Na ONU, Bolsonaro fala em "cristofobia" no país que perdoa dívidas bilionárias das igrejas

Na Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro apelou ao combate do que chamou de “cristofobia”. Em 2018, os casos de discriminação religiosa a católicos e evangélicos representam, juntos, apenas 7%. Enquanto as religiões de matriz africana representam mais de 30% dos casos.

terça-feira 22 de setembro| Edição do dia

Crédito: Reprodução

Em seu discurso na 75ª Assembleia Geral da ONU, feito na manhã desta terça-feira, 22, Bolsonaro soltou mais uma “pérola”. De acordo com ele, precisamos combater a “cristofobia”.

“A liberdade é o bem maior da humanidade. Faço um apelo à toda comunidade internacional: pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia (…) O Brasil é um país cristão e conservador, e tem na família a sua base. Deus abençoe a todos”.

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De acordo com o balanço feito pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em 2019, o “Disque 100” registrou 506 casos de discriminação religiosa no Brasil, sendo 72 casos contra pessoas da umbanda, 47 contra pessoas do candomblé e 28 que se identificam como “religiosos de matriz africana”, representando mais de 30% de todos os casos. No Brasil, as pessoas que seguem alguma religião de matriz africana representam menos de 0,5% da população total, de acordo com o Censo 2010 do IBGE.

Já os católicos e protestantes (evangélicos tradicionais, pentecostais e neopentecostais), que somados representam 86,8% dos brasileiros, não chegam nem a 8% dos casos de discriminação religiosa.

Ao mesmo tempo e com o expresso desejo de Bolsonaro, o Congresso aprovou recentemente o perdão de R$ 1 bilhão de reais às igrejas, com a PL 1581/2020 de autoria do deputado David Soares, nada mais nada menos do que o filho de R. R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus.

Nas mãos do presidente, não houve veto completo do projeto. Ele sancionou a isenção da contribuição previdenciária por parte das entidades religiosas e anulou multas anteriores a 2015 das mesmas, concedendo um importante benefício aos templos, acenando à Bancada da Bíblia.

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Essa realidade escancara o peso do cristianismo nas decisões políticas de um país que somente é laico nas letras já mortas de nossa Constituição. Um regime que não somente salva dívidas bilionárias das igrejas como também pratica perseguição sistemática aos negros e negras e ao seus direitos de manifestarem suas crenças.

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A interferência da igreja no Estado só garante retrocessos em direitos fundamentais. E essa interferência no Brasil é realizada majoritariamente pelos representantes de religiões predominantemente cristãs, como Edir Macedo, Estevan Hernandes Filho, R. R. Soares, Silas Malafaia, todos eles bispos-capitalistas, aliados do presidente, que se utilizam da fé das massas para ampliar seu poder material e político.




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