ELEIÇÕES UNICAMP

Nessas eleições do CONSU controladas pela reitoria, é preciso fortalecer nossas entidades contra Bolsonaro, os golpistas e suas reformas

Controladas pela reitoria da Unicamp, nesta semana ocorrem as eleições para representação discente no Conselho Universitário e na Comissão Central de Graduação. Nós da juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas rechaçamos esse método antidemocrático nas eleições e queremos debater com cada estudante que irá se deparar com essa estrutura de poder antidemocrática como enfrentar Bolsonaro, a extrema direita, os golpistas e suas reformas, em um momento em que mais de 20 cursos da Unicamp estão paralisados.

quinta-feira 25 de outubro| Edição do dia

Neste ano, em meio a eleições nacionais marcadas pela manipulação do Judiciário golpista, que com isso fortalece a extrema direita de Bolsonaro, é ainda mais necessário que o movimento estudantil se prepare desde já para se enfrentar com um projeto de reformas, desmonte e privatizações que colocam em xeque as universidades públicas, como expressou recentemente a campanha do PSL pelo pagamento de mensalidade nas universidades federais, e querem esmagar a classe trabalhadora e a juventude.

Desde o ano passado, as eleições para representação discente no antidemocrático Conselho Universitário da Unicamp (CONSU) passaram a ser controladas pela reitoria, sendo até então organizadas pelo DCE como uma conquista das lutas do movimento estudantil. Essa medida proposta pelos conselheiros do grupo Apenas Alunos foi imposta por Knobel em 2017 fere a autonomia dos estudantes de decidir sobre sua própria representação. Tem como objetivo tornar o CONSU, responsável pelas principais decisões na universidade, ainda mais autoritário, dificultando inclusive que os estudantes saibam da votação ao torná-la eletrônica (online).

A perda de controle das eleições para representação discente na Unicamp se deu em um contexto no qual a reitoria se vale de artigos de um Estatuto herdeiro da ditadura militar para punir estudantes que lutaram na greve de 2016 e no qual instâncias do Judiciário avançam contra a universidade, processando a aula sobre o golpe ministrada no IFCH e ameaçando multar as festas no campus. Também foi a reitoria Knobel que, junto ao PSDB de Alckmin e Dória e ao PSB de Márcio França, cortou os salários dos trabalhadores em greve neste ano

Não será com “bons argumentos” em um Conselho que expressa a completa inversão da realidade na estrutura de poder da universidade, sendo composto em sua grande maioria por professores (70%) e em minoria por estudantes (15%) e trabalhadores (15%), quando na prática estes últimos são maioria, que derrotaremos os planos dos que querem acabar com a universidade pública e ser a continuidade violenta de Temer no país.

Nesse contexto, nós da juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas da Unicamp defendemos que a participação do movimento estudantil nas instâncias antidemocráticas do CONSU deve estar a serviço de preparar a luta dos estudantes, em aliança com os trabalhadores, contra a reitoria e os ataques dos governos, fortalecendo as assembleias e entidades de base e denunciando sua estrutura de poder autoritária. Toda representação discente deve querer ser uma voz da organização independente dos estudantes no próximo período por uma universidade a serviço dos trabalhadores e da maioria da população e para enfrentar Bolsonaro, os golpistas e seus ataques

Para além de candidaturas individuais, participam do atual processo eleitoral para o CONSU duas chapas: Apenas Alunos e Lula Livre. A primeira, que também é parte da gestão do DCE atual junto à UJS (juventude do PCdoB), votou favoravelmente à passagem das eleições para representação discente às mãos da reitoria e se orgulha disso em seu programa, desvinculando-se das entidades estudantis. Na gestão do DCE, é responsável pela proposta de financiamento da entidade pelo Clube DCE, através de descontos em empresas até mesmo como McDonald’s e imobiliárias. Também foram responsáveis pela vinda de João Amoêdo (Novo) à Unicamp para debater “saídas à crise”, um candidato que defende o pagamento de mensalidades nas universidades públicas, além da tentativa de organizar um debate com o empresário Flávio Rocha, dono da Riachuelo, acusado de trabalho análogo a escravidão. É mais do que evidente que a independência política e financeira dos estudantes foi diversas vezes rifada por esse grupo.

Isso porque, enquanto concepção, o Apenas Alunos organizou-se como grupo para responder à mobilização estudantil da greve de 2016, dizendo-se partidário da “pluralidade de ideias”, com membros até mesmo do golpista MBL. Em sua carta-programa para as eleições do CONSU deste ano, não se encontra nem mesmo menção ao candidato do PSL. Assim, neste momento, essa suposta “pluralidade de ideias” abre espaço a essa extrema direita misógina, LGBTfóbica e racista, que proclama que acabará com qualquer ativismo no país e reivindica a mais reacionária ideologia contra a juventude e a esquerda para aplicar seu programa escravista.

O Apenas Alunos é aliado da política da reitoria e da burocracia acadêmica, composta por uma casta privilegiada que, junto aos governos estaduais, é correia de transmissão das políticas de cortes, de congelamento das contratações e ataques aos trabalhadores e estudantes, como faz com os salários dos trabalhadores e aumentando o valor do restaurante universitário. Não à toa, um dos pontos do programa do Apenas Alunos para a universidade contém o monitoramento do desempenho acadêmico dos bolsistas SAE, de cunho completamente meritocrático em uma universidade elitista, marcada pelo filtro social de um dos vestibulares mais concorridos do país e onde os estudantes pobres são obrigados a trabalhar para permanecer. Ainda mais no ano em que se efetivará a política de cotas arrancada na greve, esse tipo de proposta assume caráter racista.

Por sua vez, a chapa Lula Livre, impulsionada por membros da juventude do PT, embora denuncie o golpe institucional e a prisão arbitrária de Lula, também não menciona Bolsonaro, partindo de reivindicar o programa de Fernando Haddad para a educação. Nós da juventude Faísca acompanhamos cada jovem e trabalhador que, neste domingo, deseja expressar seu rechaço a Bolsonaro nas urnas, por isso votaremos criticamente em Haddad. Mas não damos nenhum apoio político a sua estratégia meramente eleitoral e a seu programa de conciliação de classes. Este, por sua vez, foi responsável por transferências bilionárias a gigantescos monopólios privados de educação, como a Króton-Anhanguera, que ameaçam agora uma imensa parcela da juventude com os cortes do FIES e PROUNI, e significam o avanço desses setores contra o direito à universidade pública. Haddad também foi um dos sócios-fundadores do "Todos pela educação", base para a então Reforma do Ensino Médio. Ao governar com a direita e não atacar os pilares da submissão imperialista no país, fortalecendo o Judiciário e aplicando ajustes, o PT desmoralizou os trabalhadores e a juventude e abriu espaço ao golpe institucional que agora fortalece Bolsonaro.

Contra sua estratégia meramente eleitoral, defendemos que as entidades dirigidas pelo PT de Haddad e pelo PCdoB de Manuela D’Ávila como a UNE, que agora está sendo absurdamente censurada pelo TSE que lava a cara de Bolsonaro com o caixa 2, deveriam romper com sua confiança nas instituições desse regime político em frangalhos e apostar na organização pela base dos estudantes em milhares de comitês de luta. Apenas assim poderemos responder à repressão política dentro e fora das universidade, com caráter de autodefesa contra os ataques bolsonaristas, como o que tirou a vida de Mestre Moa, e contra todas as reformas colocadas por Bolsonaro e os golpistas.

Essa força na juventude deve estar a serviço de se enfrentar com cada aspecto autoritário na universidade que quer cercear a vivência e organização estudantil, lutando pela revogação imediata de todas as punições, pela defesa das festas no campus em combate ao produtivismo e pela mais ampla liberdade de debate e organização política.

Contra seu estatuto herdeiro da ditadura militar e sua estrutura de poder profundamente antidemocrática, somente com uma Estatuinte livre e soberana imposta pela luta podemos ir até o final pelo fim da reitoria, hoje escolhida pelo governador, e do CONSU, para que a universidade seja gerida por estudantes, trabalhadores e professores tal qual seu peso na realidade. Assim, nós batalhamos para que a universidade rompa seu compromisso com os lucros das grandes empresas e passe a garantir acesso radical com o fim do vestibular, o fim da terceirização, com a efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público, bolsas-estudo e ampliação da moradia de acordo com a demanda, junto à garantia de todas as medidas de permanência estudantil, como assistência psicológica.

É esse o programa para a universidade que pode tornar a Unicamp uma trincheira na luta para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise no país e a juventude como uma Faísca para que também as centrais sindicais rompam com sua paralisia para construir comitês operários de luta no Brasil.

Por isso, vemos com muita importância a participação de estudantes que se coloquem nessa perspectiva, ocupando as poucas cadeiras que existem no antidemocrático CONSU, que quer calar a voz da maioria da universidade, e declaramos nosso voto na candidatura de Lucas Marques, da juventude Afronte. Esse voto possui caráter crítico, pois não compartilhamos de seu programa para a universidade que não se enfrenta até o final com sua autoritária estrutura de poder, ao defender por exemplo eleições diretas para reitor e não o fim da Reitoria e do CONSU, que somente tem como objetivo gerir uma universidade de costas à população e de braços aberto às empresas. Também apontamos que tem como tarefa defender a partir dessa candidatura a auto-organização do movimento estudantil sem nenhuma ilusão nas instâncias burocráticas dessa universidade e independente do PT. Ressaltamos sua correta posição contra o golpe institucional, o autoritarismo judiciário, além de se colocar abertamente contra a extrema direita de Bolsonaro e seus ataques à universidade.




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