Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Nem Uma a Menos! Reportagem da TV retrata o assassinato de uma de nós

Há mais de um ano e meio, em março de 2015 Geiza Aparecida Medeiros Martinez foi assassinada por seu ex-companheiro de forma cruel. Hoje, em reportagem da TV, seu caso foi mostrado novamente e infelizmente milhares de Geizas foram mortas vítimas de feminicídio.

quinta-feira 27 de outubro| Edição do dia

Assassinada no mês que marca a luta das mulheres contra a opressão e exploração e na semana em que foi sancionada a lei que qualifica como crime hediondo o feminicídio, Geiza faz parte de uma triste estatística. De 1980 a 2010, foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres, 43,5 mil só na última década. 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos. Muitas dessas mortes e violências são cometidos também pela polícia. As vítimas ao procurarem ajuda são sujeitas a comentários machistas ou mesmo à violência física. Ou ainda a polícia abusa da violência contra as mulheres em atos e manifestações.

O programa Cidade Alerta, que veiculou a reportagem sobre Geiza, é conhecido pelo sensacionalismo e pelas posições de direita. Mesmo tentando dar uma roupagem de crime passional, a reportagem não consegue esconder que Geiza foi morta por ser mulher. Ela assim como muitas no mundo inteiro são vítimas da violência de gênero que oprime milhões de mulheres.

A família buscou, na época do assassinato, apoio e consolo na USp e Na FFCH (faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) onde Geiza trabalhou por 18 anos. Porém foi no Sintusp (Sindicato e Trabalhadores da USP) e na sua Secretaria de Mulheres que encontrou solidariedade. As trabalhadoras realizaram dois atos em memória de Geiza e hoje representantes da Secretaria de mulheres acompanharam a reportagem. Diana Assunção, diretora do Sintusp e ex-candidata à vereadora em São Paulo colocou ao repórter:
“Uma violência de gênero, que a gente tá vendo cada vez mais em nosso país e que a gente acha necessário que essa revolta que a gente sente pelo assassinato da Geiza se transforme em manifestação pra gente enfrentar toda a violência que ainda continua acontecendo hoje no nosso país, com milhares de mulheres.”

Para mãe de Geiza, Gelsa Martinez: "Arrancaram um pedaço de mim. Não tenho mais prazer de vive"r

É preciso construir movimento de mulheres, independentes do governo golpista de Temer, do PT e da direita. Só assim poderemos conquistar nossos direitos por leis e projetos concretos de proteção às vítimas de violência. Temos o exemplo do projeto de lei de autoria de Miryam Bregman, deputada do PTS e da Frente de Esquerda (FIT) na Argentina, que apresentou um Plano Nacional de Emergência contra a violência às mulheres, se apoiando nas mobilizações e na militância das mulheres do Pan y Rosas e da FIT para arrancar no parlamento uma lei que assegura o combate a violência as mulheres.

Se Geiza não foi a primeira mulher morta, vítima da violência de gênero, não seremos vítimas silenciosas da opressão e exploração da sociedade sobre as mulheres. Se não nos ouvem gritar, mais alto devemos fazer ecoar nosso grito de basta! Que a comoção pela morte de mais uma companheira não nos imobilize, mas que a revolta nos organize para lutar, para exigir que não aceitaremos Nem uma a Menos entre nós!

#NiUmaMenos
#NemUmaMenos




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