Cultura

LITERATURA

Nesse conto eu sou a personagem

Nona parte da série de textos de Marcelo Magralhães.

sexta-feira 14 de outubro| Edição do dia

Ela corria. Corria, corria, brigava com a bolsa para que ela continuasse em seu ombro, virou a esquina, já começava a ficar ofegante. Corria, corria, parou, olhou. Respirou, andou devagar até o ponto de ônibus, procurou os fones de ouvido. Subiu no ônibus como se ele fosse seu cúmplice, sentou na última cadeira. Ela o viu no momento que ele entrou, ele, magro, cabelos. Ela desce. Ela um café, acende um cigarro e logo depois deu uma risada, as historias de amores já haviam a corrompido.

Rápido e estrondoso.“

Ele se sentou. Ele que agora terminava seu café, acendia um cigarro. Ele tragou, ele abriu, ele olhava pra ele com cuidado, para que ele não notasse, soltou a fumaça, apenas abriu a boca, e soltou levemente a fumaça pra fora. Filme assistido. Ele sentiu que estava sendo, sua perna direita começou a sacudir sozinha, ele mexeu no cabelo, olhou para os lados, não viu ninguém, olhou para dentro, seus olhos encontraram os deles, ele sentiu como se uma onda batesse nas pedras, foi algo tão rápido e estrondoso. Ele rapidamente. Ele desviou o olhar pra rua, sentiu dentro de si. o medo olhou. ele estava mesmo olhando para ele, e cogitou por alguns instantes que deveria respirar fundo, ele olhou com cautela para onde ele estava e não o viu, poderia ser ele, será que ele estava mesmo olhando para ele, ele olhou em direção do nada. Com essa duvida na cabeça, coçou a nuca.

Eu fumo como se amasse alguém.

A ansiedade acha meu endereço com muita facilidade, já pensei em mudar de casa três vezes, já pensei em muitas coisas, já fiquei ansioso por pensar. Ansiedade me tomou o copo de água, mexeu nos meus arquivos, mexeu nas mensagens. Agora, agora chegou àquela mensagem? Mas agora estou conversando com ela. Pergunto por que ela me procura? Qual sua necessidade? A ansiedade pega sua bolsa, abre, revira, me vira, me abre, me morde os lábios e não me deixa na mão.




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