Gênero e sexualidade

28S: DIA DE LUTA PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO

Mulheres do MRT se pronunciam pelo direito ao aborto

Veja a declaração de Maíra Machado, Carolina Cacau, Flavia Valle e Diana Assunção sobre a luta pela legalização do aborto.

quinta-feira 28 de setembro| Edição do dia

Diana Assunção:
"Hoje no Brasil o aborto é permitido apenas em casos de estupro, de risco de vida para a mãe ou em casos de anencefalia, o que ainda é um enorme limitador para o exercício de um direito tão elementar para que as mulheres parem de morrer por abortos clandestinos e possam exercer o seu direito de decidir.
O estado é responsável por todas as mortes, e é responsável pela situação que estamos hoje. É escandaloso o quanto esta violência estatal atinge em especial as mulheres pobres, negras e trabalhadores, tendo como consequência morte e mutilação.

Conquistar o direito ao aborto é uma tarefa urgente, pois a mulheres continuam morrendo por abortos clandestinos. Mesmo em um governo do PT que se dizia "progressista", mas que abriu espaço pra direita, o aborto não foi legalizado. Está mais claro do que nunca que sem uma enorme mobilização não vamos conseguir arrancar este direito, bem como todas as outras demandas que compõe nossas reivindicações históricas como a exigência de educação sexual e de distribuição gratuita de contraceptivos de qualidade."

Flavia Valle:
"É inaceitável o número de mulheres mortas em decorrência de complicações por procedimentos inseguros. As estatísticas apontam que a cada dois dias uma mulher morre em decorrência de complicações por aborto clandestino no Brasil. Sendo em sua maioria mulheres pobres, trabalhadoras e negras que não possuem condições de pagar valores altíssimos para realizar o procedimento de forma segura em clínicas clandestinas. Nossa luta pela legalização do direito ao aborto é para evitar que todos os anos milhares de mulheres continuem morrendo em decorrência da realização de procedimentos inseguros. Exigimos o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, garantido pelo SUS."

Maíra Machado:
"O Estado nega as mulheres condições básicas para terem o direito a maternidade, como creches, escolas, lavanderias e restaurantes públicos. Os diversos ataques que os governos já vêm implementando, mas que pretendem aumentar ainda mais devido à crise capitalista que assola o país, atingem sobretudo nós mulheres. Como cuidar dos filhos trabalhando 12 horas por dia e sem garantias mínimas dos direitos trabalhistas? Às vezes a única opção que sobra para muitas mulheres que tem seu direito a maternidade negado, pela sede de lucros dos patrões e da exploração capitalista, é recorrer ao aborto clandestino, mesmo que isso signifique colocar sua vida em risco. Por isso nossa luta pelo direito ao aborto, também é uma luta pelo direito a maternidade, para que todas as mulheres que queriam ser mães possam exercer esse direito plenamente.
Enquanto os golpistas e a direita reacionária e conservadora avançam para implementar projetos como o Escola sem Partido, retirar o debate de gênero e sexualidade das escolas, e reformar todo ensino médio, nós do MRT e do grupo de mulheres Pão e Rosas defendemos o direito a educação sexual em todas as escolas, juntamente com a distribuições de preservativos e anticoncepcionais gratuitos para que os jovens possam ter plena liberdade de decidir e evitar uma gravidez indesejada, tenho certeza que assim poderemos diminuir muito os altíssimos índices de mortes devido a procedimentos de abortos inseguros."

Carolina Cacau:
"O Estado e regime político legitimam esta realidade contando com políticos conservadores e reacionários que tentam passar projetos de lei, como o PL 5069 do Cunha ou a PEC 181, que retrocedem inclusive no direito ao aborto legal em casos de estupros e risco de vida das mulheres, e querem ditar as regras das vidas e corpos das mulheres claramente com uma política machista que impõe uma situação de opressão, violência e morte para as mulheres. O governo golpista de Temer já mostrou que atacará os direitos das mulheres e não avançará na legalização do aborto, assim como o PT não avançou nos anos de governo e aliança com os políticos conservadores.

Essa é a cara do que o capitalismo e seus políticos reacionários que vivem de privilégios têm a oferecer as mulheres."




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