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ELEIÇÕES 2016 RIO

Na televisão, Freixo diz querer “governar para todos” e “conversar com empresários”

Foi ao ar nessa sexta-feira, 21, o programa eleitoral de Freixo em que ele afirma que quer “governar para todos” e “conversar com empresários”. Diversos setores que apoiam Freixo se mostraram insatisfeitos com mais essa intenção de se mostrar como um “governo para todos” em "diálogo" com os patrões.

Fernando Pardal

@fepardal

domingo 23 de outubro| Edição do dia

Veja o programa em que Freixo promete governar para todos e dialogar com empresários:

No início do segundo turno, Freixo vinha apostando em uma campanha em tom mais “diplomático”, procurando não atacar diretamente Crivella, como mostrou o primeiro debate eleitoral. As duas pesquisas que apontavam uma disparada de Crivella e queda de Freixo, somadas ao fato de queCrivella recusou participar de todos os demais debates – exceto pelo da RedeTV – fizeram com que Freixo mudasse o tom, e passasse a denunciar mais abertamente os “podres” de Crivella, como, por exemplo, sua ligação com Garotinho.

No entanto, se ele passou a criticar Crivella, suas colocações sobre seu programa de governo foram no sentido de uma moderação cada vez maior. O primeiro indício mais claro disso foi uma entrevista para o jornal paulistano “Estado de S. Paulo” em que dá sinais ao empresariado da saúde e dos transportes de que não enfrentaria seus lucros (o que já era dito, de forma mais amena, em seu programa).

Crivella quis explorar o filão de um eleitorado mais ao centro, e procurou cada vez mais taxar Freixo como radical, veiculando propagandas eleitorais em que o associa aos black blocs e dizendo que suas propostas seriam irrealizáveis pois não haveria de onde tirar dinheiro para concretizá-las. Efetivamente, como argumentado por Cacau, o programa de Freixo dá argumentos a Crivella, pois para efetivar uma melhoria nos serviços públicos só seria possível mediante o enfrentamento direto com a propriedade privada dos capitalistas, ou seja, estatizando a saúde e os transportes sob controle dos trabalhadores, com taxação às grandes fortunas, enfrentando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que obriga o pagamento de fortunas aos banqueiros e especuladores.

Mas a resposta de Freixo vai no sentido contrário, e o programa que ele veiculou é mais um passo nesse caminho. Rebatendo as críticas de Crivella de que seria defensor dos Black Blocs, Freixo diz: “Não defendo nenhum ato violento, nem dos movimento sociais, nem mesmo do Estado”, igualando as pedras jogadas contra vidros de banco à repressão sistemática da polícia contra manifestações, que vem aumentando com medidas como a “lei antiterrorismo” sancionada por Dilma.

Freixo levou à televisão os argumentos defensivos e legalistas que já vinha utilizando na internet, de que não vai legalizar as drogas nem acabar com a polícia militar, pois isso “nem cabe ao prefeito”. A questão da guerra às drogas, principal motivação para a violência e os assassinatos policiais, das milícias e do tráfico contra a juventude negra dos morros – ou seja, um dos problemas mais importantes da cidade – são deixadas de lado porque “não cabe ao prefeito” discutí-la. Na internet também usou a mesma resposta para se referir à questão do aborto, cuja proibição mata milhares de mulheres que são obrigadas a realizar abortos clandestinos sem segurança.

Esses argumentos, no entanto, não repercutiram em parte de seus apoiadores nas redes sociais de forma tão negativa quanto a colocação que faz, por volta dos 8:30, em que afirma “a gente quer governar para todo mundo, a gente quer conversar com os empresários”. Isso porque grande parte dos que hoje declaram voto em Freixo sabem que a miséria dos trabalhadores, a precariedade dos serviços públicos, o desemprego e todos os principais problemas que nos atingem são causados diretamente pelos empresários, por sua exploração sobre nós, pelo fato de que nossos direitos são mercadoria em suas mãos.

Portanto, dizer que quer “governar com empresários” é uma expressão da tentativa de Freixo de reeditar a tragédia petista de conciliar interesses opostos, mantendo os lucros dos patrões e tentando oferecer melhorias mínimas para os trabalhadores e o povo pobre. O resultado disso nós já vimos, e está expresso na falência do PT.

Esse programa, em que Freixo afirma na televisão querer dialogar com empresários, é apenas uma das expressões desse movimento à direita, em que, em nome de ganhar votos, vem fazendo uma série de esforços para sinalizar “moderação”. Esse movimento inclui reuniões com donos de supermercado e empreendedores; a retirada de seu programa de até mesmo as medidas extremamente tímidas de Freixo para taxar os mais ricos desapareceram de seu discurso, como um trecho de seu programa que falava em reforma tributária (sobre o IPTU) que foi retirado do programa; e também a intenção, que foi divulgada pela Veja e o jornal O Globo (e até o momento segue sem ser desmentida pela campanha de Freixo) de soltar uma carta na segunda-feira reafirmando esse sentido de moderação (uma medida que lembra a “carta ao povo brasileiro” de Lula em 2002, reafirmando que empresários e banqueiros estariam seguros em seu governo).

Diante disso, reafirmamos o que a única forma de enfrentar a direita e os patrões é com um programa que avance sobre a propriedade privada dos capitalistas, é que para isso é preciso construir uma força militante e anticapitalista, baseando-se nas lutas como as da educação que crescem por todo o país. Só assim poderemos vencer os patrões e a direita, e não cedendo cada vez mais em um programa inofensivo para os patrões. Por isso, reafirmamos o chamado feito por Cacau a todos os eleitores de Freixo para que construam conosco essa força.




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