Política

ESCOLA SEM PARTIDO VAI À VOTAÇÃO

Na véspera da votação, deputado do PSC aumenta censura do projeto “Escola Sem Partido”

quarta-feira 31 de outubro| Edição do dia

Irá à votação hoje na Câmara dos Deputados o obscurantista projeto de lei “Escola Sem Partido”, que quer impor uma mordaça a educadores para garantir a continuidade do machismo, da LGBTfobia e do reacionarismo como regra na educação do país.

Não contentes com as absurdas proibições e restrições presentes no atual projeto, nessa terça. 30, às vésperas da votação, o relator do projeto, deputado da bancada evangélica Flavinho (PSC-SP) fez novas alterações no texto para torna-lo ainda mais censor de qualquer possibilidade de um debate crítico nas escolas.

Se o projeto já previa a proibição de termos como “gênero”, “orientação sexual” e qualquer tipo de debate político em livros didáticos e paradidáticos, agora o novo texto expande essa proibição também para os “conteúdos curriculares”, “políticas e planos educacionais” e “projetos pedagógicos das escolas”.

Cinicamente, outra inclusão feita é a de que "o Poder Público não se imiscuirá no processo de amadurecimento sexual dos alunos nem permitirá qualquer forma de dogmatismo ou proselitismo na abordagem das questões de gênero". O absurdo é que justamente quem quer educar as crianças para debater sobre gênero são os que querem evitar “dogmatismos”, enquanto a bancada evangélica e partidos como o PSC querem impor como norma os dogmas de suas religiões, promovendo abertamente a discriminação contra mulheres e a população LGBT.

O tipo de absurdos que os bolsonaristas e a bancada evangélica querem introduzir nas escolas sob o pretexto da “neutralidade ideológica” é, na verdade, o mais atrasado da ideologia reacionária, e não apenas em termos de sexualidade e moral, mas inclusive destruindo o conhecimento científico. Isso ficou muito claro quando, ainda no período eleitoral, o futuro ministro de Bolsonaro afirmava que a teoria da evolução é uma “doutrinação” e deveria ser ensinada em pé de igualdade nas escolas junto ao criacionismo, cuja “evidência” é a Bíblia. Querem transformar as escolas em púlpitos de igrejas.

Mais recentemente, veio à tona também a hipocrisia dos defensores do Escola sem Partido quando foi revelado que Ana Carolina Campagnolo, deputada do PSL defensora do projeto, dava aulas com camiseta do Bolsonaro e tirava fotos com alunos apoiando o candidato. Ou seja, a escola que querem é sem os partidos da esquerda, mas jamais sem os seus partidos de extrema-direita. É sem as teorias científicas, mas não sem as suas “teorias” teológicas.

Não aceitaremos esses absurdos.




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