Internacional

DAVOS: FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

Neoliberalismo, corrupção e autoritarismo: Bolsonaro fala em Davos

“Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós”, diz Bolsonaro em seu discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, para arrancar aplausos de uma plateia que reunia lideranças de diversas potências do mundo e grandes empresários.

terça-feira 22 de janeiro| Edição do dia

É a este “mundo” que Bolsonaro se refere, o dos empresários ávidos por reformas e privatizações que garantam que o Estado brasileiro tenha que arcar cada vez menos com direitos para a população, como a previdência, e cada vez mais com o lucro de banqueiros com o pagamento da dívida pública. “Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos. Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.”, diz ele, como manda a receita do neoliberalismo.

Em outro ponto, Jair Bolsonaro também afirma que “Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo”. É assim que teve de deixar de lado o blablabla “antiglobalista”, que marcou sua campanha (com o “Brasil acima de tudo”) e as declarações de seu ministro de relações exteriores, para escancarar a verdadeira face de seu governo: submissão total ao que o imperialismo dita para o Brasil.

Isso fica evidente na defesa do agronegócio que faz no discurso, em busca de manter o Brasil enquanto “fazenda do mundo”, oferecendo de bandeja os recursos naturais brasileiros às grandes coorporações estrangeiras. Defende isso colocando demagogicamente que a agricultura e pecuária se fazem presentes em menos de 29% do nosso solo (como se fosse pouco!) e que não agridem o meio-ambiente afinal “Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós”, o que certamente não ocorre por seu mérito, afinal desde sua primeira semana de governo já prometeu acabar com as demarcações de terras indígenas.

Mas dentro de um governo com tantas reviravoltas e conflitos internos como pudemos observar nos vaivéns ao longo desses 22 dias, qual seria essa “credibilidade” para realizar as reformas? Para acalmar seus ouvintes, Bolsonaro cita, logo após essa defesa das reformas, ninguém menos que Sergio Moro, segundo ele, “o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro”. Assim, o capitão reformado busca algum prestígio a seu governo apresentando uma das figuras mais queridas pelo capital financeiro internacional, o juiz que junto com todo o aparato judiciário vem desde o golpe até a prisão do Lula abrindo caminho para que estejam no poder aqueles que conseguirão passar reformas ainda mais profundas que as que o governo PT já vinha passando, ao mesmo tempo que joga para debaixo do tapete qualquer tipo de investigação contra casos de corrupção envolvendo Bolsonaro e família, como o escândalo do caixa 2 eleitoral das fake news e mais recentemente o caso envolvendo Flavio Bolsonaro.

Para, de fato, combater a corrupção e essa democracia manipulada de juízes politicamente interessados em ajudar a passar as reformas e privatizações, a classe trabalhadora e a juventude precisam mais que nunca confiar nas próprias forças, e lutar para que todos os crimes de corrupção sejam julgados por comissões independentes de especialistas e trabalhadores, que ganhem o salário de uma professora e sejam eleitos e revogáveis.

Todas as nossas vozes e mãos devem batalhar e exigir que nossos sindicatos estejam a serviço das lutas da nossa classe, aliando os combates em defesa de cada direito que querem arrancar das mulheres, negras e negros, LGBTs, povos originários, junto da batalha contra a reforma da previdência e as privatizações. É preciso retomar os sindicatos enquanto instrumentos de luta, superando os limites dessa já podre burocracia sindical, que ao início do ano prometeu "respeito" ao governo, e que, no caso da CUT, se restringe junto ao PT a uma suposta luta parlamentar, como se um punhado de deputados fossem mais fortes que a energia das massas trabalhadoras em luta, com as mulheres, negras e negros à frente.




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