Política

ATO CONTRA BOLSONARO

Myriam Bregman e Nathalia Gonzalez, deputadas do PTS na marcha contra Bolsonaro

domingo 30 de setembro| Edição do dia

No Bloco independente do Pão e Rosas que esteve na manifestação contra Bolsonaro e a extrema direita em São Paulo, estiveram presentes as deputadas da argentina Myriam Bregman e Natalia Gonzales, ambas deputadas da FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) e fazem parte do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas), organização irmão na argentina do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores.

Elas estiveram no Brasil para prestar solidariedade internacional à luta contra Bolsonaro e a extrema direita, já que se posicionar contra essas saídas reacionárias no país é parte fundamental da solidariedade internacional com os trabalhadores brasileiros. Mas, além disso, as deputadas não deixaram também de denunciar junto com o bloco Pão e Rosas a conciliação que havia com golpistas no ato (expressa na participação de figuras como Marina Silva e Katia Abreu), particularmente com a chapa PT e PCdoB (na voz de Manuela D’Ávila) querendo canalizar o imenso movimento à serviço com o seu pacto com a direita, a mesma que deu o golpe institucional no Brasil. Assim como na Argentina com o kirchnerismo, o PT não legalizou o aborto e implementou ataques contra a classe trabalhadora, não foi uma alternativa para as mulheres ao estar aliado a bancadas evangélicas e conservadoras no congresso.

A FIT é uma frente eleitoral classista que tem como principal objetivo, colocar o seu peso político para atuar na luta dos trabalhadores, das mulheres e dos demais setores populares da sociedade. Os deputados da FIT como Myriam Bregman, Natalia Gonzales mas também Nicolas Del Cano estão na linha de frente na luta contra o ajustes do FMI e do Macri. O PTS-FIT tem sido um exemplo na Argentina em fazer uma luta independente a partir da classe trabalhadora, e não de acordos parlamentares com a direita.

A experiência da Frente de Esquerda argentina, e do PTS em particular, contradiz a hipótese de um amplo arco de organizações que no passado degradaram o programa revolucionário para “chegar às massas”, entusiasmando-se com projetos de partidos sem uma estratégia anticapitalista de independência de classe. A influência sobre setores de massas, por parte da Frente de Esquerda, mostra que é possível conquistar peso em setores de massas sem abandonar a luta para que o movimento operário se transforme em sujeito político, avance das lutas sindicais à militância política e construa um partido com independência de classe que lhe seja próprio.

Trata-se de uma conquista para a esquerda internacional na medida em que expressa, ainda em pequena, mas significativa escala, a correção de uma estratégia para construir partidos revolucionários a nível internacional, ligados à classe operária e com capacidade para influenciar setores cada vez mais amplos do movimento de massas.

Nos espelhamos neste exemplo do PTS para construir uma esquerda dos trabalhadores para fazer diferença na luta de classes no Brasil.

Esta é uma prova de que é possível ter uma política independente para o movimento, sem com que seja utilizado a serviço do pacto com a direita que o PT está implementando e sem com que ele esteja a serviço da direita golpista que disputa contra o Bolsonaro nestas eleições




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