Gênero e sexualidade

ACAMPAMENTO: 100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA

Mulher e revolução russa é tema de mesa no Acampamento da Faísca e do Pão e Rosas

Começa a mesa do 2º dia do acampamento de inverno da Faísca e Pão e Rosas "100 anos da Revolução Russa e o comunismo hoje", sobre Mulher e revolução russa: nossa luta pelo comunismo. Com Diana Assunção, dirigente do MRT, diretora de base do Sindicato de Trabalhadores da USP e fundadora do Pão e Rosas Brasil e a presença de cerca de 200 jovens e mulheres.

sábado 29 de julho| Edição do dia

Diana Assunção, dirigente do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) abriu a exposição apontando princípios básicos que aprofundam a visão marxista sobre o temas das mulheres e a revolução. Diana apontou a relação entre a questão de gênero e a revolução russa. Em breve publicaremos o vídeo completo da intervenção, que aqui apontamos alguns elementos que abordou.

Diana contou como as mulheres estão na linha de frente da luta contra a exploração e a opressão, pois são elas as que mais sofrem com as mazelas do capitalismo, e como isso se expressou também na revolução russa. As trabalhadoras têxteis, ressaltou Diana, foram a faísca da revolução. Diversas operárias têxteis iniciaram as greves e chamaram os revolucionários a se somarem a essa luta. Desafio das mulheres bolcheviques de organizar a grande massa de trabalhadoras revolucionários na Rússia. Um processo de anos e anos de trabalho cinzento dos bolcheviques para construir a revolução, buscando as forças da classe trabalhadora para se somar a luta das operárias têxteis.

Como parte de expressar as lições da revolução Russa, Diana relembrou a memorável frase do grande revolucionário russo Leon Trotsky: "Para ser um revolucionário é preciso enxergar a vida pelos olhos das mulheres".

Remarcou que a opressão utiliza as diferenças para subordinar as trabalhadoras, principalmente as mulheres negras, às mais precárias condições de trabalho. Sobre como o capitalismo utiliza a opressão de raça e gênero para intensificar a exploração sobre o conjunto da classe trabalhadora. A mulher carrega o peso do trabalho doméstico, e quando entram no mercado de trabalho elas enfrentam a dupla jornada. Os patrões não arcam com os custos do trabalho doméstico, como garantia de creches, refeição e lavanderias, que são realizados gratuitamente a duras penas pelas mulheres, para assegurar aos capitalistas lucros cada vez maiores.

Se de um ponto de vista histórico o patriarcado é um tipo de opressão que já existia antes do capitalismo, este sistema aprofunda ainda mais a opressão de gênero. A visão marxista de mundo, ressaltou Diana, parte do princípio de que a exploração se da de uma classe sobre a outra. As mulheres não são uma classe, visão na qual se apoia algumas correntes feministas para se voltarem unicamente contra os homens excluindo o caráter de classe da exploração e opressão. As mulheres formam um grupo policlassista.

Explicou como é importante reconhecer a experiência da revolução russa como a maior da história, da humanidade, e assim podemos definir que a luta das mulheres durante a revolução russa também foi a maior da historia no que tange a conquista de direitos e avanço da emancipação das mulheres. A luta das mulheres não era individual ou subjetiva para libertar apenas as mulheres, não tinha nada de pacifista também, tinha como objetivo libertar toda a humanidade.

Para participar dessa luta pela emancipação das mulheres e da humanidade, tendo as mulheres como sujeito de sua própria libertação o Estado operário estabeleceu uma série de direitos para as mulheres, foi criado um código de leis pelos juristas soviéticos que garantia o direito ao divórcio. Era necessário às mulheres se libertarem dos alicerces do matrimônio e da família para participar da vida política e da revolução social.

O Stalinismo, explicou ela, fez retroceder todos os direitos das mulheres conquistados durante o período da revolução. Impuseram uma taxa sobre o divórcio, dificultando que camponesas e operárias pudessem se divorciar, aboliram o aborto, entre outros retrocessos.

Diana também explicou como a opressão das mulheres se dá em especial com as mulheres negras e como uma corrente revolucionária hoje tem que levantar com toda força a luta contra a desigualdade salarial, que atinge as mulheres negras pagando 40% a menos que os homens brancos. E terminou ligando as reflexões teóricas, estratégicas e programáticas à luta das mulheres e dos revolucionários hoje.

Como disse Rosa Luxemburgo "Há todo um velho mundo ainda por destruir e todo um novo mundo a construir. Mas nós conseguiremos, jovens amigos, não é verdade?"




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