Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Mulher é morta pelo ex dentro de viatura com a conivência da polícia

No último sábado (7) uma mulher foi assassinada no Vale do Mucuri-MG, dentro de uma viatura policial por seu ex-marido. O assassinato aconteceu no momento em que a vítima estava a caminho de uma delegacia para registrar uma denúncia contra o ex.

segunda-feira 9 de outubro| Edição do dia

Laís Andrade Fonseca, de 30 anos, morava com o filho de 8 anos e resolveu fazer uma denúncia contra o ex após descobrir que ele havia instalado câmeras no banheiro de sua casa. Laís teve medo de que ele divulgasse as imagens, que eram gravadas e transmitidas em tempo real.

Na delegacia da cidade de Pavão (MG), o homem assumiu ter instalado as câmeras para vigiar se a sua ex- esposa tinha um novo relacionamento.

Devido ao plantão do final de semana, para dar seguimento a denúncia era necessário transferir ambos para a cidade vizinha Teófilo Otoni, a quase 100km dali. Ambos foram colocados juntos na mesma viatura, com o ex-marido sem algemas e sentado ao lado de Laís, mesmo ele já tendo assumido que a vigiava em segredo e isso por si só já demonstrar a possibilidade de uma ocorrência violenta. Porém, para os policiais ele não se mostrava violento e portanto não apresentaria risco.

Enquanto se dirigiam na viatura para a delegacia de Teófilo Otoni, dentro da viatura o ex-marido esfaqueou Laís no pescoço com uma faca que tirou do tênis, e em seguida golpeou seu próprio pescoço e pulou da viatura em movimento. Laís não resistiu ao ferimento e morreu na hora, já seu ex foi atendido e levado preso em flagrante em seguida.

Segundo a polícia, ele havia sido revistado logo no início da ocorrência, mas pediu para passar em sua casa antes de seguir para a delegacia de Teófilo Otoni para pegar documentos. Nesse momento ele provavelmente pegou e escondeu a faca, e em seguida foi colocado lado a lado de sua vítima sem uma nova revista.

O Brasil contém uma das maiores taxas de feminicídios do mundo, ocupando a 5º posição mundial. É também recorrente que mulheres não denunciem a violência e ameaças vividas com seus companheiros por serem desencorajadas pela polícia nas delegacias. Mas é também recorrente casos como o de Eliza Samúdio, que denunciou o goleiro Bruno diversas vezes e infelizmente acabou assassinada por ele.

Esse é mais um caso em que o machismo tira a vida de uma mulher, mas dessa vez com o escandaloso agravante de ter ocorrido dentro de uma viatura enquanto seguia para fazer a denúncia, sob os olhos dos policiais que avaliaram que o agressor não apresentava riscos e tomaram a absurda decisão de levá-los juntos na mesma viatura por quase 100km. Esse assassinato nos da mais uma vez a mostra do quanto a polícia e o estado são coniventes com a violência contra a mulher. Laís foi vítima do machismo de seu ex, mas também do machismo da polícia e do estado, que permitiram que o crime ocorresse. Responsabilizamos a polícia e o Estado por mais este assassinato.

Não podemos aceitar que mais mulheres sejam vítimas do machismo. É preciso se organizar para acabar com essa violência, que só terá fim a partir da construção de um novo mundo, livre da opressão e exploração.

LAÍS, PRESENTE!

NEM UMA A MENOS!




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