Internacional

BOLIVIA

Nem ofensiva patronal-cooperativista, nem a repressão do MAS!

A morte de dois trabalhadores cooperativistas de base e o aumento dos detidos e feridos mostra a urgente necessidade de iniciar a mobilização mineira independente. Os dirigentes da Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB) devem romper seu pacto com o governo.

segunda-feira 29 de agosto| Edição do dia

A morte de um segundo trabalhador cooperativista mineiro na tarde de ontem, quarta-feira dia 24 de agosto, junto com o aumento de feridos nos enfrentamentos e o incremento das detenções, coloca em evidência o perigoso rumo que está adquirindo o conflito patronal cooperativista para impedir o “suposto” direito de sindicalização de milhares de trabalhadores mineiros, que têm seus direitos transgredidos pelos patrões cooperativistas.

O conflito teve sua origem na Lei nº 823 recentemente promulgada, na qual a princípio se autorizava a organização sindical de “jornaleros” [1], “piqueros” [2] e peões que trabalham para os empresários cooperativistas. Diante da ameaça de ruptura do pacto por parte destes empresários precarizadores, o governo retrocedeu, afirmando que há uma “má interpretação” da lei, já que a mesma não autoriza a organização de trabalhadores que não gozam de direitos trabalhistas, nem seguridade social e tampouco direitos de organização política ou sindical no interior das cooperativas. Apesar disso, os patrões dirigentes das cooperativas passaram para a ofensiva e exigem a legalização de seus contratos com as empresas transnacionais e uma negativa explícita e legal contra o direito de organização sindical dos assalariados e peões das cooperativas. Para isso têm recorrido ao conhecido expediente de mobilizar, coagindo as bases dos trabalhadores das cooperativas, para garantir um reacionário e anti-operário bloqueio de rodovias nacionais.

Evo Morales e García Linera, durante todos estes anos, mantiveram um reacionário acordo com os dirigentes cooperativistas, outorgando-lhes importantes privilégios e permitindo a brutal exploração dos trabalhadores contratados pelas cooperativas em 2006, com o saldo de dezenas de mortos. Ou entregando-lhes 50% do veio Rosario na mina de Colquiri, mesmo com a heroica luta dos trabalhadores assalariados, que impuseram a nacionalização da mina. Hoje o governo e seus funcionários estão pagando o preço por ter enriquecido estes patrões mineiros, que o “capataz” García Linera embelezou com a caracterização da “nova burguesia weberiana” que ia cumprir o “progressivo” papel de construir o Estado Plurinacional da Bolívia.

Evo Morales retrocede no direito de organização sindical no interior das cooperativas, mas busca afirmar a autoridade bonapartista e a “razão de Estado” desatando uma feroz repressão sobre seus sócios. Desde a LOR-CI e de dirigentes do Partido dos Trabalhadores rechaçamos a selvagem repressão estatal que tem como vítimas de sempre os trabalhadores de base, que são obrigados a se mobilizar para não perder sua fonte de renda. Sabemos que a crescente criminalização dos protestos sociais e sua judicialização virá, mais cedo ou mais tarde, contra os trabalhadores assalariados, os camponeses e o povo pobre.

Diante deste reacionário conflito, indigna a passividade dos dirigentes da FSTMB e da Central Operária Boliviana (COB) - que já traiu os quase 900 trabalhadores da Empresa Pública Nacional Textil (ENATEX). Enquanto o governo afirma que não permitirá sindicatos no interior das cooperativas e enquanto os patrões mineiros lançam um bloqueio de rodovias, os dirigentes da outrora “gloriosa” FSTMB continuam atrelados ao governo e se negam a impulsionar um plano geral de mobilização assalariada para defender o direito de organização sindical de dezenas de milhares de trabalhadores mineiros de base das cooperativas.

Desde a LOR-CI afirmamos que é urgente impor às organizações sindicais afiliadas à FSTMB e à COB a ruptura imediata do pacto com o governo. Pacto que só vem garantindo demissões, fechamento de postos de trabalho e a violação dos direitos trabalhistas de dezenas de milhares de trabalhadores assalariados. Os burocratas sindicais se negam a impulsionar um plano de mobilização que contribua com a organização sindical das bases das cooperativas, única forma de quebrar o bloqueio cooperativista de maneira progressista, ampliando as fileiras organizadas dos trabalhadores mineiros e impedindo o abuso patronal dos dirigentes cooperativistas.

É necessário discutir urgentemente a elaboração de um verdadeiro plano mineiro metalúrgico frente à crise econômica do setor em que o conflito atual é um dos primeiros sinais. Este plano mineiro metalúrgico deve começar por exigir claramente a nacionalização imediata sem indenização de toda mineração privada e cooperativizada, com sua produção mediante gestão operária coletiva nacional para levar adiante uma verdadeira reorganização do setor mineiro à serviço dos trabalhadores e não à serviço do enriquecimento acelerado, como têm sido regra estes últimos 10 anos, das transnacionais que operam no setor e de uma casta de patrões mineiros de origem plebeia, mas tão antinacionais em suas sociedades com transnacionais e com a burguesia tradicional.

Chamamos a repudiar a brutal repressão estatal assim como o bloqueio patronal mineiro! Defesa do direito de organização sindical de dezenas de milhares de trabalhadores de cooperativas mineiras! Nacionalização de toda a mineração privada e cooperativizada, sob controle operário! Exigimos a ruptura dos acordos da FSTMB e da COB com este governo para iniciar uma mobilização nacional para impor a nacionalização dos recursos mineiros!




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