DEMISSÃO EM MASSA PARA PRIVATIZAR

Na Furnas, plano de demissão em massa de terceirizados prepara a privatização de Bolsonaro

Subsidiária da Eletrobras apresentou um plano de demissão em massa que abrange todos os 1.041 funcionários contratados ou terceirizados da empresa, abrindo caminho para a privatização como mais um passo da destruição do patrimônio público por parte do governo Bolsonaro.

quinta-feira 26 de setembro| Edição do dia

A Furnas Centrais Elétricas, empresa subsidiária da estatal Eletrobras, que o governo já anunciou que pretende privatizar, veio a público com um plano de demissão massiva de funcionários. O objetivo é demitir 1.041 funcionários, ou seja, todos os que estão em regime precário de contratação (contratados ou terceirizados), o que reduziria o quadro atual de cerca de quatro mil trabalhadores para 2.751.

Igor Israel da Silva, funcionário contratado da empresa e membro do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) falou algumas das absurdas condições do “plano de demissão” apresentado: “Furnas ofereceu indenização correspondente a 70% do que a empresa acha que o trabalhador tem direito e, se aceitar acordo, o contratado abre mão de qualquer reclamação posterior na Justiça e assina um acordo de quitação total com a empresa”. Ou seja, sequer a indenização correspondente a que os trabalhadores têm direito a empresa está disposta a pagar. É o tipo de precedente, de desrespeito total e aberto dos direitos trabalhistas, aberto pela reforma trabalhista.

Outro “benefício” que a empresa oferece é o engodo de que parte da indenização seja paga em cursos de capacitação, o que serve tanto para “comer” uma parte da já reduzida indenização quanto para tentar aplacar o justo receio de não encontrar emprego em meio a uma crise capitalista que deixa mais de 12 milhões sem sustento no país.

Segundo Igor Israel da Silva, os trabalhadores da Furnas exercem funções altamente especializadas e alguns tem até 25 anos na empresa. A sua demissão oferece grande risco para a operação das usinas e subestações, e pode acarretar em problemas no fornecimento de energia elétrica em todo o país. Como exemplos dos graves problemas, ele citou a usina hidrelétrica de Itumbiara, em Goiás, uma das maiores de Furnas, que perderá 40% dos funcionários caso a demissão se efetive, além desses operários também operarem remotamente a usina de Corumbá, em Goiás, e Manso, no Mato Grosso.

Esses trabalhadores que possuem contratos precários, sem os mesmos direitos e salários que os efetivos da Furnas, passaram a ser contratados a partir de 2002, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) lançou seu programa de “desestatização” e demitiu trabalhadores efetivos, precarizando os contratos e as condições de trabalho em Furnas no mesmo governo que privatizou a Vale do Rio Doce e gerou as condições para os desastres de Mariana e Brumadinho anos depois.

O processo de desmonte da Furnas é histórico, e a empresa chegou a ter dez mil funcionários nos anos 1990. No governo de Michel Temer já havia planos para sua privatização total, e desde 2015 o quadro de funcionários já havia passado de seis para quatro mil.

O desmonte da Furnas e sua entrega a preço de banana para os capitalistas transformarem mais um direito em uma lucrativa mercadoria faz parte dos planos de Guedes e Bolsonaro de fazer tudo o possível para enriquecer esses parasitas às custas da entrega completa do patrimônio público nacional. É fundamental a defesa dessas empresas e a luta contra as privatizações de Guedes e Bolsonaro.




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