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Nelson Marchezan Jr., herdeiro da ditadura e candidato do MBL em Porto Alegre

O candidato tucano à prefeitura de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. é um típico representante das elites, defensor do empresariado e inimigo dos trabalhadores.

terça-feira 13 de setembro| Edição do dia

Filho do destacado membro da ARENA durante a ditadura militar, Nelson Marchezan, o queridinho dos protestos da elite no Parcão se apresenta apenas como um paladino da boa administração pública. Por trás de um discurso vago de "fazer o novo" está o velho liberalismo, o combate à organização sindical dos trabalhadores e a defesa feroz do empresariado.

Assim como todos os candidatos dos partidos da ordem, foge como o diabo da cruz do debate sobre o PSDB e os demais partidos de sua coligação, o corrupto PP e os minúsculos PMB e PTC. No último debate da televisão afirmou que "não tem corrupto de estimação." Porém, o fato de estar no PSDB, um partido notoriamente corrupto, que desviou dinheiro até da merenda da escola pública em São Paulo, além do envolvimento em tantos outros escândalos de corrupção pelo país, contradiz seu discurso. O apoio do PP, um dos mais citados e investigados na Lava-Jato, também demonstra o cinismo do candidato tucano.

Apesar das críticas à atual gestão de José Fortunati (PDT), até o ano passado o PSDB apoiava o governo municipal, mesmo com diversos casos de desvio de dinheiro em diferentes secretarias. Um desses casos, inclusive, é ligado ao Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), cujo titular da pasta, até poucos meses atrás, era Tarso Boetler, do PP, partido do vice de Marchezan. Ambos são aliados também do desastroso governo estadual de José Ivo Sartori (PMDB), que massacra o funcionalismo público mensalmente com parcelamentos de salários e sucateia os serviços públicos, deixando o RS à própria sorte. Como base aliada desse governo nefasto, os deputados estaduais do PSDB e do PP ajudaram a garantir duros ataques aos trabalhadores do estado, como o congelamento de salários dos servidores públicos e o aumento ICMS, que encareceu duramente a vida de todos.

Como deputado federal, Nelson Marchezan Jr. votou a favor do golpe e do PL 4330/15, hoje PLC 30/2015, que expande a terceirização a todos os postos de trabalho. Na Câmara também ficou conhecido pelas escandalosas declarações contra os trabalhadores do serviço público. Não vacilou em chamá-los de "vagabundos" e "desocupados" por protestarem contra a PEC 241/16, que congela os salários dos servidores e impede novos concursos pelos próximos 20 anos. Defendeu também o fim da Justiça do Trabalho, órgão ao qual recorrem os trabalhadores para tentar garantir direitos que os patrões, tão bonzinhos e que ele tanto defende, se negam a pagar. É de se esperar que quem recebe R$ 33.763,00 por mês como deputado federal se incomode com os protestos da classe trabalhadora em defesa de seus míseros salários e de seus direitos.

Com transmissão ao vivo no Facebook do Movimento Brasil Livre durante a cassação de Eduardo Cunha, Marchezan é o ídolo dos praticantes da indignação seletiva. Segundo o MBL, o único candidato coerente no pleito da capital gaúcha pois votou pelo golpe institucional e pela cassação de Eduardo Cunha (PMDB). Ora, apesar de toda a lama em que se afundou o PT, a derrubada de Dilma se deu por uma direita ainda mais corrupta, que agora avança decididamente contra os direitos dos trabalhadores. Desde a base aliada de Temer, PSDB e PP aguardam ansiosamente para votar esses ataques, inclusive por parte dos tucanos, apressando o governo golpista para encaminhá-los.

Essa direita e suas medidas, têm a defesa do MBL e de Marchezan, que inclusive faz parte dela pela via do PSDB, apesar dos escândalos de corrupção, o que não tem nada de coerente! Não defender a cassação de Cunha, porém, seria vergonhoso até mesmo para esse setor. Uma das manobras que limpou o caminho para o golpe foi justamente o afastamento desse ícone da corrupção brasileira. Seria muito desmoralizante para a campanha de prefeito uma postura distinta, sobretudo com principal rival à direita sendo Sebastião Melo, do PMDB de Cunha.

Nelson Marchezan Jr. fala muito em redução de gastos na prefeitura. Certamente não pretende fazer isso cortando privilégios da casta política, combatendo a sonegação de impostos e as gigantes isenções. Pelo contrato, seu discurso é enfático ao defender que Porto Alegre deve ser uma cidade boa para as empresas e para os empreendedores, o que significa ainda mais benefícios ao seleto grupo de exploradores do trabalho alheio. Por trás do sua insistência no corte de gastos também estão as ambições de privatização de empresas públicas como a Carris, além do arrocho aos trabalhadores do município.

Apaixonado pelo "empreendedorismo" esquece que esse é um privilégio de poucos. A maioria da população mal tem acesso ao estudo e necessita trabalhar duro para garantir um salário miserável e sustentar o lucro dos patrões e a casta política parasita.
No maravilhoso mundo da direita liberal todos têm oportunidades iguais. As condições de vida dos trabalhadores e do povo pobre, sem direito à saúde, educação, transporte e moradia de qualidade, sem acesso atividades culturais e de lazer, necessitando de empregos precários para sobreviver, são fruto de sua própria incompetência e só serão superadas pelo empreendedorismo e pelo livre mercado. O lucro, portanto, é justo! O coitado do empresário "se arrisca" abrindo uma empresa e ainda "sofre" tendo que pagar direitos trabalhistas aos empregados, a quem já faz um grande favor pagando um salário de miséria. Privatizar e entregar tudo nas mãos de poucos é o mínimo que o Estado deve fazer, impedindo ainda mais os pobres de terem acesso.

Porém, no mundo real, longe desse discurso lunático e meritocrático do MBL e de seus candidatos, as oportunidades iguais não existem. A maioria, que não tem acesso nem ao básico, luta para sobreviver. Quem vem das elites já nasce cheio de oportunidades e escolhe em qual se aventurar. Apesar de poucas exceções, nessa regra está o próprio Marchezan Jr., que colheu os frutos da posição privilegiada ocupada pelo pai durante a ditadura militar. Enquanto os pobres ficavam ainda mais miseráveis, o pequeno grupo que participava das decisões ao lado dos militares levava uma vida abastada, o que lhe permitiu ser hoje parte da casta política e da elite econômica do país.




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