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“Não é só futebol, não é só um jogo... você nunca caminha só”

Nos últimos dias a tristeza com o luto e o alento das homenagens ao redor do mundo às vitimas do trágico acidente envolvendo a Chapecoense pôde nos fazer pensar sobre o papel do esporte mais popular do mundo e sua capacidade em humanizar nossas vidas.

Raphael Mouro

@mouro_77

quinta-feira 1º de dezembro| Edição do dia

Imagens das manifestações na Colômbia em memória e solidariedade às vítimas – Os milhares que não conseguiram entrar no estádio, se concentraram nas mediações.

A essência do dia 29 de novembro de 2016 que entrou para história como um dos dias mais tristes do esporte e da vida de milhares de pessoas, vai além das reflexões que muitos se fazem sobre como é possível o mesmo esporte responsável por proporcionar os dias mais felizes de nossas vidas ser capaz de impor uma mistura de tristezas intrínsecas e únicas que extrapola os limites de um jogo. Pais e mães de torcedores que já viveram a tragédia de perder seus filhos em meio a um jogo do clube por qual a família é apaixonada talvez sintam algo mais próximo dessa contradição que sentimos nos últimos dias.

Os céticos ou os que se esforçam em permanecer alheios à psicologia das massas dão seus ultimatos sectários e auto-proclamatórios: futebol é para “alienados!”, vítimas ou seguidores do “ópio do povo”, criminosamente parafraseiam Karl Marx que alcunhou tal frase analisando o papel que cumpre a religião enquanto instituição de poder e funcional à acumulação de capital. Logo Marx, que tão bem soube compreender, se ligar e diferenciar os anseios das massas trabalhadoras dos interesses dos capitalistas.

Por mais que lucrem os proprietários das instituições capitalistas e conhecidamente corruptas (como FIFA, CBF, a mídia esportiva e clubes-empresas, etc.) que se esforçam em definir um rumo estratégico para o futebol que se resuma à busca por lucros e se reduza a apenas mais uma forma de entretenimento, há contradições em alguns esportes – no futebol, ainda mais –que se evidenciam na comoção de massas, despertando sentimentos verdadeiramente humanos, apesar dos capitalistas.

Há vários outros fatores que tornam o futebol distinto como já discutimos, mas essa tragédia trouxe à tona que, na contramão de outros entretenimentos dentro do capitalismo, há uma saudável anormalidade que comove e sensibiliza, e diferentemente de ser uma mera ‘junção de empresas que lucram com o entretenimento’ como dizem alguns, ainda não conseguiram comprar e vender a solidariedade real.

Ou, se realmente se resumisse apenas a um conluio comum em busca de mais capital entre corporações concorrentes,será que diante da tragédia veríamos as equipes chegar ao ponto de distorcer regras de competições – como oferecer um troféu do tão esperado (e investido) campeonato ao rival?Ou oferecer seus próprios jogadores e rever as regras de rebaixamento de seu concorrente direto?

Isso tudo poderia ser encarado como ação de marketing para tornar o campeonato mais atrativo visto que dos cartolas brasileiros da linha de Marco Polo del Nero, Marin, Eurico Miranda podemos esperar as mais baixas canalhices.


Manifestação do povo chapecoense em apoio as vítimas

Mas a essência, que discutimos no começo do artigo, é que nesta situação, querendo ou não os cartolas, as pessoas comuns se impuseram, através dos sentimentos verdadeiros dos torcedores que historicamente fazem e são a razão de ser do futebol.

A tragédia que ocorreu com a Chapecoense traz a reflexão sobre semelhantes angústias se pensarmos nos problemas que passamos na vida quando sonhamos com a ‘redenção’ da conquista mas que nos é retida com o peso da realidade, do trabalho, do salário e das tragédias pessoais.

Que fique claro: não há esperança nenhuma para os cartolas e, apesar da ação cotidiana destes a fim de elitizar o futebol(e muitas vezes incentivando o ódio, xenofobia, homofobia, etc.), transformando em definitivo a maneira popular de torcer para consolidar o projeto dito como “comportado e para torcedores de bem”, há esperanças para o futebol não morrer... exatamente porque não é só futebol. São as pessoas que se negam a caminhar sozinhas.




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