Gênero e sexualidade

8 DE MARÇO

Nesse 8M as mulheres se enfrentarão com a opressão, o ataque à previdência e aos direitos democráticos

quarta-feira 14 de fevereiro| Edição do dia

O reconhecido dia de luta das mulheres, o oito de março, nesse ano será marcado no Brasil pela tentativa do governo Temer aprovar a reforma da previdência e pela retirada dos direitos democráticos da população por via do judiciário. Internacionalmente está sendo chamada uma greve de mulheres. Aqui no Brasil nós do Pão e Rosas exigimos das centrais sindicais que construam essa greve internacional pelos direitos das mulheres, contra a reforma da previdência e pelo direito da população decidir em quem votar.

A luta pela libertação feminina de todas as amarras da igreja, família, padrões e exploração pode desatar uma força imparável. Quando aqueles que não guardam nenhum interesse em manter o sistema capitalista começam a se levantar, podemos ter algo novo. Da participação protagonista das mulheres trabalhadoras na greve geral do 28 de abril de 2017, até as fortes mobilizações das trabalhadoras pelo "Ni Una Menos" na Argentina e a triunfante greve das trabalhadoras da limpeza das ferrovias francesas: estes fenômenos ratificam a sentença de Trótski de que as mulheres "devem ser a força moral que arrasará o conservadorismo" na sociedade capitalista.

Para isso, é preciso que nós mulheres nos organizemos para construir uma alternativa anticapitalista e socialista dos trabalhadores, junto a nossos companheiros homens. O oito de março retoma a história de luta das mulheres, este ano, assim como em 2017 a International Women’s Strike (Paralisação Internacional de Mulheres) fez um chamado para colocar de pé um feminismo anticapitalista, antirracista e anti-imperialista e paralisar no 8 de março, chamando uma greve internacional de mulheres.

Neste movimento queremos batalhar por uma ala abertamente revolucionária e socialista, que luta para destruir esta sociedade capitalista e abrir espaço a uma sociedade – a nível mundial – sem Estado, sem antagonismos de classe, sem exploração nem opressão; uma sociedade comunista. No Brasil isso significa enfrentar o golpe institucional lutando pra construir uma alternativa que supere o PT pela esquerda.

O grupo de mulheres Pão e Rosas está chamando a construção dessa paralisação internacional para que a força das mulheres se expresse junto aos trabalhadores e à juventude, para golpear a opressão junto a esse sistema que a sustenta. Falar em greve de mulheres, para nós, significa recuperar a tradição de luta expressa há 100 anos nas fabricas têxteis da Rússia, onde as mulheres foram a faísca para iniciar a Revolução Russa, a maior revolução da história da humanidade.

A construção dessa paralisação no Brasil deve expressar a luta das mulheres pela legalização do aborto, pela igualdade salarial e contra todo tipo de assédio e violência, mas também deve somar forças ao combate aos ataques que os trabalhadores vêm sofrendo, lutando para revogar a reforma trabalhista e impedir a implementação da reforma da previdência. E combater o autoritarismo judiciário, que como continuidade do golpe agora busca influenciar nas eleições impedindo o direito as pessoas votarem em quem quiserem. Ferindo um direito democrático elementar.

Frente a esses ataques, vemos as centrais sindicais como CUT e CTB passivas, dando tempo aos parlamentares e ao judiciário para organizarem seus ataques, por isso exigimos que as centrais organizem verdadeiros planos de luta, que saiam da passividade e impeçam o avanço dos ataques. Nós mulheres queremos lutar já contra as reformas reacionárias de Temer e o autoritarismo judiciário! Esse oito de março deve ser parte dessa luta política, e não só mais um dia rotineiro para marcar o calendário, como as correntes petistas querem.

Lutamos contra o judiciário e pelo direito das pessoas poderem votar em quem quiserem com os métodos da luta de classes, e não com os jogos parlamentares do petismo, que inclusive quer fazer um oito de março rotineiro – parte de sua "confiança na Justiça", alimentando a conciliação com o regime golpista – desligado do chamado à paralisação internacional.

Cada mulher sabe o peso que é ter que trabalhar e sustentar suas famílias, conviver com as duplas e triplas jornadas de trabalho, e ainda ganhar menos que os homens. No Brasil é ainda mais escandalosa a situação das mulheres negras, que ganham até 60% a menos que os homens brancos e são aquelas que estão nos postos de trabalho terceirizados e precários.

Com a reforma trabalhista essa situação deve piorar, assim como com a reforma da previdência. Enquanto o governo quer que morramos de trabalhar para eles, os juízes e patrões vivam de luxos e privilégios, ainda se pautam em uma moral conservadora para tentar aprovar medidas que atacam diretamente a vida, a sexualidade e o direito ao corpo das mulheres, como a proibição do aborto, e projetos como Escola sem Partido que impedem que se ensine educação sexual nas escolas.

Por isso chamamos todas as mulheres e jovens a compor o bloco do Pão e Rosas, para transformar esse dia numa grande demonstração de forças contra os ataques e o capitalismo, fazer de novo a terra tremer com mulheres anticapitalistas e revolucionárias.




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