Juventude

BOLETIM FAÍSCA

Mulheres, negros e lgbts à frente para combater o avanço do golpe dentro e fora da universidade! Fora tropas do RJ!

Somos parte das mulheres, negros e LGBT’s que cotidianamente resistem à opressão machista, racista e LGBTfóbica. Uma realidade que atravessa os muros da universidade e que se aprofunda com o golpe institucional de Temer, abrindo um caminho ainda mais conservador e reacionário, que vai para cima não só dos nossos direitos democráticos elementares, como também dos nossos corpos, da expressão da arte, da nossa identidade e livre construção de gênero e sexualidade

domingo 11 de março| Edição do dia

Dos trotes opressores que ocorrem ano a ano, aos quais a reitoria fecha seus olhos, à terceirização do bandejão e da limpeza, passando pela enorme resistência da Unicamp em aprovar cotas étnico-raciais, possível graças à luta dos estudantes, vemos que o compromisso da reitoria e do Conselho Universitário é com a manutenção das opressões, e não seu combate. As trabalhadoras terceirizadas aqui, que são em sua maioria mulheres negras, além de não serem reconhecidas como trabalhadoras da universidade, não podem ter nem mesmo acesso ao Cecom, creches, bibliotecas e laboratórios de informática. Essa realidade na Unicamp se aprofunda frente ao cenário nacional, de avanço do golpe em cima dos nossos direitos. A reforma trabalhista junto à lei de terceirização irrestrita torna os trabalhos ainda mais precários, já que amplia a terceirização, que já havia sido triplicada nos anos de governo petista, e os trabalhos intermitentes, o que significa ainda mais mulheres, negros e LGBT’s submetidos à alta rotatividade e aos baixos salários. Se hoje as mulheres negras já recebem 60% a menos do que os trabalhadores homens e brancos, o que podemos esperar dessa reforma?

Seguindo o caminho de Temer que quis censurar o desfile da Tuiuti no carnaval, no ano passado, a Câmara reacionária de Campinas tentou aprovar o projeto Escola sem Partido, proposto pelo vereador Tenente Santini, que na prática quer censurar o debate de gênero e sexualidade nas escolas, o debate político vivo, para assim não promover a criticidade desde os primeiros anos de escola. Isso tudo no país que mais mata LGBT’s no mundo, com uma morte a cada 26 horas, e onde o Judiciário quer tratar os LGBT’s como doentes, como vimos com a aprovação da liminar da “cura gay” no ano passado.

Mas também em nossos currículos muitas vezes não estudamos a história dos trabalhadores e setores oprimidos, que sabemos que foram sistematicamente apagados dos livros, exatamente porque são parte da resistência ao capitalismo e a todas as opressões.

Mesmo o direito ao aborto, que já não foi legalizado em mais de uma década de governo do PT, está ameaçado pelos golpistas em casos de estupro, valendo-se do cínico discurso de defesa da vida, ao mesmo tempo em que defendem que mulheres grávidas podem trabalhar em lugares insalubres, colocando em risco a sua vida e dos seus filhos. O compromisso deles não é com nenhuma vida, mas com os lucros capitalistas!

Prova disso é a intervenção federal no RJ, mais um capítulo do golpe, e sabemos que ela serve para aprofundar a repressão, controle e violência à toda a população, mas principalmente aos negros e negras que sempre se rebelaram contra a exploração e opressão a que são historicamente submetidos. Somos os mais atingidos pelos planos de Temer, da casta política podre, e também das reitorias dentro das universidades. Os estudantes que lutaram por cotas étnico-raciais na greve de 2016, muitos deles negros, até hoje sofrem punições e perseguição, por parte de diretores e da reitoria, enquanto os que proferem ofensas racistas continuam em seus cargos ganhando altos salários.

Mas também somos os que mais carregamos ódio por toda exploração e opressão a que somos submetidos cotidianamente, e junto a isso, a vontade por construir uma sociedade livre e emancipada, onde possamos ser exatamente quem somos e quem queremos ser.

A Temer e ao Exército que querem calar a revolta negra contra o avanço do golpe, precisamos gritar que “não somos escravos de nenhum senhor”, e exigir imediatamente a retirada das tropas do RJ, a anulação da reforma trabalhista e a efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público, uma vez que muitos desses trabalhadores exercem essas funções há anos, e o concurso público significaria sua demissão em massa.

Com a nossa força, junto à classe trabalhadora organizada, podemos derrotar os capitalistas e construir os germes de uma sociedade sem opressão e exploração!




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