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RACISMO

Mulher negra é condenada por roubo por causa de seu cabelo crespo

Toda mulher negra que durante o processo de reconhecimento e identificação racial deixou de alisar os cabelos dificilmente passa imune às mais variadas expressões do racismo. O caso da dançarina e modelo Barbara Querino é emblemático, pois o símbolo de libertação e auto afirmação, num país extremamente racista como o Brasil, virou sua sentença: foi presa e condenada a mais de cinco anos de prisão porque uma das vítimas supostamente a identificou como ladra de seu carro, por causa do seu cabelo.

sexta-feira 2 de agosto| Edição do dia

“O fato pode ter sido cometido por outra pessoa, branca de classe média alta... Eles não vão lá na burguesinha averiguar, eles vão lá embaixo, onde sabem que tem, mas acha que todo mundo é”, explica Bárbara.

Dia 3 de novembro de 2017, enquanto voltada da casa da sua vizinha, foi abordada por duas motos e várias viaturas da polícia que perguntavam para Bárbara e mais uma mulher sobre o carro roubado.

No boletim de ocorrência as vítimas informaram que os criminosos eram cinco pessoas pardas, que a ação foi muito rápida e que não tinham mais dados sobre os autores.

Na delegacia, as vítimas foram identificar os assaltantes e na ocasião não reconheceram nenhuma das mulheres como membros da quadrilha. Ao chegar em sua casa, Bárbara recebe pelas redes sociais fotos suas e de outras mulheres, tiradas na delegacia, com mensagem acusando-as de foragidas. Se era arquivo policial, porque as fotos foram vazadas nas redes sociais?

Após ver as fotos nas redes sociais, as vítimas do roubo foram novamente à delegacia. O homem disse não se lembrar dos assaltantes, a mulher disse que reconhecia Bárbara pelo cabelo. Após dois meses, com filmagem de um programa televisivo sensacionalista, a polícia prende a suposta quadrilha do assalto da qual Bárbara fazia parte.

A jovem que não tem nenhum antecedente criminal, que no dia do roubo em questão tem registro em redes sociais de que estava participando de eventos artísticos foi condenada em agosto de 2018 a 5 anos e 4 meses por assalto a mão armada.

Um caso totalmente arbitrário como este infelizmente é a realidade de muitos jovens que têm seu futuro roubado por um sistema judiciário racista que se baseia no racismo arraigado da sociedade. Essa é uma das facetas mais cruéis do racismo institucional que na atual conjuntura está cada dia mais respaldado pelo governo Bolsonaro e toda sua política de ajustes que ataca preferencialmente as mulheres e toda população pobre e negra. Que está cada dia mais respaldado pelo sistema judiciário que tem como figura o juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que com seu pacote “anticrime” pretende na verdade, e dentre outras coisas, estimular o encarceramento provisório, restringir os direitos de defesa e dar à polícia burguesa licença para matar.




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