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"Não tem UTI, amo vocês", diz mãe em mensagem aos filhos antes de morrer no Rio Grande do Sul

“Não tem UTI, amo vocês”, foi a última mensagem que a comerciante Valéria Abreu, comerciante do Rio Grande do Sul, enviou a sua filha mais velha Giulia Mariana antes de falecer num hospital no município de Esteio, por falta de leitos de UTI.

sexta-feira 5 de março| Edição do dia

Foto: reprodução Twitter

Por volta do dia 14 de fevereiro começaram os sintomas da comerciante que junto com seu marido, realizaram o PCR e descobriram que os dois estavam infectados. No dia 20 fevereiro os sintomas se agravaram e, a comerciante que tinha diabetes já se encontrava com seus pulmões duramente comprometidos pela COVID, sendo internada na área de emergência de uma unidade pública de saúde.

No último sábado, dia 27, sua situação de saúde agravou e os médicos a orientaram a ser internada em uma UTI.

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"Ela precisava disso (um leito de UTI). Ligamos para hospitais, até do litoral, inclusive particulares, e nada. Havia um leito em um hospital de Santa Maria, mas era a cinco hora de viagem e os médicos avisaram que ela não aguentaria o trajeto" disse a filha Giulia Mariana a BBC.

A filha mais velha relatou que procurou um leito de UTI em uma infinidade de hospitais, públicos e privados, mas que todos estavam com lotação máxima.

Após o falecimento da mãe, Giulia postou em suas redes sociais a última mensagem que recebeu dela enquanto estava internada.

As últimas palavras de Valéria à filha, soaram como uma despedida, uma interpretação advinda do contexto dramático de mais de 260 mil mortes pela pandemia no país, onde faltam leitos de UTIs, vacinas e profissionais da saúde. É quase intuitivo entender “amo vocês” como um “adeus”, quando Bolsonaro, ignorando os números recordes de mortes das últimas semanas continua com sua postura negacionista e, em prol de seus interesses eleitorais fica de camarote olhando as quase duas mil mortes diárias fruto do descaso das autoridades.

O Twitter da Giulia viralizou porque refletiu o drama de milhares e milhares de famílias que perderam parentes e amigos para uma doença que, se tivesse sido combatida desde o começo com testes massivos para todos, conversão da produção de grandes empresas para a produção de insumos para o combate à pandemia, construção emergencial de leitos de UTIs, contratação de profissionais de saúde e a garantia de um auxílio emergencial digno e universal, poderia hoje estar talvez já sendo superada e todo esse sofrimento poderia ter sido evitado.

Todo apoio a Giulia Mariana e todos os familiares e amigos de vítimas da COVID no país. Que toda indignação e ódio a esse regime político desumano e ao capitalismo que ceifa vidas em nome do lucro sejam revertidos em força para lutarmos contra esse sistema capitalista de miséria.

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