Gênero e sexualidade

FORA BOLSONARO, MOURÃO E OS MILITARES

Mulheres à frente por Fora Bolsonaro, Mourão e os militares

No último domingo, 7 de junho, nós mulheres do Pão e Rosas fomos às ruas nas manifestações contra o fascismo e o racismo, junto com a juventude e a classe trabalhadora em diversas cidades do país. Desde o começo dessa quarenta, assistimos os atos pró-Bolsonaro reivindicando o golpe militar e o aprofundamento de todas as opressões e precarização de nossas vidas. Mas domingo foi dia de gritar por um BASTA!

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

domingo 14 de junho| Edição do dia

As manifestações reuniram milhares pelo país em um momento histórico onde um grande levante internacional está em curso pela luta antirracista que ascendeu depois da morte de George Floyd – “meu pai mudou o mundo”, como declarado pela filha de Floyd. E essa luta chega no Brasil depois do caso de João Pedro, que foi assassinado dentro de sua casa - que foi atingida por 60 tiros da polícia reacionária do Rio de Janeiro - e tantas outras vidas negras mortas pelas mãos da polícia. E ainda no meio de toda essa realidade de manifestações internacionais, escandalosamente morre Miguel, filho de Mirtes que perdeu seu filho pelo racismo e descaso de sua patroa burguesa – deixando claro mais uma vez que o gênero pode nos unir, mas a classe nos dividi.

No Brasil já são mais de 41 mil mortes causadas pela COVID-19, sendo que este número é extremamente subvalorizado devido aos meses de enorme quantidade de subnotificações aplicadas pelo governadores e prefeitos. Depois, com a escalada autoritária de Bolsonaro para a não divulgação das estatísticas, esse número ficou ainda mais mentiroso. Mas mesmo com a subvalorização da quantidade de mortes, o país já alcançou a primeira posição na lista de mortes de agentes de saúde, área profissional que é ocupada em sua grande maioria por mulheres que trabalham hoje na linha de frente contra essa pandemia e não recebem sequer EPIs para poderem se proteger e proteger suas famílias quando retornam às suas casas. A grande mídia, como Rede Globo, se coloca contra a ação de Bolsonaro em esconder os dados, mas não atinge os governadores que aplicaram desde o começo as subnotificações.

Essas mortes pelo coronavírus chegam principalmente para a população negra, mas não por causa de algo genético, mas sim devido a opressão racial e desigualdade social que servem como base para esse podre sistema capitalista. A crise sanitária ainda deixará milhões de desempregados – atingindo mais brutalmente as mulheres negras que já ganham 60% a menos do que um homem branco e ocupam grande parte dos postos de trabalho mais precarizados do país – porque para os burgueses, os seus lucros valem mais do que nossas vidas. E para manter os lucros, a burguesia com seu Estado usa seu aparato repressivo da polícia para nos atacar, matar nossos filhos, nos sufocar, tirar o nosso ar, nos colocar na miséria e oprimir nossas vidas.

O governo ainda utilizou a pandemia para seguir com seu ataque contra o nosso direito ao aborto, que deveria se tornar legal, seguro e gratuito pelo SUS. Damares com sua postura reacionária e ataque constante contra a vida das mulheres e de toda a classe trabalhadora, deixa claro que este direito, nós mulheres, teremos que arrancar nas ruas. A vida de milhares de mulheres é ceifada todos os anos no nosso país pela falta de um programa que levante uma educação sexual para decidirmos, contraceptivos para não abortarmos e o aborto legal, seguro e gratuito para não morrermos. E mais uma vez, esse profundo ataque aos nossos direitos atinge muito mais a vida das mulheres negras, onde em 2018 os números mostravam que entre 4 mulheres mortas por decorrência de abortos clandestinos, 3 são mulheres negras.

A quarentena não é e nunca foi a realidade da grande maioria da população. Se para nos explorar e salvar o lucro dos capitalistas a grande maioria teve que seguir trabalhando ou perdendo seus empregos para passar fome dentro de casa, então precisamos agora sair às ruas com os devidos cuidados sanitários para lutar por testes massivos; que toda a indústria gire para a produção de todos medicamentos, materiais e equipamentos para essa guerra contra a pandemia; que todos aqueles que estão sem renda recebam um auxílio mais digno de no mínimo 2 mil reais – sendo esse auxilio aumentado para as mães solteiras; que seja implementado um programa emergencial contra a violência de gênero, que se elevou exponencialmente durante essa quarentena; que o sistema de saúde público e privado seja centralizado e controlado pelas trabalhadoras e trabalhadores da saúde; que nenhuma demissão seja permitida; e que as jornadas de trabalho possam ser reduzidas para empregar mais, mas sem que os salários sejam reduzidos.

É preciso levantarmos uma luta com independência de classe. Nós mulheres, juntamente com toda classe trabalhadora e a juventude, devemos lutar contra todo esse sistema capitalista que depende de todos os tipos de opressões – como a de gênero e a racial – para se manter de pé. Não podemos permitir que nossa classe seja fragmenta em setores, em opressões diferentes, em categorias de trabalho diferentes. Para derrubar o capitalismo, que se alimenta de todo tipo de opressão, devemos nos levantar como uma só voz! As direções dos nossos sindicatos devem voltar para as mãos das trabalhadoras e trabalhadores, derrubando toda a burocracia que entrega nossas lutas aos patrões e aos grandes empresários – como CUT e CTB fazem – e lutar não apenas pelas demandas mais básicas das categorias, mas também contra todo o tipo de opressão e se apoderar de uma estratégia que liberte nossa classe, nossas vidas, das garras desse sistema de miséria.

É preciso lutarmos hoje pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, mas também não depositar nenhuma confiança no congresso, nos governadores e no STF. Devemos gritar Basta de racismo e todo tipo de opressão. É preciso lutar para impormos nas ruas, pela luta de classes, por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para mudar não somente os jogadores, mas sim as regras do jogo!

Nós, mulheres do Pão e Rosas, seguiremos nessa luta e convidamos todas e todos a estarem ao nosso lado.

Nós exigimos nosso direito ao PÃO, mas também às ROSAS!




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