VELHA CONCILIAÇÃO DE CLASSES

“Não é hora para Fora Temer”, diz Lula, a enésima prova de como não quer combater a direita

Em Minas Gerais, Lula diz que não é mais hora de gritar “Fora Temer”, mas sim gritar o nome de um novo presidente. Lula fala isso e não diz uma palavra sobre as reformas, sobre as greves dos trabalhadores no Rio Grande do Sul e da indústria em algumas cidades. Quer ser o candidato da conciliação com os empresários, com os golpistas e com seus ataques.

sábado 28 de outubro| Edição do dia

Em Minas Gerais, após Lula buscar novas alianças com empresários acenando sua disposição de governar para eles, no comício mais recente na cidade de Salinas, o petista disse que não é mais hora de gritar “Fora Temer”, mas sim de chamar um novo presidente. Nos discursos Lula nunca cita a reforma trabalhista, enorme ataque que já esta sendo implementado com locais já buscando contratar trabalhadores “intermitentes”, pagando cerca de 4 reais a hora; nem menciona a reforma da Previdência que pode voltar a pauta.

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Tampouco a medida de Temer que visa relativizar o trabalho escravo esteve na pauta de Lula. Nem a terceirização irrestrita e outras medidas de Temer para favorecer os capitalistas em detrimento dos trabalhadores. E ainda diz que não se deve falar “Fora Temer”, palavra de ordem que concentra a raiva contra os ataques e também contra o que há de mais podre no regime político do país.

Isso logo depois de ogoverno gastar 12 bilhões dos cofres públicos nos seus acordos parlamentares para salvar sua pele (verba que o PT também recebeu em grande quantidade, como mostra a agência Lupa). Dinheiro que arcaria os custos das universidades federais por dois (!) anos. Lula não só ignora esse fato, como quer que toda a população ignore e pare de se escandalizar com toda a corrupção e ataques desse governo.

Faz isso conscientemente. Não pode fomentar essa raiva e ao mesmo tempo se oferecer como uma alternativa aos empresários, uma alternativa para gerir o capitalismo nacional. Os ataques de Temer - tão docilmente aceitos pelas centrais sindicais, que impediram novas greves gerais - são uma nova "herança maldita" que Lula no máximo mencionará, mas nunca atacará, como fez com toda a herança maldita de FHC.

O hipotético “referendo revogatório” que Lula vem falando nos palanques teoricamente serviria para pautar a PEC 55 que congela os gastos públicos destruindo a saúde e a educação: contudo, na ideia desse "referendo" sugestivamente não consta nada sobre a reforma trabalhista, a reforma da previdência, nem sobre a terceirização irrestrita. Medidas que Temer vem implementando para agradar diretamente os empresários que querem lucrar cada vez mais em cima da exploração e da retirada de direitos trabalhistas.

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Como diz o ditado popular “quem cala consente”. Lula não quer, e nem pode perder o empresariado como apoiador, por isso precisa mostrar que vai manter todos esses ataques e que pode ser um bom gestor do Estado e sustentar o regime falido de 88. Como o petista já afirmou que para governar é preciso fazer todo tipo de aliança, até com a direita, e os golpistas, como Renan e outros caciques grandes e pequenos do PMDB, como os vários prefeitos e deputados desse partido que são parte da coalizão de governo de Pimentel do PT nesse estado.

Prova que o discurso popular de Lula não passa de eleitoralismo, principalmente quando não toca num dos problemas que mais a população vem sentindo, o enorme desemprego e os ataques aos direitos trabalhistas. Da mesma forma que busca calar as ruas e transpor toda a indignação popular para uma alternativa eleitoral.

Confirma como o PT não serve para combater a direita. Suas alianças de campanha com partidos golpistas como o PMDB, só preparam um possível novo governo com novos “Eduardos Cunha” e “Felicianos”. Não podemos esquecer que Cunha era base do governo petista, além de Renan Calheiros, que Lula abraça hoje e que é um dos políticos com menor aprovação popular, junto a Temer, envolvido em mil esquemas de corrupção.

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Após não ter de fato resistido ao golpe, o chamado de Lula a esquecer a principal consigna que expressa a raiva ao governo Temer e aos ajustes, é para que todos engulam sua indignação e esperem passivamente as novas eleições. Daqui até lá podem ocorrer ataques mas não importa, importa organizar a candidatura "lulista", da "oposição leal e responsável" que até agora concedeu governabilidade aos golpistas ao não utilizar o peso que tem nas organizações de massas - especialmente os sindicatos - para enfrentar os ajustes.

O que o PT nos apresenta é o mesmo projeto de conciliação que só deu força a direita, enquanto que os processos de luta e greves, que estes sim têm a força para resistir aos ataques, foram traídos e desviados pelas centrais sindicais petistas.

É impossível combater a direita se aliando com ela, nos seus acordos e conchavos dos partidos, que junto aos empresários querem aprovar medidas que ataquem os trabalhadores, a juventude, as mulheres e os negros. É preciso superar a estratégia de conciliação do PT ao passo que recuperar os sindicatos para a luta de classes, livrando-os do pesado peso de direções como as da CUT que movem mundos e fundos para uma caravana de Lula que não fala dos ataques, não fala das lutas e abole o “fora Temer”.

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