Sociedade

DESEMPREGO

Negros, mulheres e nordestinos são os principais alvos do desemprego

Concentrando os maiores índices de desemprego, quatro estados do nordeste encabeçam a lista. Maranhão tem o menor índice de trabalhadores com carteira assinada e o índice de mulheres desempregadas continua superior ao dos homens, sendo de 13,6% contra 10,5% dos homens.

quarta-feira 14 de novembro| Edição do dia

Divulgados hoje pelo IBGE novos dados sobre o desemprego no país e para os negros, mulheres e nordestinos não há novidade para além de que a precarização e o desemprego têm seus rostos. Dentre os cinco estados com maior desemprego, quatro são do nordeste, a saber: Sergipe (17,5%), Alagoas (17,1%), Pernambuco (16,7%) e Bahia (16,2%). A maior taxa de desocupação verificada no terceiro trimestre do ano também está localizada bem longe do eixo sul/sudeste: no Amapá o percentual chegou a 18,3%. Analisando o gênero, o índice de mulheres desempregadas é superior ao dos homens, sendo de 13,6% contra 10,5% dos homens.

Ainda segundo a pesquisa, no terceiro trimestre de 2018, o número de desalentados chegou a 4,78 milhões de pessoas, não se distanciando do absurdo “recorde” do trimestre anterior, que chegou a marca de 4,83 milhões de pessoas, o que contabiliza o maior percentual da série histórica da pesquisa.

Veja: País tem 3,1 milhões de pessoas em busca de um emprego há mais de dois anos

Claros reflexos da reforma trabalhista, que relegou às mulheres, negros, jovens e nordestinos degradação brutal das condições de trabalho, precarização e esse escandaloso percentual de desempregados e desalentados. Terceirização irrestrita, contratos intermitentes, aumento da jornada de trabalho, mulheres grávidas expostas à insalubridade e cortes nos salários e nos direitos trabalhistas - direitos estes, conquistados através da luta histórica dos trabalhadores - são alguns dos ataques mais profundos da reforma, que fez e faz recair sobre toda a classe trabalhadora e mais profundamente sobre as mulheres, negros e os nordestinos, o aprofundamento do golpe institucional. A agenda de reformas do golpismo, entre elas a reforma trabalhista, foi a forma da burguesia descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores preservando intactos seus lucros. E agora Bolsonaro vem para aprofundar ainda mais os ataques de Temer, tentando com todas as forças descarregar ainda mais a crise nas costas dos trabalhadores.

Importante atentar também que do total de 12,5 milhões de pessoas que procuraram emprego e não encontraram, 52,2% eram pardos, 34,7% eram brancos e 12% eram pretos. Tais percentuais diferem da participação de cada um desses grupos na força de trabalho total: pardos (47,9%), brancos (42,5%) e pretos (8,4%).

Ainda é no nordeste que se verifica a maior taxa de desalentados. No total, o percentual de pessoas desalentadas chegou a 4,3% e tem sua maior taxa no Maranhão e em Alagoas, onde chega a 16,6% e 16% respectivamente. Menos trabalhadores com carteira assinada também é outro número que os índices escancaram: É também no Maranhão que este índice aparece, totalizando (51,1%).

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Já na Região Sul, a realidade é totalmente diferente. A região tem a menor taxa de desocupação do país, com 7,9%, e Santa Catarina é o estado com o menor percentual, de 6,2%. No trimestre anterior, a Região Sul tinha taxa de desocupação de 8,2% e o Nordeste, 14,8%, ou seja, quase o dobro.

Além de ter a menor taxa de desemprego do país, de 6,2%, Santa Catarina também tem o menor percentual de desalentados, de 0,8%, e o maior percentual de trabalhadores com carteira assinada, de 88,4%.

Basta olhar o gráfico para compreender o que os negros e pardos já vivem na pele:

Ainda que parte considerável da população ainda não se auto declare negra ou parda, devido ao racismo presente em nossa sociedade, já é possível ver com clareza o quanto o capitalismo, valendo-se exatamente do racismo, deixa sua marca.

Para que cada trabalhador e trabalhadora tenham assegurados seus direitos, para barrar os ataques de Bolsonaro, da extrema direita e dos golpistas, é preciso exigir das centrais sindicais que convoquem e organizem comitês de base. Que sejam os capitalistas a pagarem pela crise.




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