Educação

BOLSONARISMO

Nazistas alentados pelo bolsonarismo invadem aula online da ESAMC

Uma aula online do curso de Direito da ESAMC em Sorocaba (SP) precisou ser interrompida após ser invadida por um grupo de pessoas que fazia apologia ao nazismo, publicando mensagens ofensivas machistas e racistas. Em um vídeo enviado ao G1, é possível ver imagens, como símbolos, bandeiras e soldados nazistas durante a aula e, no chat, esses invasores publicaram ofensas contra mulheres e negros.

sexta-feira 21 de agosto| Edição do dia

Uma estudante da turma em que aconteceu isso relatou o caso ocorrido nesta quarta-feira (19) que, segundo ela, aconteceu nos últimos 30 minutos da aula:

“São 54 alunos e já tinha uns 70. Dentro dessa plataforma o quadro que a professora vai mostrando tem como a gente escrever e, então, começaram a escrever xingamentos. Então, eles colocaram um vídeo em apologia ao nazismo, escrevendo cada vez mais coisas no quadro. Houve injúria racial e chamaram as meninas de vadia e vagabunda. Começaram a compartilhar áudio.”

O ocorrido, além de expor a imagem e as informações dos alunos e da professora, corroboram para as opressões de raça e de gênero, endossando atitudes fascistas e racistas como adora fazer Bolsonaro. Não é preciso esforçar-se muito para lembrar de pronunciamentos extremamente ofensivos e violentos por parte do presidente, que, a cada semana, fala um novo absurdo como “na ditadura mataram pouco” e outras frases machistas e racistas que não merecem ser repetidas aqui.

No contexto da pandemia, Bolsonaro mostra seu completo descaso com a população, afirmando que sempre houve mortos, normalizando o massacre capitalista aprofundado pela crise sanitária, em que as pessoas ou morrem em decorrência da fome e do desemprego, ou em decorrência do coronavírus. Dessa forma, o que aconteceu na aula online de direito em Sorocaba, está intimamente ligado com o alento do governo de Bolsonaro e Mourão aos setores reacionários da extrema direita e suas figuras fascistas, como Sara Winter e outros.

Nesse sentido, a educação, além de ser cada vez mais sucateada, é disputada por setores da extrema direita que se escondem no discurso de que são “sem ideologia”, como vimos sintetizado no movimento “Escola Sem Partido”. Tal movimento já tentou aprovar alguns projetos de lei como forma de divulgar sua ideologia que legitima a violência contra as mulheres e meninas, a mesma ideologia que permitiu recentemente no caso da garota de 10 anos do Espírito Santo, essa criança ser hostilizada após sofrer estupros sistemáticos por quatro anos de seu tio e engravidar, com a ministra Damares e os fundamentalistas religiosos que o governo alenta tentando impedir o direito ao aborto, que em casos como esse é previsto por lei. Além de encorajar alunos e suas famílias a gravarem professores e acusá-los, restringindo-os a ensinar de uma forma moral e religiosa e, portanto, reacionária, projetos como esse ultrapassam os muros da escola e levam a atos brutais como esse na realidade.

Atitudes fascistas e racistas como as que aconteceram na aula de Direito na ESAMC em Sorocaba devem ser repudiadas e liquidadas imediatamente e, falando de combate e repúdio a isso, o ano de 2020 nos dá uma aula. A combinação entre a crise política nacional, os efeitos da pandemia tanto sanitários quanto econômicos, a crise econômica internacional e o impacto de atitudes brutais racistas como as ocorridas nos Estados Unidos com o assassinato de George Floyd e no Brasil com o assassinato do jovem João Pedro, provocaram uma enorme revolta. Esses acontecimentos revoltaram o mundo todo, a exemplo da fúria negra que se levantou nos Estados Unidos e ajudou a impulsionar as marchas antirracistas e antifascistas no Brasil.

Nesse sentido, é essencial dar seguimento ao combate à essa direita protofascista, apoiando-nos na eletrizante fúria negra nos Estados Unidos, nos movimentos dos Entregadores Antifascistas e nas marchas no Brasil responsáveis por enfraquecer a direita que saía às ruas no começo da pandemia. Assim, somente com solidariedade internacional e com a união de jovens e trabalhadores é possível esmagar a violência responsável pelo adoecimento mental e pela morte de inúmeros jovens negros, mulheres e trabalhadores.




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