9,5 mil casos são investigados. Hoje, os profissionais homenagearam os já 98 mortos e pediram por mais testes, porque não há nem para os próprios funcionários dos hospitais.

Em Belém, trabalhadores da saúde do Hospital Universitário Barros Barreto exigiram condições de trabalho dignas para o combate à pandemia. Faixas defendiam o direito à consulta e à internação dos servidores.

Um boneco de Bolsonaro com as mãos sujas de sangue e o bolso cheio de dinheiro, foi inflado em protesto contra o presidente e seus defensores, em Brasília, no DF.

"Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue"
A frase de Bertold Bretch, estampada na faixa, parece mais atual do que nunca.

No HU da USP, trabalhadores realizaram mais um ato homenagem aos mortos pela Covid-19, com balões pretos e brancos e um minuto de silêncio. Já é a terceira ação do hospital, organizados pelo Conselho Diretor de Base do Sindicato dos Trabalhadores da USP que votou uma medida exemplar de conformação de um Comitê dos Trabalhadores do Hospital com representantes eleitos para organizar a defesa dos trabalhadores e as condições de saúde, como a distribuição de máscaras.

Enquanto o governo federal liberou 1,2 trilhões de reais para bancos e grandes empresários, nos hospitais, os trabalhadores seguem sofrendo com a PEC do Teto de Gastos da saúde e da educação, sendo superexplorados e tendo jornadas de trabalho imensas pra enfrentar a crise. É necessária a contratação imediata mais profissionais da profissionais da saúde, junto à estatização de hospitais privados em um sistema único de saúde comandado pelos próprios trabalhadores, pois são os que conhecem as reais demandas.

A bandeira de luta por um sistema de saúde único estatal e controlado pelos trabalhadores deveria ser levantada pelo conjunto da esquerda e dos sindicatos, mostrando que ao mesmo tempo em que batalhamos por álcool em gel, máscaras, EPI´s, contratação e liberação do grupo de risco com remuneração de todos trabalhadores dos serviços não essenciais.

Além de toda a precarização da saúde que vem de vários anos e governos, vários setores não-essenciais são obrigados a seguir trabalhando, e para os setores essenciais, muitos não são garantidas nem as mais elementares condições de trabalho e segurança; ao mesmo tempo as demissões e “contratos suspensos”, permitidos com a MP 936 aprovada por Bolsonaro, não param de aumentar na indústria e nos serviços.

Defendemos a auto-organização dos trabalhadores e o controle operário dos serviços, pois esse sistema de patrões jamais servirá a quem realmente necessita, mas seguirá priorizando a economia, defendendo os bancos e empresários. Seguirá pagando os trilhões no roubo da dívida pública que poderia estar a serviço de acabar com a pandemia.

É extremamente necessário levantar Fora Bolsonaro e Mourão também apresentar uma bandeira democrática elementar que questione não apenas esse governo, mas também esse regime. É o povo que deve decidir: por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.




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