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AUTORITARISMO MACHISTA | No Brasil de Bolsonaro, judiciário machista nega aborto legal à criança vítima de estupro

“Você suportaria ficar mais um pouquinho?” diz a juíza Joana RIbeiro Zimmer a uma criança de 11 anos, vítima de estupro, persuadindo-a a não interromper a gravidez e impedindo-a de abortar, mesmo que nesse caso o aborto esteja previsto em lei. Joana praticamente insiste com chantagem psicológica e palavras que aterrorizam a criança para que ela concorde em não abortar e esperar mais “uma ou duas semanas” para retirar o feto com vida, o que a criança responde assustada e monossilabicamente

Gabriela MuellerEstudante de Psicologia UFRGS

terça-feira 21 de junho | Edição do dia

Foto: Solon Soares/Agência ALESC

Depois da mãe descobrir a gravidez, por conta dos enjôos repentinos e do crescimento da região abdominal da filha, ela logo procurou o Hospital Universitário da UFSC para abortar, que negou o procedimento para a menina, porque a gravidez que ultrapassava as 20 semanas. Recorrendo à justiça, tudo piorou. A juíza também negou o direito à criança e a mãe e concedeu um abrigo para que a criança não fizesse o aborto, dizendo que “O risco é que a mãe efetue algum procedimento para operar a morte do bebê”, ou seja, para ela, a vida de uma criança vítima de estupros não vale nada.

O absurdo é tamanho, que a asquerosa juíza tenta induzir a menina a desistir de querer abortar, chamando o feto de “nenezinho” e dizendo que se ela fizesse o aborto o “bebezinho” iria nascer chorando e elas teriam que vê-lo “agonizar até a morte”. É inaceitável tamanho abuso de uma juíza conservadora que, além de privar uma criança vítima de violência sexual do direito garantido por lei de abortar, violenta-a psicologicamente É extremamente nojento que essa juíza, alinhada com a corja machista e conservadora de Bolsonaro e Damares, impeça uma criança de abortar, o que prova que o judiciário está à serviço dos interesses das classes dominantes. A vida de uma menina, filha da classe trabalhadora, nada vale segundo a lógica dos que nos dominam.

Esse judiciário faz coro agora com Bolsonaro, Damares, essa que já quis impedir uma menina, de também 11 anos e vítima de estupro, de abortar, são os representantes dessa direita nojenta que quer que as mulheres e meninas morram vítimas de estupros clandestinos ou sejam obrigadas a gerar um filho mesmo que isso coloque a sua saúde em sério risco. Essa direita e o judiciário humilham essas vítimas, assim como fizeram com Mari Ferrer, provando que veem nas mulheres trabalhadoras e meninas, meras reprodutoras de mão de obra barata. Esse judiciário, mais uma vez, mostra sua face autoritária e machista mais nojenta quando, mesmo num caso previsto em lei como este, simplesmente priva arbitrariamente, conforme sua própria vontade, uma criança de seguir um procedimento para salvaguardar sua vida.

É necessário tomar as ruas contra essa atrocidade e exigir a cassação da licença de Joana Ribeiro Zimmer, lutando contra essa direita, mas sem confiança nas instituições desse regime, nesse congresso e judiciário reacionários que se alinham com Bolsonaro para nos atacar. Também, não podemos confiar que a chapa Lula-Alckmin irá avançar nessa pauta, quando o PT já provou nos seus 13 anos no poder que prefere abrir caminho à bancada evangélica do que garantir esse direito às mulheres. É com a força da organização das mulheres e trabalhadores que se conquista esse direito, como fizeram nossas irmãs argentinas que conquistaram o direito ao aborto, como fizeram as colombianas, que conquistaram a descriminalização e como fazem hoje as mulheres nos Estados Unidos, que lutam contra o retrocesso nos seus direitos reprodutivos. É necessário lutar para arrancar o direito ao aborto legal, seguro e grauito, por uma sociedade que as meninas e mulheres tenham direito de disfrutar de uma vida livre de opressão e exploração.




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