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GOVERNO BOLSONARO

Mourão se reafirma no governo Bolsonaro: “Não posso ser desescalado”

Após uma campanha eleitoral marcada por declarações racistas, ameaças de ataque aos direitos dos trabalhadores e alguns descompassos entre candidato e vice, o general Mourão apareceu após vitória da chapa ainda de maneira discreta para reafirmar seu papel como vice de Bolsonaro. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo disse que, diferente de ministros, ele foi eleito e não poderá ser “desescalado”, além de que a marca do novo governo deve ser a austeridade econômica, entenda-se ataques ainda mais agressivos que os do governo de Temer.

terça-feira 30 de outubro| Edição do dia

A ausência de Mourão ao lado de Bolsonaro no domingo após a decisão das urnas chamou atenção, afinal eles vieram de alguns pequenos descompassos ao longo da campanha presidencial, como o pedido de representação oficial pelo vice sem o consentimento de Bolsonaro após a facada ou a afirmação deste de que apesar de ser capitão e Mourão general, ele é que seria o presidente. Em resposta Mourão afirmou seu “lugar garantido” e também fez questão de dizer que é um gêmeo siamês de Bolsonaro, que estão “juntos mesmo”, tentando suplantar as dúvidas que geraram suas declarações, entre as quais estava a de um “possível auto-golpe”.

Apesar do jogo de alfinetes e das incertezas em relação ao nível de tutela que almejam as Forças Armadas, assim como qual lugar à mesa querem os demais cabos eleitorais, como a Justiça e os grandes capitalistas que asseguraram com muita manipulação e milhões de reais em caixa 2 o futuro governo Bolsonaro, Mourão tocou em sua entrevista no tema comum que encaram como uma prioridade: a austeridade. Seguindo suas declarações, mais uma vez acenou “às necessárias” reformas e cortes, que, longe de significar a retirada dos privilégios do alto escalão dos políticos, juízes e militares, será um enxugamento dos quadros de servidores públicos e corte de direitos dos trabalhadores, começando pelo ataque à aposentadoria, como ressaltou na boca da urna neste domingo.

Com uma hipocrisia sem tamanho o general ergueu Bolsonaro como o representante das aspirações contra a corrupção e mais do mesmo da política tradicional, mesmo com o principal assessor do novo governo, o ultraliberal Paulo Guedes, sendo mais um dos investigados nos escândalos de desvio de recursos públicos, além da longa trajetória de quase 30 anos de Bolsonaro na política, passando por mais de dez partidos de aluguel fisiológicos, onde o enriquecimento dele e de seus familiares por essa via são uma afronta. Sem dizer está explícito onde está a identidade siamesa entre o capitão e o general, afinal, como bons defensores da Ditadura Militar assassina, torturadora e corrupta, sabem bem como usurpar as riquezas e esmagar os direitos dos trabalhadores e oprimidos em benefício próprio.

Mourão, que entre suas repudiáveis declarações racistas e machistas afirmou que jovens pobres criados por mãe e avós são desajustados, reforçou também na entrevista sua sede pela redução da maioridade penal. Afirmando que esta servirá para os crimes hediondos, omitiu que hoje a maioria da população carcerária já é composta por jovens enquadrados na lei de drogas, de 18 a 25 anos, negros e que sequer receberam julgamento. Bala e cortes de direitos, essa é a defesa do vice para o novo governo.

Em meio a tantas ameaças é urgente que os trabalhadores, oprimidos e jovens sigam o exemplo dos estudantes que em diversas universidades do país, como na USP e UNB, se organizaram para repudiar o que significará contra nossas vidas esse governo autoritário. É preciso construir já espaços de debate e organização da luta em cada local de trabalho e estudo, não esperar janeiro e levar em cada lugar a força de comitês que preparem a defesa e resistência contra o governo Bolsonaro, para uma saída dos explorados e oprimidos que seja independente.




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