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PM racista | Negros são os mais abordados e assassinados pela PM do RJ em qualquer situação

Ser preto e pobre no Rio de Janeiro é ser suspeito e alvo da PM, essa pode ser a conclusão de uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. O relatório intitulado de “Elemento suspeito” constatou o que muitos já sentem na pele literalmente todos os dias do RJ. A população do RJ é composta por 48% de pessoas pretas e pardas, mas esses são 63% dos abordados pela polícia.

terça-feira 15 de fevereiro | Edição do dia

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A pesquisa iniciou em maio de 2021, entrevistou 3500 pessoas, em regiões de grande fluxo, e depois passou por uma etapa qualitativa com jovens brancos e negros moradores de favelas. Essa é a segunda vez que essa pesquisa é realizada, a primeira foi em 2003. Em quase duas décadas dobraram os casos de pessoas que relatam que já foram abordadas mais de 10 vezes na vida. Para a polícia do RJ suspeito tem cor, gênero e classe social também, já que, segundo a pesquisa, 75% dos abordados são homens, 56 % moram em periferias e favelas e ganham menos de 2 salários mínimos.

Homens brancos acima de 40 anos quase nunca são abordados pela PM. Segundo o relatório: “Homens e mulheres relataram que, além da revista corporal, policiais às vezes procuram drogas nos cabelos, isto é, nas tranças afro e nos dreads [...]. Quando contam as múltiplas experiências vividas, vários relatam já terem sido tratados com agressões verbais ou desrespeito, e terem tido o celular invadido para verificar galerias de fotos e mensagens com algum conteúdo ligado a facções". Em um dos relatos um jovem entregador afirma: “Dia que não sou parado, chego em casa e acho até que aconteceu algo estranho”. E outro diz: “Eles tentam imprimir que a gente é o suspeito. A gente acaba até duvidando da própria honestidade". A pesquisa constatou também que essas experiências moldam o comportamento da juventude negra, que precisa escolher caminhos e horários para evitar ser abordado pela PM o que significa eventualmente correr risco de vida.

Nessas duas décadas aumentaram também os relatos de pessoas que tiveram armas apontadas para sua direção durante as abordagens. 32% dos pretos e pardos relataram ter armas apontadas contra 21% dos brancos. Metade do negros relataram já ter visto policiais agredindo alguém e um terço diz ter amigo ou conhecido que foi morto pela polícia. Recentemente dois casos foram notícia nacional, o primeiro foi Durval que chegava em casa quando foi confundido com um bandido pelo seu vizinho militar e mais recente foi o vendedor de balas de 21 anos Hyago Macedo assassinado por um PM em Niterói após este achar que ele iria fazer um assalto. Esses casos se somam ao brutal assassinato de Moïse Kabagambe por cobrar diárias de trabalho, caso em que um cabo da PM também está envolvido.

É preciso denunciar a repressão, exigir a punição pelos crimes, abusos e assassinatos cometidos pelas polícias civil e militar, exigir o fim da justiça militar e investigações independentes, minando a legitimidade dessas instituições historicamente racistas e preparando o momento em que ela deverá ser definitivamente extinta pela força da ação revolucionária das massas trabalhadoras.

Leia também: Vendedor de balas e morto por PM em frente a estação das Barcas em Niterói




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