Sociedade

TRAGÉDIA EM MINAS GERAIS

’Não é o caso de pedir desculpa’, diz diretor da Samarco sobre tragédia em Mariana

O diretor de operações e infraestrutura da Samarco, Kleber Terra, declarou em coletiva de imprensa na última terça que o maior desastre ambiental da história de Minas Gerais não é caso para se pedir desculpas.

Iaci Maria

Estudante de Pedagogia da PUC-SP

quinta-feira 19 de novembro de 2015| Edição do dia

Nas palavras do diretor “A gente teve um evento trágico. A Samarco também está envolvida e estamos muito solidários e muito sofridos com tudo que aconteceu. Nós também, nós somos funcionários desta empresa. Não acho que seja o caso de desculpa, acho que é o caso de verificar claramente o que aconteceu. Nós somos parte do processo, foi muito sofrido para todo mundo. A Samarco está fazendo seu maior esforço".

Essa coletiva foi realizada 12 dias após o rompimento da barragem do Fundão, que fez com que 65 milhões de metros cúbicos de água e rejeitos despejados devastassem o vilarejo de Bento Rodrigues, no município de Mariana. A lama com rejeitos de minério continuou a descer, tomou o Rio Doce levando-o à morte, e acaba de chegar ao Espírito Santo, onde vai seguir até o mar. Essa foi a maior tragédia ambiental da história de Minas Gerais, que além dos danos ambientais quase irreversíveis, já deixou ao menos 11 mortos, 12 desaparecidos, 600 desabrigados, além dos 280 mil habitantes de Governador Valadares sem água devido à morte do Rio Doce. E ainda pode aumentar pois, nessa mesma coletiva, os representantes da Samarco declararam que há risco de rompimento das barragens de Germano e Santarém (que a princípio foi declarado que havia se rompido e depois foi visto que não).

Tanto a Samarco quanto a Vale e a BHP, donos da Samarco, possuem total responsabilidade sobre essa tragédia, juntamente aos governos que são seus aliados. As mineradoras estão há séculos retirando todas os recursos naturais do estado ao custo primeiro de trabalho escravo e, após a abolição, seguiu sendo com trabalho precário, destruindo o meio ambiente e mantendo as cidades e vilarejos das regiões na miséria. Moradores de Mariana denunciaram que a Samarco sabia que isso aconteceria, assim como esses rompimentos de barragens vêm acontecendo ano após ano na última década, consequência da sede de lucro dos empresários.

Ainda assim, essas empresas sentem-se na total liberdade para declarar que não devem nenhuma desculpa à população atingida, que não se restringe apenas à região de Mariana, imediatamente atingida pela lama, mas todo o caminho que a lama percorreu até chegar ao Espírito Santo e todas as cidades que foram e ainda serão afetadas pela morte do Rio Doce, como Governador Valadares. Essa liberdade foi muito bem comprada com os milhões de reais doados a diversos partidos, com PMDB, PT e PSDB liderando a fila. Esses mesmos partidos vêm travando há anos, primeiro o PSDB e agora o PT no governo do estado, a mesma luta pela flexibilização do licenciamento ambiental para barragens, além do PMDB – maior beneficiado pelas doações da Vale – estar à frente justamente do Ministério das Minas e Energia.

É preciso dizer ao diretor Kleber Terra que não tem desculpas mesmo. O que aconteceu naquela região não foi acidente, pelo qual se desculpa depois. Foi um crime ambiental e social, construído e omitido até o último segundo pela Samarco, Vale, BHP e os governos cúmplices. Frente a essa tragédia, o que é preciso é que se pague pelo crime, que os culpados sejam punidos e também que os lucros e bens dos empresários da mineração sejam confiscados e revertidos para um plano de emergência para recuperar toda a região atingida, assim como a dignidade daquela população.

Ainda assim, as mineradoras não podem seguir explorando a região como se não houvesse consequências, criando novas tragédias. Por isso nesse momento se faz mais que necessário lutar pela reestatização da Vale, basta de lucro para empresários em cima de tragédia e exploração! Mas a saída também não pode ser deixar a empresa nas mãos dos governos, que são aliados dos empresários e defendem que as licenças ambientais são duras demais, como fez Pimentel, e também vem avançando com uma política rumo à privatização da Petrobrás, como tem feito Dilma. Esse processo de reestatização somente reverterá esse quadro da mineração irresponsável com o meio ambiente, os trabalhadores e toda população próxima se a empresa for colocada nas mãos dos trabalhadores da mineração, colocando todo o lucro a serviço da população.




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