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Nem repressão, nem pactos constitucionais: defender o mandato do 1-O com a mobilização independente nas ruas

terça-feira 17 de outubro| Edição do dia

No 10-O, centenas de pessoas se concentravam ao redor do Parlament, blindado pelos Mossos d’Escuadra, esperando para celebrar a declaração daquilo que a grande maioria do povo catalão decidiu por voto no 1-O. Em segundos, esta ilusão murchou tanto quanto a expressão de muitos daqueles que se concentravam nas imediações do Parlament: Puigdemont proclamou a independência e, em dez segundos, a suspendeu propondo a abertura de uma negociação.

A estratégia do "Juntos pelo Sim" é impotente tanto para cumprir com o mandato do 1-O quanto para defendê-lo de uma possível aplicação do 155. Os partidos da burguesia e da pequeno burguesia catalãs não vão se enfrentar até o final com o Regime de ’78 pra que se cumpra o mandato do povo catalão.

O governo central se nega a negociar caso Puigdemont não abandone explicitamente a declaração de independência. Quando propõe o diálogo com o PSOE com as promessas de "reforma constitucional", o fazem diante da ameaça do 155 e um pacto com o PP e Ciudadanos. O bunker e ’78 atuou com todas as suas armas: polícia e guarda civil, manifestações junto à extrema direita e a chantagem de "guerras comerciais" das principais empresas da burguesia catalã.

Por parte do Governo, não se pode descartar uma nova claudicação em seu próprio plano para evitar que entre a segunda e a quinta-feira seja votada pelo Senado a aplicação do 155. Tampouco que não haja resposta ao requerimento do governo central e que este seja executado. Está claro que o Juntos pelo Sim não está preparado para enfrentar um Estado bunkerizado que quer impor uma derrota sem condições sobre a qual quer fazer passar, depois, nos melhor dos casos, uma reforma constitucional cosmética que sirva de remendo do Regime de ’78.

A confiança que o Governo segue depositando em uma possível mediação da comunidade internacional como via de negociação com o Estado Espanhol nesta situação é uma política criminosa. A UE e a Comissão Europeia já deixaram claro que estão do lado de Rajoy, Pedro Sánchez e Felipe VI. Nada bom pode vir para a classe trabalhadora e para o povo da Catalunya e da Europa do capital que não hesitou em difundir a miséria ao povo grego para seguir cobrando sua dívida. A única solidariedade que deve ser buscada na Europa é a da classe operária e da juventude.

Também não podemos esperar nada desta nefasta terceira via do Podemos, IU e dos comunes, cuja política de busca por um impossível "referendo pactuado" pretende encurralar o movimento catalão nos marcos reacionários da legalidade de ’78. Dizem rechaçar o 155, mas sem reconhecer a legitimidade do resultado do 1-O e consequentemente do direito dos catalães de conformarem sua própria república independente. Contra a ofensiva do Regime de ’78, propõem uma reforma pelas mãos do PSOE. Deveriam abandonar esta política seguidista e passar a convocar mobilizações contra os pilares institucionais herdeiros da Ditadura, da Corona e pela abertura de processos constituintes na Catalunha e no resto do Estado.

A única via eficaz para poder conquistar uma república independente passa por desenvolver um grande processo de autoorganização da classe trabalhadora e dos setores populares, e assim tomar medidas elementares de defesa contra a repressão e do resultado do 1-O.

Diante disto, a CUP deveria abandonar imediatamente sua subordinação ao Juntos pelo Sim, tal como apontam algumas vozes críticas dentro da esquerda independentista. E a partir deste meio continuar impulsionando os Comitês de Defesa do Referendo (CDR), junto ao movimento estudantil mobilizado, às organizações sindicais de esquerda e alternativas, à esquerda anticapitalista e revolucionária, e marcar um plano de lutas dos trabalhadores como alternativa aos vacilos de Puigdemont para contê-las.

- Como defender o mandato do 1-O do povo catalão?

1. Autoorganização: Os Comitês de Defesa do Referendo (CDR) seguem ativos! Por sua extensão e coordenação nas universidades, bairros e locais de trabalho, para defender a partir da mobilização o resultado do 1-O diante da ameaça do Estado central. Necessitamos que as organizações sindicais, a começar pela esquerda sindical, convoquem assembleias nos locais de trabalho para nos organizarmos e nos unirmos aos CDR. Não podemos continuar atados às traições das direções sindicais da CCOO e UGT como no dia 3-O.

2. Prepararmos a defesa contra a repressão estatal, o 155 e a ocupação policial: Frente às ameaças do Governo e da Corona de aplicar a "lei" custe o que custar, e diante da ocupação da Catalunha pelas forças repressoras, chamemos um grande movimento contra a repressão que exija "Fora a polícia nacional e a Guarda civil!"

3. Controle dos movimentos de capital da grande burguesia catalã que se opõe ao processo, algo que deveria ser feito pelos próprios trabalhadores bancários para evitar a possibilidade da fuga de capitais. Contra a guerra econômica dos capitalistas, nacionalização sem indenização dos bancos e grandes grupos econômicos e de serviços. Medidas elementares para impedir um "golpe de mercado" contra a Catalunha e a base para que a sua economia esteja a serviço das necessidades populares.

4. Greve geral contra o novo ataque preparado pelo Regime! É necessário uma intervenção decidida do conjunto do movimento operário, que deu uma amostra de sua força e determinação na greve do 3-O apesar da traição da CCOO e da UGT. E que as organizações operárias apoiem incondicionalmente a luta pela independência, o que não quer dizer que deixem de colocar suas próprias demandas, mas exatamente o contrário. Estender para um programa com medidas como a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, o aumento do salário mínimo, o fim da precarização dos serviços, o não pagamento da dívida, uma educação pública completamente gratuita e sustentada com impostos a grandes fortunas, entre outros.

5. Qual processo constituinte é necessário para a classe trabalhadora e para os setores populares? Um processo constituinte que possa debater sobre todos osg randes problemas sociais, que não seremos capazes de resolver sem questionar os interesses e privilégios dos capitalistas que nos levam para a pobreza, a precaridade, ao desemprego. E que possa debater também qual república queremos conquistar, será que queremos uma república capitalista com Puigdemont e Junqueras?

A partir de nossa perspectiva, ainda que não sejamos independentistas, defendemos a luta do povo catalão para que se constitua uma República Independente, contra todos os ataques do Estado Espanhol. Porém não o fazemos com a perspectiva de mais uma República burguesa como algumas que hoje formam a reacionária União Europeia do capital. A Europa da vergonha. A República catalã que projetam, hoje, os Juntos pelo Sim, se assemelha a do Estado Espanhol que fingem abandonar, patenteado pela Lei da Transitoriedade, sem encostar na ordem social existente e sem resolver nenhum dos grandes problemas sociais.

Por isso lutamos por uma Catalunha independente e socialista. Uma República dos trabalhadores, dos oprimidos e do povo pobre que tome as rédeas de seus próprios destinos não só no sentido de se emancipar nacionalmente, mas também da emancipação de classe.

Esta é a única posição que pode soldar a unidade da classe operária de todo o Estado em uma luta comum que permita acabar com a Monarquia e o regime. Em outras palavras, a perspectiva de estender o direito de decisão a todas as nacionalidades históricas do Estado Espanhol, solidificando a fraternidade entre seus povos no caminho da construção da Federação Livre dos Estados Socialistas Ibéricos.

Cremos que somente um projeto deste tipo pode tornar realidade as reivindicações sociais que permeiam o imaginário das grandes massas representando o projeto da República. Ainda que saibamos que nossa perspectiva não é compartilhada ainda hoje pela maioria, estamos dispostos a lutar de forma consequente para que se cumpra o mandato e a vontade da maioria do povo catalão, lutando por este programa.

Para tal é necessário desenvolver as ferramentas e as forças sociais para fazê-lo verdadeiramente possível diante dos vacilos da direção do processo e da oposição frontal do Estado Espanhol e do Regime de ’78.




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