Gênero e sexualidade

Mulheres sequestradas, abusadas e obrigadas a se casar com os estupradores

Vídeo denuncia o sequestro de mulheres, a luz do dia e em público, onde os estupradores são impunes e as vítimas são obrigadas a se casar com eles, inclusive por medo do constrangimento por não serem mais virgens. Como mostra o vídeo, muitas delas por não terem a quem recorrer acabam por cometerem suicídio.

Sagui

Estudante Secundarista de Campinas

segunda-feira 27 de novembro| Edição do dia

Assista clicando aqui o vídeo que denuncia mulheres sequestradas, abusadas e obrigadas a se casar com os estupradores

Estatísticas e Cotidiano

A violência sexual não está somente dentro de casa, mas nas ruas, escolas, locais públicos e privados, além do ambiente de trabalho. Nas economias da União Europeia 40% à 50% das mulheres receberam propostas sexuais ou contato físico indesejado ou outras formas de assédio sexual no trabalho.

No mundo todo, apesar de estatisticamente as mulheres terem maior risco de sofrer violência por seus parceiro, 7% das mulheres sofreram abuso sexual por parte de um homem que não era seu parceiro. Essas mulheres vítimas de violência tem 2,3 vezes mais probabilidade de desenvolver distúrbios associados ao consumo de álcool e 2,6 vezes mais probabilidade de sofrer de depressão ou ansiedade.

Os fatores para esse tipo de comportamento são extensos, no mundo todo práticas machistas estão estruturadas num patriarcalismo tradicional, que na verdade, se moderniza e se esconde. No Brasil o índice de violência contra a mulher é o quarto maior do mundo, mas outros países que não lideram o ranking também expressão altas taxas de violência contra a mulher. A sociedade estão tão acostumada com a inferiorização da mulher, uma das causas para a violação de seus corpos, que mesmo quando uma mulher andando na rua e sendo assediada verbalmente por uma série de cantadas indesejadas o ato não é reconhecido como uma prática de assédio.

Além disso, a prevenção e punição para atos de assédio sexual é fraca ou nula em alguns países do mundo. Dados de Mulheres, Empresas e o Direito mostram que 41 economias dentre as 173 examinadas não têm leis contra o assédio sexual. Sendo que leis sobre assédio sexual na escola estão somente presentes em 52 economias e as específicas a locais públicos é ainda menor, sendo em 18 economias.

Créditos: Mulheres, Empresas e o Direito

A região da Europa e Ásia Central, a qual o vídeo expõe de maior frequência de sequestro e estupro, seguido de casamento, coloca como inexistente 74, 26 e 4 economias , respectivamente, sem legislação para assédio sexual no trabalho, nas escolas e em lugares públicos. Segundo a infografia do El País, na União Europeia, a Hungria é o único pais que não pune o assedio sexual.

Ainda este ano, Vladimir Putin, atual presidente da Rússia, sancionou uma lei que retrocede ainda mais nos direito das mulheres, banalizando a violência doméstica que não tiver marcas ou ossos quebrados, ignorando a violência psicológica e econômica, “punindo” com multa ou serviço voluntário se não houver reincidência em um ano. Ao contrário do que diz a Veja, nos primeiros períodos da União Soviética os trabalhadores e as mulheres foram linha de frente para conquistar direitos perante a lei, o que levou a Russia da época a ser o primeiro país a legalizar o aborto, a legalizar o divorcio ( sendo feito até por telegrama ) e tentou, mesmo com uma economia destruída pós-guerra civil, criar restaurantes e lavanderias comunitárias, a principal pauta para emancipar as mulheres do trabalho escravo doméstico.

Sobre os casamentos infantis no mundo, a cada ano 15 milhões de meninas em todo o mundo se casam antes dos 18 anos, levando a uma probabilidade maior de serem expostas à violência do parceiro e ao abuso sexual do que as que se casam mais tarde, segundo dados do Banco Mundial.

Em 12 economias é reconhecido legalmente o casamento para meninas menores de 18 anos, porém, mas da metade dos países onde o casamento é legal para maiores de 18 anos também é aceito exceções no caso do consentimento do pais, segundo dados da pesquisa Mulheres, Empresas e o Direito. Exemplos, no Sudão as meninas podem se casar ao atingirem a puberdade com o consentimento de seus guardiões e na República Islâmica do Irã as meninas podem se casar aos 13 anos. Ainda, o Brasil reconhece constitucionalmente o casamento de menores de 16 anos com consenso dos pais, o levando a ser ter o maior número de casos de casamento infantil da América Latina e o quarto no mundo, segundo a ONU News.

No mundo, cerca de 24% das adolescentes e meninas se casaram antes dos 18 anos, sendo que dependendo do país em que vivem, elas não terão sequer direito a recorrer à justiça por estupro no matrimônio, já que e em cerca de 1 em cada 7 economias (dentre as estudadas por El País), uma mulher estuprada por seu marido não pode iniciar uma ação penal.

Por fim, a violência de gênero é expressa pelas estatísticas, mas fora o que as estatísticas conseguem mostrar e reconhecer, existe uma série de mulheres caladas, violentadas, mortas e a margem da justiça. Vivemos em tempos de retrocesso de direitos, no Brasil a criminalização do aborto até em casos de estupro, confirmando que direitos e liberdades graduais no capitalismo é um mito. As mulheres dentro desses sistema que lucra cada vez mais com as opressões de gênero, etnia e sexualidade jamais poderão exercer de fato sua emancipação.




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