Política

RACISMO E CORONAVÍRUS

Negros e pobres no Rio são os alvos da Covid, ZN e ZO tem maior taxa de contaminação

A taxa média de contaminação da capital é de 13,9%, enquanto o Colégio tem taxa de 35,9% e Senador Camará, 35,04%. São os negros e pobres os mais atingidos pela pandemia no Rio de Janeiro.

terça-feira 23 de junho| Edição do dia

Imagem: Morro do Juramento, no bairro Vicente de Carvalho/ jornalpovobrasileiro

Estudo foi feito pelo Instituto d’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) em parceria com a empresa Zoox Smart Data, entre o fim de abril e a última segunda (15/06).

Alguns pesquisadores como Alexandre Fortes vem trazendo que no estado do Rio de Janeiro se faz visível que os locais de maior contaminação fazem parte do eixo de deslocamento pendular da população que seguiu trabalhando na pandemia. Se tratando da baixada fluminense, com números de final de abril, a capital fluminense não chegava a 10% no número de óbitos (367) entre os casos oficiais (4.481), enquanto Duque de Caxias tem mais de 20% de mortes (63) entre os 278 casos registrados, contando que existe uma taxa alta de sub-notificação.

Barros Filho tem uma confirmação a cada dois, ou seja, um índice de infecção de 54,29% e Copacabana, um bairro da elite, campeã no número de casos de coronavírus, tem cerca de um resultado positivo para cada dez testes.
A taxa média de contaminação da capital é de 13,9%, algumas regiões registram percentuais muito mais elevados, como Engenheiro Leal (40%), Colégio (35,9%), Vaz Lobo (35,71%) e Guadalupe (33,3%). Na Zona Oeste, completam a lista lugares como Pedra de Guaratiba (35,71%) e Senador Camará (35,04%).

A maior taxa de contaminação da zona sul é vista no Flamengo, onde 17,4% dos testes para Covid-19 analisados deram positivo. Em Copacabana, líder em casos confirmados, com 1979 infectados, a taxa é de 10,16%.

São os pobres e negros são as maiores vítimas da Covid-19. Os dados de SP apontam que 66% dos óbitos pela doença ocorreram nas áreas com renda familiar abaixo dos 3 mil reais, sendo que uma parcela significativa de famílias com até um salário mínimo e chefiadas por mulheres são as mais vulneráveis. A realidade não é nenhum pouco diferente no Rio.

A Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, alinhada a linha negacionista Bolsonarista, retirou o mapa por bairro do seu portal online. Isso dificulta a enxergar os eixos de contaminação.

São os setores mais precários da classe trabalhadora e os desempregados os que estão pagando com suas vidas pela crise sanitária administrada da maneira mais desdenhosa possível pelo governo Bolsonaro, pelos governadores e também os prefeitos demagógicos. Essa realidade exige um programa sério de renda mínima a todos que precisam, que aumente o valor do auxílio para atender as necessidades dos mais ameaçados pela crise.

Somente a luta do conjunto dos trabalhadores com a juventude poderá derrotar o governo Bolsonaro e a demagogia dos governadores aliados aos grandes empresários, como João Dória e Witzel. Essa unidade poderá impor pela luta um plano emergencial que responda verdadeiramente aos mais afetados pela crise, como a exigência de um auxílio emergencial de 2 mil reais, a proibição das demissões e reduções salariais, além dos testes massivos e leitos a todos que necessitam, usando inclusive da rede privada que sugou os recursos do SUS ao longo desses anos.




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