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ELEIÇÕES NIGÉRIA

Nigéria: processo conturbado no fim das eleições

A Nigéria está passando por um processo eleitoral, onde o foco principal da mídia internacional é a disputa presidencial, que está bem acirrada.

quarta-feira 1º de abril de 2015| Edição do dia

Essa disputa se dá entre o atual presidente Goodluck Jonathan e o ex-governante militar Muhammadu Buhari. Ambos os concorrentes já governaram o país, Jonathan governa desde 1999, após o fim do governo militar de Buhari, que durou quase dois anos pós golpe no final de 1983.

A mais importante economia regional, é atualmente o maior produtor de petróleo da África e o oitavo maior exportador do mundo. Mesmo com toda essa riqueza, o que vemos no país mais populoso do continente (170 milhões) é a maior parte da população vivendo uma grande pobreza com índices assustadores, como a taxa de desemprego, que é de 24%, e 68% da população abaixo da linha de pobreza.

O petróleo se tornou um problema para grande parte do povo nigeriano com o aumento da população. “A área do Delta do Níger é um paraíso para multinacionais como a Shell, Chevron, Texaco, Exxon Mobil e outros”.

O país também é conhecido internacionalmente pelo grupo fundamentalista islâmico Boko Haram que usa do terror para impor a “lei islâmica” a toda população. O grupo entrou para as manchetes dos jornais nesses últimos tempos por sequestrar meninas e mulheres nigerianas. Em 2014, 200 meninas nigerianas, e esse ano 500 mulheres, foram forçadas a se converter ao islamismo, estupradas, torturadas e obrigadas ao trabalho escravo.

O grupo fundado em 2002 atua no norte do país onde a maioria é mulçumana. Aparece como resultados dos ataques imperialistas a um povo que vive na linha da miséria. Apoia-se no desamparo da população na falta de políticas públicas e na extrema pobreza, assim como na corrupção do e na crise social, apontando o ocidente como origem desses problemas e a religião como saída. Tem sido apoiado por grupos ligados a Al Qaeda e tem fortes relações com os governos locais.

Se, por um lado, esse setor tem aumentado seus métodos reacionários intensificando ataques e etc, por outro, o governo do país também cometeu um grande número de assassinatos em nome da guerra contra o terror . Milhares de pessoas foram mostras em confronto entre governo e esse grupo.

Durante o processo houve atentados em dois centros de votação. Uma invasão hacker ao site da Comissão Eleitoral Independente da Nigéria (INEC) feita pelo grupo “Ciberexército nigeriano”.

Apesar dos problemas, as contagens de votos já começaram, pelas ultimas notícias Muhamadu Buhar ultrapassou o atual presidente Jonathan ainda com proporções bem acirradas. Até a ultima divulgação de ontem à noite, a apuração tinha sido concluída em 18 estados.

Mas quem vai ganhar com essas eleições?

Quem mais ganha com esse processo eleitoral é o Imperialismo, que tem acompanhado de perto. Nessa semana, EUA e Inglaterra já apontaram preocupações com a possível fraude no processo eleitoral. Como o país é um grande exportador de petróleo, os grandes imperialistas, inclusive os que já têm suas multinacionais alojadas no país, estão de olho no processo para garantir que seus investimentos sigam lucrativos.

Independente de quem seja o próximo líder uma coisa já está garantida: o que vai continuar reinando no país é o interesse dos capitalistas. A mesma sede de lucro que leva o capitalismo a deixar na dura pobreza no mundo inteiro, que sustenta o racismo com base ideológica para que possa se oprimir e explorar ainda mais os negros, mulheres e LGBTs, é quem ganha nessa disputa.

Para o capitalismo é preciso controlar o povo que sofre com a desigualdade econômica e social para melhor explorar e, para que isso seja possível, os patrões apoiam quem for necessário, apesar de um controle “democrático” ser sempre mais fácil por sua aparência, nem sempre é possível para manter o controle. Seja quem for o vencedor dessa disputa o povo negro continuará sendo oprimido pelas mãos do Estado, balcão de negócio dos patrões e pelo fundamentalismo religioso.

A única forma de se livrar dessa mazela é organizar os trabalhadores, desempregados e todos os oprimidos para enfrentar as mazelas da população e sua exploração. Essa organização precisa ser independente do governo, dos patrões e do fundamentalismo religioso.

Ambos os candidatos a presidência, negros, mostram o limite da análise da realidade somente a partir da lógica racial. Não interessados na emancipação dos negros, reproduzem a lógica de opressão e exploração capitalista, trabalham lado a lado com o imperialismo branco que é responsável hoje pelo papel que ainda cumprimos nessa sociedade.

Se não olharmos a partir de uma perspectiva de classe, confundiremos nosso inimigo. Seja Obama ou qualquer outro negro que oprima e explore ou que use sua atuação no Estado burguês para cooperar com a burguesia, que é racista e não está do nosso lado, é nosso inimigo de classe mesmo possuindo a mesma cor. O fim do racismo e da exploração brutal dos negros se dará por cima dos interesses desses setores, a partir da luta organizada pelos que são oprimidos e explorados. É preciso entender que só a unidade dos trabalhadores nigerianos e o povo oprimido pode garantir os direitos básicos nesse país como moradia, educação, liberdade religiosa e os direitos democráticos para as mulheres.




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