DECLARAÇÃO DO MOVIMENTO NOSSA CLASSE EDUCAÇÃO

Não podemos legitimar estas eleições no SINPEEM! Boicote já! Lutemos por um plano para enfrentar a pandemia e os ataques à educação

Nós do Movimento Nossa Classe Educação repudiamos a continuidade do processo eleitoral imposto pela burocracia da Chapa Compromisso e Luta e Claúdio Fonseca. A eleição que ocorre em meio a mais de 16 mil mortes de Covid-19 no Brasil e uma enorme disputa dos poderes políticos em quem será o arbitro de um regime mais autoritário no Brasil, chamamos a categoria a boicotar essa eleição fraudulenta e se somar as exigências para a reativação virtual dos organismos democráticos da base como os REs e os Conselhos. É hora da base tomar a frente do nosso sindicato!

terça-feira 19 de maio| Edição do dia

As eleições para o SINPEEM que ocorrem virtualmente na próxima sexta-feira (22) revelam o ápice da burocracia de Claúdio Fonseca, até onde ele e sua chapa Compromisso e Luta é capaz de contrapor os interesses da maioria dos professores e trabalhadores da educação com os seus próprios. Esta eleição que foi organizada por fora da categoria, sem assembleias e amplas reuniões de debate interior, e que não se permite nenhum debate programático com o conjunto dos educadores é uma verdadeira farsa.

Vivemos um momento histórico no Brasil e no mundo. A crise capitalista se agudizou com a pandemia e aprofundou em níveis históricos as desigualdades já existentes. Esse aprofundamento também escancarou como a forma de organização capitalista prioriza os lucros em detrimento das vidas. As declarações de Bolsonaro são as mais escandalosas dizendo "E dai?" para as 16 mil mortes ou dizendo que "Não é coveiro", mas seus ministros não ficam pra trás. Weintraub manteve a prova do ENEM mesmo com as escolas fechadas e dados escandalosos de que sequer 50% dos alunos tem acesso a WIFI, internet ou aparelhos celulares e computadores. A ministra da Cultura ridicularizou as vítimas da Covid-19 e se mostrou grande saudosista das práticas de tortura e assassinatos da ditadura militar. 

O vice presidente, Mourão, recentemente publicou um artigo que ataca todos os demais poderes públicos em nome de defender Bolsonaro e os governadores que tentam se apresentar como "racionais" com suas quarentenas indiscriminadas, são os mesmos Dória, Witzel e Zema que atacam profundamente a educação e que não garantem sequer testes e EPIs para os trabalhadores que continuam arriscando suas vidas e de seus familiares indo trabalhar. Assim como o prefeito Bruno Covas que diz que um lockdown depende somente da ação de Dória, segue mantendo escolas abertas e incentiva que o Estado utilize de repressão aos trabalhadores para mascarar todas as ações fundamentais para conter a pandemia que não realizaram. Cada um a sua maneira, com mais ou menos demagogia, são responsáveis diretos pelos mortos e contaminados pela Covid-19, inclusive dezenas de trabalhadores da nossa categoria. E tanto sabem de sua responsabilidade que Bolsonaro publicou uma MP que impede com que qualquer agente público possa ser punido pelas suas ações durante a Pandemia.

Na educação, em particular, os governos têm se aproveitado da pandemia pra avançar em projetos que são um verdadeiro sonho dos tubarões da educação. A implementação do EAD sem qualquer inclusão digital efetiva para os professores e os alunos mostra a verdadeira farsa e tentativa de privatização da educação. Nas escolas privadas já se fala em centenas de demissões, inclusive com robôs assumindo a correção de atividades como no caso da Laureate.

No nosso município de São Paulo, são inúmeros os ataques como os cortes nos salários, os assédios das direções em relação aos professores e a sobrecarga do trabalho, que numa categoria majoritariamente feminina, significa a dupla e as vezes tripla jornada de trabalho, já que muitos professores completam sua carga na rede estadual. O imobilismo do nosso sindicato frente a estes ataques, se recusando a reativar os organismos de debate e organização da categoria só contribuem para que os capitalistas tenham carta branca pra avançar na destruição da educação pública, e como consequência tornando o ensino superior ainda mais elitista, racista e meritocrático, uma vez que como sabemos, as escolas privadas se aproveitam da manutenção do ENEM que o Ministro disse só cancelar se "cair um meteoro", para garantir o acesso destes alunos às universidades.

É neste cenário que a direção majoritária do nosso sindicato tenta justificar o injustificável: é preciso ter eleições agora. O principal argumento é de que nós da Oposição seriamos irresponsáveis, pois não realizar a eleição levaria a ilegalidade do sindicato. Uma discussão completamente falaciosa, uma vez que as eleições passadas ocorreram em setembro. Uma clara manobra para esconder o verdadeiro interesse de não deixar confluir as eleições do sindicato com as eleições municipais, onde Cláudio Fonseca se apresentará novamente pelo Cidadania, com um projeto burguês sendo base desta Prefeitura que nos ataca e que não representa os trabalhadores.

Nós do Nossa Classe Educação que batalhamos todo o tempo pelo adiamento, através da Consulta Virtual, e chamando os trabalhadores a se colocarem contra este processo totalmente anti-democrático, retiramos nossa chapa na semana passada junto com outros grupos da Oposição como forma de não compactuar que no meio do agravamento da pandemia aconteçam eleições como estas. Trata-se de um respeito e compromisso nosso com a categoria e de acreditarmos que são os trabalhadores da base que devem tomar o sindicato em suas mãos, ainda mais frente ao aprofundamento da crise econômica em decorrência da pandemia, ataques que já sentimos na pele e cujas respostas dependem de termos ou não uma resposta da nossa classe, partindo de tomar para si os sindicatos como ferramentas de combate e de luta.

Achamos que a decisão de retirada das 3 chapas da Oposição foi um acerto muito importante e que abre espaço para avançarmos em debates entre as distintas organizações combativas e com uma perspectiva de independência de classe, que atuam na categoria na perspectiva de Oposição as práticas burocráticas e contrárias aos interesses dos trabalhadores para avançarmos em ações em unidade para enfrentar esta burocracia que se encastelou em nosso sindicato permitindo que Claudio Fonseca ficasse mais de 30 anos sem pisar numa sala de aula.

Queremos seguir debatendo com cada organização a importância de conformarmos um polo de independência de classe, isto que, que não submeta os interesses dos trabalhadores ao das patronais, governos capitalistas e burocracias, como infelizmente vem fazendo a CUT e a CTB que dirigem milhões de trabalhadores pelo país através de seus sindicatos e aguardam em casa em suas quarentenas. Este polo deve servir para enfrentar a crise política através de uma coordenação pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Mas também que organize a luta por um único sistema de saúde 100% público sob controle dos trabalhadores, capaz de garantir testes massivos para a população, EPIs para os trabalhadores da saúde assim como exigir a proibição das demissões, o fechamento de todas as escolas e liberação remunerada para o quadro de apoio e as terceirizadas.

Infelizmente, a manutenção da Chapa 3 Educadores em Luta - Fora Bolsonaro nestas eleições, mesmo após o chamado do conjunto da Oposição a se retirar, serve exclusivamente para Claudio Fonseca se apoiar e assim legitimar estas eleições. Como é obvio, não é possível construir nenhuma oposição efetiva sem se rebelar contra estas práticas estabelecidas em nosso sindicato. 

Assim como entre os inúmeros pedidos dos grupos da Oposição pelo adiamento das eleições, é bastante chamativo como o Debate Custista buscou igualar a luta das oposições ao pedido demagógico de Claudio Fonseca pela retirada. O que ficou mais que evidente que não se tratava de nenhuma preocupação real com a vida dos trabalhadores, quando o mesmo seguiu sem nenhuma preocupação, as eleições completamente anti-democráticas.

Mais do que nunca se mostra necessário debater profundamente como efetivamente construir uma Oposição, que não seja só em palavras, mas que batalhe por uma prática completamente oposta da atual direção do nosso sindicato, o que para nós do Movimento Nossa Classe Educação passe necessariamente pela retomada da democracia de base, com a rotatividade dos dirigentes sindicais liberados, a reativação dos organismo de auto-organização de nossa categoria, a busca por organizar uma resposta política para a crise que estamos vivendo.

Por isso, nós do Movimento Nossa Classe chamamos todos os trabalhadores da educação a boicotar estas eleições fraudulentas, não votando em chapa alguma, seja na burocracia que quer se manter por mais tempo no nosso sindicato, seja na chapa que optou por legitimar o processo e mostrou que nem de longe é uma oposição consequente com a vida dos trabalhadores da educação, reproduzindo a lógica de Cláudio Fonseca. Optamos pela tática do não voto também frente ao fato de que não existe uma opção de voto branco ou nulo, e tão pouco um quórum mínimo para que a eleição seja validada, o que escancara à serviço de que está essas eleições e sabemos que não é de nossas demandas. Assim como repudiamos mais uma vez as restrições impostas aos trabalhadores da educação com menos de 6 meses de filiação que não podem sequer participar deste processo.

Por isso, chamamos todos e todas a se somarem a exigência de reativação dos organismos de atuação como os REs e Conselhos Gerais para podermos erguer a luta tão fundamental que este momento exige, impedindo que sigamos pagando por essa crise.




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