Cultura

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Naufrágil: coluna indisciplinada de arte e política

Fábio Nunes

Vale do Paraíba

terça-feira 3 de janeiro| Edição do dia

A madeira tende à empenar?

Conforme um operário da Volkswagen, o bicho tá pegando. "Se não aceitar demissão, layoff com redução de salário e retirada de direitos, a empresa ameaça fechar a fábrica." A peaozada tá cabrera. E o sindicato? O trabalhador não sabe como, mas a burocracia sindical tá comprando carro novo, fazendo negócios etc.

Sábado, 31 de dezembro de 2016

Acabou. Se pá 2017 vai ser melhor. Luta de classes e um programa operário e anticapitalista é o caminho pra resolver os problemas mais sentidos da maioria explorada e oprimida. Tamo na luta, o foda é finalizar. Vamo ver. Um feliz ano novo pra nois e terror para os patrões.

Caravelas

Porque o mundo my friend não pertence aos vendedores de bala.

Zika 1

Negro, pobre, chamado de louco, jogado num hospital psiquiátrico, o sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909-1989) é um dos maiores artistas brasileiros. O cara foi um inventor. Perto do Bispo fica pequeno pra muito artista rico e branco que teve todas as oportunidades do mundo e só consegue fazer umas bobagens.

Zika 2

Branco, nascido numa família abastada, parente de gente importante, o artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980) quebrou tudo nos anos 1960 e 1970. O criador do ambiente "Tropicália" (1967) produziu umas paradinhas que até hoje dá um nó na cabeça oca da intelectualidade medíocre. Assim como o Bispo do Rosário, Hélio Oiticica é estado de invenção permanente.

Só os artistas zica porque a vida é muito curta para perder tempo com os boca aberta.

Cinema corsário

"Salo ou os 120 dias de Sodoma" (1975) do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) é um filme bastante polêmico. Baseado nos "120 dias de Sodoma" (1785) do Marquês de Sade (1740-1814), o filme conta a história de quatro Senhores que sequestram dezenas de jovens e se isolam num castelo para cometer todo tipo de crime numa sequência de ciclos horríveis. A juventude italiana afundada na ideologia dominante no começo dos anos 70 aparece destroçada na tela do cinema. Burguesia e direita italiana não gostaram nada da "Salo" pasoliniana e o diretor foi assassinado pouco tempo depois do lançamento do filme.

Do outro lado da ponte

Tem esses baque realmente proibido produzido por artistas radicais e tem aqueles filme metido a polêmico mas que no fundo é só história para boy and girl dormir. Tipo quem? Tem vários. "Irreversível" (2002) de Gaspar Noe e "Baixio das Bestas" (2006) de Claudio Assis são dois bons exemplos de "polêmica" que dá dinheiro. Alguns críticos falam em fetichizacao da violência e da miséria.

O que é o Brasil?

A atriz carioca Maria Gladys, figura chave do chamado "cinema marginal", arrebentou tudo em filmes como "Cuidado Madame" (1970) de Júlio Bressane e "Sem essa, Aranha" (1970) de Rogério Sganzerla. Atriz-criadora da pesada, Gladys viveu intensamente a contracultura no Brasil dos militares e no exílio em London London. Psicodélica. Insana. Terrível. Engraçada. Ela tirou um sarro da caretice até hoje gloriosamente celebrada. + Maria Gladys - Regina Duarte.




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