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PEC EMERGENCIAL

“Na Saúde tem recursos demais”, diz Lira para defender a PEC Emergencial

Em entrevista ao "O Globo", Arthur Lira afirma que "Na Saúde tem recursos demais. O problema da Saúde é gestão." para defender a desvinculação do orçamento federal. Ao mesmo tempo, corre para aprovar a PEC Emergencial, que derruba o piso de despesas essenciais para garantir os privilégios do centrão.

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

quarta-feira 24 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Thiago Gadelha

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), deixa claro os seus planos de governança da casa desde já. Dizendo que “Na Saúde tem recursos demais”, em entrevista ao O Globo, demonstra sua pressa para avançar com medidas que promovam uma maior desvinculação do orçamento da federação. Tudo isso para deixar uma maior margem para a compra de votos do centrão afim de aprovar reformas contrárias aos trabalhadores e ao povo.

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Quando perguntado se "Não é perigoso? [a desvinculação do orçamento] Já há casos de governos estaduais que não cumprem o mínimo constitucional na Saúde. pelo repórter, Lira responde que "Hoje governadores e prefeitos são obrigados a gastar dinheiro, jogando dinheiro fora, para cumprir o mínimo constitucional. Na Saúde tem recursos demais. O problema da Saúde é gestão.". No entanto, o grande problema da gestão da saúde para o deputado é que "O ministro Pazuello se comunica muito mal.", mas trabalha bem, em sua opinião.

O método de Lira para chegar a tal conclusão é conversar com prefeitos e governadores - todos parte do consenso do regime golpista em descarregar, em maior ou menor medida, a crise sobre os trabalhadores e o povo com reformas e desmonte dos serviços públicos. "...ninguém [dentre governadores e prefeitos] se queixa do Ministério da Saúde.", diz o presidente da Câmara, ignorando o sofrimento de milhões de pessoas com o descontrole da pandemia.

Para completar, o "progressista" afirma que "Para essa questão da vacina e do vírus, nós não temos uma receita de bolo. Você não pode ser condenado porque foi de um jeito ou de outro. Precisa trabalhar todo mundo junto.", como se os governos, a burocracia dos órgãos públicos e os grandes empresários não tivessem trabalhando contra as enfermeiras, médicas, faxineiras, cientistas e todo um batalhão de trabalhadores que se vêm tolhidos da sua capacidade de responder eficientemente à crise sanitária.

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A entrevista de Lira mostra como o problema político mais urgente no Brasil hoje não se trata unicamente do governo Bolsonaro (e, vale ressaltar, Mourão). As instituições do atual regime político foram e são parte do desmonte da saúde e estão todas em consenso em torno da aprovação da PEC Emergencial. Qualquer "crise por cima" poderia abrir caminho para os trabalhadores imporem sua resposta à crise, barrando as reformas e tomando o controle do SUS em suas mãos.

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