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Nicarágua: Repressões recentes deixam 14 mortos e Ortega descarta adianta eleições

Depois da manifestação massiva “Somos um vulcão” em 7 de julho, forças anti-motim e paramilitares atacaram as cidades de Diriamba e Jinotepe, deixando ao menos 14 mortos, segundo um grupo de defesa dos direitos humanos.

quarta-feira 11 de julho| Edição do dia

Passados 83 dias desde o início dos protestos, o povo nicaraguense vive a brutal repressão do governo de Daniel Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo. Os meios de comunicação da Nicarágua informaram que a cidade de Diriamba permanece sitiada depois de um dia de repressão com o objetivo de remover os bloqueios e barricadas erguidos no local.

Isso aconteceu horas depois que Daniel Ortega fez uma breve declaração durante uma manifestação favorável a seu governo, onde motociclistas gritavam “o comandante fica”. Segundo os meios locais, foi então que forças policiais e paramilitares favoráveis ao governo Ortega antraram armados a bordo de caminhonetes Hilux para atacar três municípios do departamento de Carazo: Diriamba, Jinotepe e Dolores.

Segundo um informe preliminar, divulgado na noite de domingo por Álvaro Leiva, da Associação Nicaraguense Pró Direitos Humanos (ANPDH), nove pessoas haviam falecido e mais de duzentas foram sequestradas de maneira seletiva.

Por redes sociais, sabe-se também que os paramilitares tomaram dois hospitais (em Jinotepe e o privado Harmim), com o objetivo de evitar o atendimento aos cidadãos que ficaram feridos, explicou o defensor dos direitos humanos.Até o momento, as ruas de Diriamba encontram-se fortemente vigiadas por paramilitares, enquanto a Polícia Nacional desmontou todas as barricadas desse departamento.

Ortega nega-se a deixar o governo, apesar da estagnação do “Diálogo Nacional”

Daniel Ortega descartou durante suas últimas declarações qualquer possibilidade de adiantar as eleições presidenciais, como propuseram os bispos da Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN), o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, o setor empresarial da Nicarágua e até mesmo seu irmão, o general aposentado Humberto Ortega, como parte de uma saída negociada para resolver a seu favor a crise que chicoteia o país a mais de dois meses.

Sem se importar com o número de mortos que a repressão que encabeça deixou, Ortega insistiu em acusar de “golpistas” a quem o quer fora do poder e disse que “haverá tempo para as eleições, tudo tem seu tempo”, durante o ato central da marcha de seus apoiadores realizada no sábado passado na avenida Bolívar de Manágua.

Essa decisão de Ortega só garante que continue a repressão contra a população que pede como consigna central a sua renúncia.

Além disso, o mandatário responsabilizou a quem levantou as barreiras e piquetes pelos assassinatos. Segundo ele, é gente paga “que em sua ignorância destroem os caminhos” e “cometem crimes de ódio”. As declarações de Ortega soam ridículas quando sabemos que a população vem documentando por quase dois meses as operações paramilitares que ele coordena com total impunidade.

Recentemente, Ortega dirigiu suas críticas também para os bispos da Conferência Episcopal, que surgem como mediadores e testemunhas do chamado “Diálogo Nacional” entre o governo e alguns grupos da sociedade civil aglutinados na Aliança Cívica pela Justiça e Democracia, diálogo que se encontra estagnado diante da recusa de Ortega de parar a repressão.

Diante desse panorama é fundamental estender a mobilização das ruas encabeçada e dirigida por milhares de trabalhadores da Nicarágua. Os trabalhadores do campo e da cidade são o único setor que, com independência política e sem cair na armadilha que propõe a Aliança Cívica e a patronal representada no Conselho Superior da Empresa Privada (COSEP), podem ganhar nas ruas e dar uma verdadeira saída para conquistar o conjunto das demandas dos camponeses, das mulheres, da juventude e do povo pobre nicaraguense, que vem resistindo de maneira valente diante de todos os desmandos do Orteguismo

Tradução: Pedro Rebucci de Melo




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