Sociedade

GUERRA ÀS DROGAS

Neurocientista norte-americano afirma que o problema das drogas é a mídia e os poderosos

A afirmação do neurocientista é bastante contundente. Pois na sociedade do espetáculo vale reduzir o problema das drogas às figuras dos traficantes, como se não houvesse interesses dos poderosos e da própria mídia em lucrar perpetuando essa imagem.

quinta-feira 21 de setembro| Edição do dia

Pela sexta vez, o professor da Universidade de Columbia veio ao Brasil, e desta vez se encontrou com jovens de periferia e favela do grupo “Movimentos”. Segundo esse grupo, é necessário que se ouça a comunidade das periferias e favelas na implementação de políticas públicas na questão da guerra às drogas.

Em seu livro, “Um preço muito alto”, Hart conta sua história em uma bairro violento de Miami; segundo ele, há similaridades entre como se deu a história da guerra às drogas nos EUA e como está acontecendo no Brasil. É fato que a mídia lucra com programas sensacionalistas que mostram a polícia em perseguições atrás de traficantes, mas isso é assim no Brasil e nos EUA. Aliás o formato dos nossos jornais e assuntos se não iguais, são muito parecidos com os programas sensacionalistas dos EUA.

“Uma das coisas que me perturbam quando venho ao Brasil: Eu odeio ouvir as pessoas falando sobre os traficantes. O tipo de linguagem coloca a culpa no lugar errado. As pessoas que estão lucrando com o tráfico de drogas no Brasil são os poderosos, políticos, autoridades. Mas na mídia e na TV o que se mostra é que a juventude negra é o problema das drogas. Fizemos isso nos EUA 30 anos atrás e percebemos que é uma cilada, um truque. Mas era tarde demais, porque todos os meninos e homens negros dos EUA já estão na prisão. E vejo que o mesmo pode vir a acontecer ou já está acontecendo aqui no Brasil”, compara.

Além do papel da mídia em colocar um problema de saúde como se fosse caso de polícia, há também o papel dos políticos e poderosos. Os políticos não têm nenhum interesse real em combater o problema de saúde pública que é o uso de drogas e os poderosos lucram com o tráfico, além, é claro, de com tudo isso manter a cultura de criminalização dos negros.

Um vídeo feito a partir do encontro de Hart com esses jovens trouxe alguns dados, dentre eles: Em um ano houve 234 tiroteios no Complexo do Alemão no Rio de janeiro; segundo dados oficiais 37 pessoas morreram e 87 ficaram feridas; 77% das mortes aconteceram quando houve intervenção policial; 67,5% dos que morrem por armas letais são negros e pardos (ou seja, indígenas).

Não podemos mais permitir o show de horrores que é a polícia agindo na dita guerra às drogas. Primeiro que não se trata um problema de saúde com o termo guerra. As favelas, periferias e os grandes centros em que se aglomeram os usuários precisam de políticas públicas de reabilitação dignos e todas as drogas precisam ser legalizadas para que o tratamento possa ser acompanhado e para que os mercados formal e informal parem de lucrar sobre o sangue das mortes que essa guerra traz.




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