Internacional

Na ONU, golpista Temer elogia seu governo e a "democracia vibrante" do país

terça-feira 25 de setembro| Edição do dia

O presidente Michel Temer discursou no dia de hoje (25/09) na Assembleia Geral da ONU para os demais líderes mundiais. Nos seus 21 minutos de fala, fez autopropaganda de seu governo e, como um presidente ilegítimo, chegou ao cúmulo de dizer que vivemos em uma "democracia vibrante, lastreada em instituições sólidas".

Temer buscou em seu discurso ocultar o clima conturbado em que transcorrem as eleições deste ano. Sobre elas afirmou apenas: "Assim determina nossa Constituição, assim tem sido nos últimos quase trinta anos e assim deve ser. Porque todo poder emana do povo. Porque a alternância no poder é da alma mesma da democracia".

Em plena Assembleia Geral da ONU, nenhuma palavra sobre o parecer da Comissão de Direitos Humanos da instituição que, por mais de uma vez, assegurou o direito do ex-presidente Lula em disputar as eleições. Para Temer nada do contexto particular destas eleições tuteladas pelo Judiciário que promoveram a continuidade do golpe proscrevendo a candidatura de Lula ou a politização das Forças Armadas, que toda semana figuras do seu alto escalão vem a público dar declarações intervindo no processo eleitoral corrente, são questões dignas de nota em seu discurso. Algumas dessas declarações da caserna, como a do vice de Bolsonaro Mourão, diretamente atacando a Constituição e o poder constituinte que Temer diz ser tão sólido em nosso país.

Além dessa imagem de passividade no regime brasileiro, como se tudo transcorresse conforme manda a Constituição, outra imagem que Temer buscou construir foi da recuperação econômica. "Dissemos não ao populismo e vencemos a pior recessão de nossa História –recessão com severas consequências para a sociedade, sobretudo para os mais pobres. Recolocamos as contas públicas em trajetória responsável e restauramos a credibilidade da economia. Voltamos a crescer e a gerar empregos".

Novamente a realidade é o maior contraponto ao discurso do presidente, devido ao baixo crescimento do último trimestre (0,2%) mais uma vez os analistas alteraram para baixo a previsão de crescimento do país (1,44%) - confirmando, o que de fato, é a estagnação da economia do país e a permanência da crise. Em relação aos empregos, a suposta "geração de empregos" só se dá na parcela de empregos mais precários, que escorados na reforma trabalhista de Temer de fato cresceram, enquanto que 12,9 milhões de pessoas ainda estão desempregadas.

Quanto à recolocar "as contas públicas em trajetória responsável" isso se deu a partir da aprovação da PEC 55 que estipulou o teto dos gastos, congelando os recursos que poderão ser destinados a saúde e educação em nome de assegurar o montante de mais de 1 trilhão anual que é drenado pela dívida pública. Para a sua frustração, a reforma da previdência, parte desse pacote, não conseguiu aprovada antes das eleições.

O discurso de Temer na Assembleia, seu discurso de despedida, foi uma defesa não só de seu curto e nefasto governo, mas, em última instância, um grito de afirmação de um neoliberalismo senil, sem base popular, que precisou recorrer a uma figura ilegítima para a sua implementação. Nesse sentido, seu discurso girou em torno de assegurar que cumpriu seu papel e agora entregará a seu sucessor: "Transmitirei a meu sucessor as funções presidenciais com a tranquilidade do dever cumprido". Resta saber a qual sucessor terá de recorrer o imperialismo para assegurar que o dever continue a ser cumprido.




Tópicos relacionados

ONU   /    Governo Temer   /    Michel Temer   /    Internacional

Comentários

Comentar