Política

MANDETTA E O CORONAVÍRUS

Não é piada: Ministro da Saúde recomenda chá, canja, casaquinho e reza contra coronavírus

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Fideísmo é o desprezo da razão, e a revelação pela fé. É nisso que aposta o Ministro da Saúde que, se até então era celebrado pela mídia burguesa como um resquício de sanidade em meio a loucura negacionista de Bolsonaro contra o vírus, vem proclamando, nessa semana, verdadeiras barbaridades fideístas dignas de um homem da Idade Média.

O último pronunciamento de Bolsonaro na TV desmascarou de uma vez por todas para aqueles que ainda nutriam (vide mídia burguesa) alguma esperança que o Ministro Mandetta poderia ser um fator de uma política alternativa frente ao franco desprezo pelas vidas de milhares de pessoas e proteção do lucro dos patrões, adotados por Bolsonaro, mas também pelos governadores, como Witzel e Dória.
Bem ao gosto dos pronunciamentos de Bolsonaro, que chama a pandemia de gripezinha, o ministro, totalmente aquém da gravidade da crise social, disse, despreocupadamente e em tom jocoso:

“As pessoas me perguntam: chá é bom? Minha avó falou para mim que é. Vocês vão me ver tomando chá. Eu estou tomando xícara de chá direto. Falaram para mim que é bom. Mal não faz. Canja de galinha é bom? Minha mãe falou para mim que é bom. Todo dia eu tomo uma canja.”

E segue:

"Vocês acham que eu ando descalço e vou abrir a geladeira? Jamais. Eu calço uma meia. Eu não pego golpe de ar. Eu ponho um casaquinho para ficar quietinho. Nós estamos assim. Eu não bebo gelado, porque isso é o que a gente sabe que funciona, porque é o que a gente aprendeu com nossos pais numa época que tinha gripe e não existia remédio."

Pra fechar com chave de ouro:

“No mais, oração é bom? Me perguntaram outro dia: as igrejas devem estar abertas, devem estar fechadas? Que fiquem abertas, só não se aglomerem, mas rezem, orem. Fé é um elemento de melhora da alma, do espírito. Os pastores, padres, preguem pela televisão, pela internet. As pessoas precisam. Façam suporte telefônico”

Chegou até mesmo a dizer que as pessoas façam seus serviços religiosos por telefone, mostrando estar muito mais preocupado com a fidelidade às igrejas do que com qualquer forma de combater efetivamente a contaminação pelo COVID-19.

As soluções para a crise não virão da fé e nem das alturas, dos governos que, por sua vez, servem aos patrões e aos grandes capitalistas. Para isolar, de fato, o vírus precisamos de testes para todos. Sem ciência, nos restam quarentenas com técnicas e eficácia da Idade Média e não do Século XXI.




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